Marcas de Clubes de Futebol: Patrocínios ou Mecenatos

O Flamengo é a marca mais valiosa do futebol brasileiro pelo quarto ano consecutivo. O controle de mercado pelo clube rubro-negro pode ser ameaçado nos próximos anos, porém, pela ascensão do Palmeiras, hoje terceiro no ranking de valor de marcas dos clubes. Esta, se mantida a atual tendência de crescimento, pode superar o Corinthians (segundo mais valioso do país) no curto prazo. Quem diria, os “Palestras Itálias”, em SP e MG, superam os “times-do-povo”! Fenômeno social: o proletariado é superado pelo operariado ascendente para a classe média!

Conforme o levantamento realizado pela empresa de consultoria e auditoria BDO, a marca rubro-negra passou a valer R$ 1,95 bilhão em 2018, 15% a mais em relação ao ano passado. Esse valor de marca praticamente dobrou em um período de cinco anos – era de R$ 1 bilhão em 2014. Efeito casta dos sábios-tecnocratas? Um ex-benedense (ex-BNDES) assumiu a gestão das finanças do Flamengo e “virou o jogo”? Isto para o bem. E para o mal? Está envolvido com quem?

Para chegar aos valores e criar o ranking, a consultoria considera 40 indicadores em três pilares:

  1. torcida (gama de consumidores),
  2. mercado (onde o clube está inserido, o que já coloca os times de Minas Gerais e Rio Grande do Sul em desigualdade de competição), e
  3. receita (patrocínio, bilheteria etc).

Os patrimônios dos clubes não são considerados nos cálculos, assim como a receita de vendas de jogadores. Mas, atualmente, muitos clubes (brasileiros e latino-americanos em geral) vivem disso: mecenato e venda de talentos precoces para o exterior!

“O que alavanca o Flamengo são os bons patrocínios, que foram aumentados. Além disso, embora não tenha o maior tíquete médio de ingressos nos estádios, o Flamengo tem o maior público do Campeonato Brasileiro“, afirma Carlos Aragaki, sócio do departamento de esportes da BDO e autor do levantamento.

A elogiada profissionalização da gestão do Flamengo nos últimos anos permitiu elevar significativamente diversas frentes de receitas do clube, o que foi determinante para a valorização da marca. Apesar disso, o time da Gávea conquistou apenas um título de expressão no futebol brasileiro nos últimos cinco anos: a Copa do Brasil de 2013. O Cruzeiro, felizmente, com enorme endividamento, conquistou desde então dois campeonatos brasileiros e duas Copas Brasil! 🙂

O rubo-negro carioca foi seguido no ranking pelo Corinthians, avaliado em R$ 1,74 bilhão em 2018. O alvinegro viu sua marca valorizar-se em 9% (ou mais R$ 148 milhões) após ter vencido os campeonatos paulista e brasileiro no ano passado. O Corinthians tem ainda a segunda maior torcida do país, atrás apenas do Flamengo.

“Para o valor da marca Corinthians crescer de forma mais acelerada o caminho para o clube seria conseguir o patrocínio master da camisa. Ele já não tem há algum tempo! Obter ‘name rights‘ para a Arena Corinthians e ainda renegociar o contrato do estádio com a construtora Odebrechet. Só falta isso! 🙂

Na sequência do ranking está o atual líder do Brasileirão, o Palmeiras, avaliado em R$ 1,53 bilhão. Apesar do terceiro lugar no levantamento, o alviverde foi o que apresentou maior crescimento no valor da marca quando comparado ao ano passado (36%) e no acumulado dos últimos cinco anos (165%). O desempenho reflete o crescimento das receitas com patrocínios e estádio. Viva o mecenato!

José Roberto Lamacchia é o maior investidor em um clube de futebol no Brasil. O dono da Crefisa e da Faculdade das Américas (FAM) lutou contra o câncer, foi aos Estados Unidos em busca da cura e depois deu continuidade com alguns dos melhores médicos do Brasil. Após o tratamento, tomou decisões, entre elas a de colocar (muito) dinheiro no Palmeiras, seu clube de coração. São perto de R$ 100 milhões anuais em patrocínio, fora os “presentes”, como Vítor Hugo, Thiago Santos, Fabiano, Lucas Barrios, Dudu, Guerra e Borja, jogadores contratados graças aos elevados aportes extras feitos pelas duas de suas 13 empresas.

Fonte: http://www.espn.com.br/blogs/maurocezarpereira/677854_exclusivo-patrocinador-admite-que-paga-ao-palmeiras-mais-do-que-vale-e-diz-que-compensa

Enquanto o patrocínio não morrer, o valor da marca Palmeiras poderá superar a do Corinthians, em curto prazo, e mesmo “colar” no Flamengo nos próximos anos. A concretização desse cenário depende, porém, da manutenção de patrocínios no clube.

O São Paulo aparece em quarto lugar no ranking, avaliado em R$ 1,2 bilhão, 20% a mais do que em 2017 graças às mídias sociais. Em quinto lugar está o atual campeão da Libertadores, o Grêmio, avaliado em R$ 667 milhões. Como o estudo não considera receita de venda de jogadores, a saída de Pedro Rocha ao Spartak de Moscou não influenciou o resultado do clube gaúcho.

Somados, o valor das marcas dos 40 principais clubes brasileiros chegou a R$ 10,25 bilhões neste ano, 6% a mais do que no ano passado e 45% acima do medido em 2014. Esse crescimento não foi maior por causa de uma antecipação de luvas da transmissão de jogos, ocorrida em 2016, o que ampliou a base de comparação da receita. Viva a Rede Globo! Morte à Rede Record! 🙂

4 dias atrás O Cruzeiro poderá ter uma novidade no uniforme a partir da próxima temporada. O clube negocia acordo de patrocínio com a multinacional …
O Cruzeiro poderá ter uma novidade no uniforme a partir da próxima temporada. O clube negocia acordo de patrocínio com a multinacional chinesa Ledman, especializada na fabricação de LEDs. A negociação se arrasta há pelo menos dois meses.

No início, a tentativa de acordo era pelo espaço mais nobre da camisa (máster). As partes chegaram a conversar em valores: 20 milhões de dólares (cerca de R$ 74,5 milhões) por quatro anos de contrato.

A Ledman, no entanto, atrasou o início da operação no Brasil e concluiu então não precisar de tanta exposição de sua marca já em 2019. Desta forma, as conversas passaram a ser para outro tipo de patrocínio, em outro espaço da camisa.

O Cruzeiro tinha o espaço na manga vazio desde o fim de 2017, com o término da parceria com a Vilma Alimentos. Os outros patrocinadores do clube estampados na camisa são Cemil (omoplata), Caixa (master), Orthopride (dentro dos números), Uber (calção – lado esquerdo), ABC da Construção (calção – lado direito) e iPlace (acima dos números). A fornecedora de material esportivo é a Umbro. Nas lojas, a camisa seguirá sendo vendida apenas com o patrocínio master, da Caixa.

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