Saga Brasileira: A Longa Luta de um Povo Por Um Jornalismo Plural

Uma piada de José Simão nos anos 90 era dizer: “Privatizemos tudo, inclusive a Miriam Leitão!”. Ele se referia à jornalista chapa-branca, feroz militante no jornal O Globo, na TV Globo e na Globo News em defesa do governo FHC, ou pior, um governo neoliberal para desmanchar o Estado desenvolvimentista. Este foi o que levou o Brasil a ser um dos maiores emergentes representados na sigla BRIC.

Não é o caso de “desneoliberalizar” só ela. Por exemplo, Claudia Safatle é diretora-adjunta de Redação do jornal Valor. Confira um exemplo de como ela usa sua coluna, assim como faz a maioria de seus colegas colunistas, para divulgar o antipetismo. Ela conclui um de seus inúmeros panfletos (Valor, 17/08/18) da seguinte forma: “A surpresa negativa fica por conta do PT, cuja chapa puro-sangue e a linguagem esquerdista, antidemocrática e cheia de mágoas do programa leva o partido a retroceder para antes de 2002. Ali o PT ampliou seu arco de alianças rumo ao centro e foi vitorioso.”

Deixe em paz meu coração

Que ele é um pote até aqui de mágoa

E qualquer desatenção, faça não

Pode ser a gota d’água

Detalhe talvez explicativo de sua “isenção, imparcialidade e pluralismo” (sic): ela foi assessora do Banco Central na gestão do Armínio Fraga (PSDB).

Por sua vez, Miriam Leitão, no livro “Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda” (Rio de Janeiro: Record, 2011), não esconde o fato de recontar a história recente brasileira sob apenas um ponto de vista. Apesar de ela edulcorar a narrativa ao dizer: “A saga que conto aqui é obra da democracia. Passei a me dedicar ao livro mais objetivamente nos primeiros anos do governo Lula, porque a estabilização havia superado o decisivo teste da transição política. Os planos têm autores certos e sabidos. O processo foi uma escolha coletiva.”

Nos seus agradecimentos demonstra claramente seu viés partidário quanto a essa citada escolha coletiva. “A um grupo de 15 pessoas eu tenho que fazer agradecimento especial porque com elas gravei longas entrevistas; várias em mais de um encontro. Os economistas Persio Arida, André Lara Resende, Gustavo Loyola, Maílson da Nóbrega, Gustavo Franco, José Roberto Mendonça de Barros, Armínio Fraga, Francisco Lopes, Francisco Gros, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Pedro Malan, Henrique Meirelles, Eduardo Modiano, Edmar Bacha e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso abriram suas agendas e me concederam longas entrevistas gravadas.”

Não entrevistou sequer um economista desenvolvimentista! Trata dessa história como eles não existissem, contando apenas um lado ou uma versão dos acontecimentos. “Consultei vários economistas em diferentes momentos sobre inúmeros aspectos dos fatos aqui relatados como Luiz Roberto Cunha, Marcelo de Paiva Abreu, Salomão Quadros, Fábio Giambiagi, Dionísio Dias Carneiro, Rogério Werneck, José Márcio Camargo, Ricardo Paes de Barros, Ricardo Henriques, Marcelo Giufrida, entre outros. A Marcelo de Paiva Abreu liguei no meio da tarde de um dia de trabalho com perguntas sobre taxas de inflação de mais de um século atrás.”

Infelizmente, Miriam Leitão, no livro “Saga brasileira”, conta uma lenda, uma narrativa de caráter maravilhoso na qual um fato histórico – a estabilização da inflação em menor patamar – é centralizado em torno de pressuposto herói popular: “o professor da PUC-Rio”! Ele se amplifica e se transforma sob o efeito da evocação poética ou da imaginação jornalística. Entretanto, essa atitude enganadora, falsa, pode ser lida como um engodo, fraude, mentira.

A narrativa fastidiosa, ladainha, lengalenga, se baseia em uma falsidade. O Plano Real não perdurou durante o governo FHC nem foi adiante. Ficou restrito ao governo Itamar Franco, strictu sensu, só durante a preparação com a URV – quando era conhecido como Plano FHC, então ministro da Fazenda –, e a reforma monetária de 1º. de julho de 1994.

O que o Plano Real prega sobre a taxa de câmbio não é o adotado no governo seguinte: um regime de banda cambial com a sobrevalorização da moeda nacional para controle inflacionário e o consequente desequilíbrio do balanço comercial. Menos ainda no segundo mandato de FHC, quando foi adotado o chamado tripé macroeconômico em 1999: taxa de câmbio flexível – superávit primário – meta de inflação.

Então, para refletir sobre a Complexidade Brasileira, não perderei tempo a resenhar o livro “Saga brasileira”, e passarei adiante em próximo post para resenhar o livro seguinte de Miriam Leitão, “História do Futuro – o Horizonte do Brasil No Século XXI”.

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