Controle Social

Anthony Giddens e Philip W. Sutton, no livro Conceitos Essenciais da Sociologia (tradução Claudia Freire. – 1. ed. – São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017), definem controle social constituído de todos os mecanismos formais e informais e controles internos e externos cujos funcionamentos geram conformidade.

As teorias sobre controle remontam a Thomas Hobbes, filósofo do século XVII. Em uma sociedade de indivíduos com interesse próprio, um enorme poder – o Estado – seria necessário para evitar uma “guerra de todos contra todos”. Havia um contrato social entre o Estado e o indivíduo segundo o qual o cidadão é leal ao Estado e este, em troca, o protege. Quando o estudo do controle social foi introduzido à ciência social, desenvolveram-se perspectivas sociológicas mais complexas.

Ao final do século XIX, sugeriu-se o controle social englobar todas as pressões exercidas para as pessoas se conformarem às regras sociais.

Talcott Parsons (1937) apresentou uma alternativa com base na socialização. A conformidade não é produzida apenas por meio do medo e por agentes externos, mas é também internalizada nas normas e valores absorvidos pelas pessoas durante o processo de socialização.

Uma resposta mais específica foi apresentada por Travis Hirschi (1969). Ele considerava a delinquência juvenil ocorrer quando os vínculos do indivíduo com a sociedade são enfraquecidos ou rompidos. Essa teoria concentrava a atenção nas conexões das pessoas com a família, colegas e instituições sociais.

Para os teóricos marxistas, o Estado é um ator fundamental na produção de controle social. Nas sociedades capitalistas ocorre, na verdade, o controle da classe trabalhadora.

Controle social é o lado oposto do desvio. Enquanto os sociólogos do desvio e crime analisam por que as pessoas infringem normas e leis sociais, os teóricos do controle social fazem a pergunta oposta: por que as pessoas obedecem?

Uma das formas de pensar as diversas teorias de controle social é dividi-las entre duas abordagens:

  1. “produtora de conformidade” e
  2. “repressora do desvio”.

As teorias de produção de conformidade costumam se concentrar:

  1. no aprendizado dos papéis sociais e
  2. na internalização das normas sociais.

As teorias da repressão do desvio analisam as associações entre

  1. comportamento desviante e
  2. as medidas empregadas para reduzi-lo.

As melhores teorias são as que conseguem mesclá-las.

Parsons tentou solucionar o que denominou “o problema da ordem social”, ou seja, como as sociedades conseguem produzir conformidade suficiente de uma geração para a outra. Para ele, a conformidade das pessoas não parece forçada ou hesitante e a maioria das pessoas se conforma por conta própria. Isso porque as normas sociais existem não só “por aí afora” nos manuais jurídicos e livros de boas maneiras, mas também dentro de nós mesmos.

A socialização garante o senso de si próprio [self] estar intimamente conectado à conformidade das regras. Influencia a nossa autoimagem de “pessoas boas”. Em um sentido real, somos nossos próprios censores e nos encarregamos de “policiar” nosso próprio comportamento na maioria das vezes.

Até mesmo pessoas infratoras da lei possuem os mesmos valores gerais da sociedade tradicional. Conscientemente, planejam as “técnicas de neutralização” – narrativas próprias sobre os motivos que os levam a infringir leis – para cometer delitose, ao mesmo tempo, manter a autoimagem.

A teoria de Hirschi sobre controle social explicou a conformidade como algo baseado nos laços e vínculos sociais. Estes são criados por meio de

  1. ligações com amigos, família e colegas,
  2. comprometimento com estilos de vida convencionais,
  3. envolvimento em atividades normais e legais e
  4. crenças acerca do respeito à lei e às autoridades.

Essas ligações e vínculos conseguem fazer o indivíduo se manter envolvido em atividades convencionais e longe das oportunidades de comportamento desviante.

Portanto, as causas do desvio não estão simplesmente na patologia individualou no individualismo egoísta, mas também na falta de conexão com a sociedade e seus órgãos e instituições, o que os deixa como se à deriva e vulneráveis às tentações desviantes.

O desvio dispensa explicações porque ocorre diante de uma oportunidade. Um exemplo disso é o padrão de gênero (masculino/feminino) relacionado ao crime, o que talvez seja o aspecto mais impressionante das estatísticas oficiais nessa área.

O enfoque sociológico de Parsons em relação ao controle social transferiu a atenção dos controles externos para os controles internos. Contudo, os críticos argumentam ele dar um peso excessivo à socialização na produção da conformidade– peso esse cuja socialização talvez não consiga sustentar.

Muitos sociólogos veem a socialização e os processos de autoformação como inerentemente conflitantes e não harmoniosos, envolvendo diversas tensões com forte carga emocional. Não é possível haver garantias de o mesmo conjunto de normas e valores sociais ser internalizado por todos.

Teorias posteriores do controle social incluem a perspectiva do etiquetagem ou rotulação, de acordo com a qual desvio e controle social estão intimamente relacionados. A relação entre ambos é profundamente conflitiva, porém, porquequanto mais os agentes de controle social tentam evitar o desvio, maiores as chances de que mais desvios sejam criados. Uma série de estudos interacionistas sobre o desvio mostra como o controle social tem uma tendência a conduzir a mais comportamentos rotuláveis como desviantese a uma subsequente expansão da “atividade desviante”.

Ao lidar com esses problemas de ordem social, os sociólogos passaram a considerar os problemas de estrutura e ação, fenômenos em nível micro e macroe questões acerca de socialização e conformidade. Mas nada disso pode ser separado dos estudos de crime e desvio. Eles são basicamente dois lados da mesma moeda. Assim sendo, enquanto houver estudos de crime e desvio, haverá também interesse nas implicações deles para a nossa compreensão do controle social.

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