Rentista: vive de renda a partir de quanto de riqueza?

Michael Viriato é professor de Finanças do Insper e sócio fundador da Casa do Investidor. Publicou artigo (FSP, 06/01/19) bastante didático sobre quanto de riqueza é necessário para se tornar um rentista. Reproduzo-o abaixo para uso no meu futuro curso sobre Finanças Comportamentais para Trabalhadores.

“Viver de renda é um sonho de todos. Entretanto, a queda da taxa Selic para 6,50% ao ano trouxe para baixo o rendimento de todas as aplicações financeiras, pois todos os rendimentos da economia são uma função da taxa básica. E isto fez com que este sonho ficasse um pouco mais difícil de ser atingido.

A maior parte dos investidores associa aplicações financeiras a dois veículos: a caderneta de poupança e aplicações de curto prazo referenciadas ao CDI ou à Selic. No entanto, estas duas não possuem uma característica essencial para quem pensa em viver de renda.

A proteção para a inflação é um importante atributo necessário para que um veículo financeiro se caracterizare como adequado para os rentistas. A poupança nos últimos anos quase não é capaz de superar a inflação e aplicações de liquidez referenciadas ao CDI ou à Selic proporcionam um ganho reduzido de juros real, acima da inflação. Logo, discuto abaixo cinco alternativas para você ter uma aposentadoria tranquila.

Imóveis

Os imóveis são um dos veículos preferidos daqueles que almejam viver de renda. A atratividade dos imóveis para as pessoas é a capacidade de se tocar nele, o que traz ao investidor um maior sentimento de segurança.

Observa-se no gráfico acima a rentabilidade obtida em investimentos imobiliários ter caído conjuntamente com a redução da taxa básica, mencionada acima.

A redução do rendimento afeta o quanto é necessário ter investido para viver de renda. A renda é o produto da rentabilidade de aluguel e do valor investido. Em 2008, quando a taxa de aluguel anual era próxima de 8% ao ano, seria necessário ter R$750 mil em imóveis alugados para ter uma renda de R$5 mil mensais (=R$750mil * 8% / 12). Uma década depois, o valor investido em imóveis necessário para ter a mesma renda é de R$1,4 milhões, pois o aluguel anual médio caiu para 4,3% ao ano.

Considerando o IR sobre os ganhos, seria necessário um investimento ainda maior para ter a mesada de R$ 5 mil líquida no seu bolso.

O investimento em um imóvel diretamente tem quatro desvantagens:

  1. falta de liquidez,
  2. alto custo de transação,
  3. imposto de renda sobre os rendimentos e
  4. falta de diversificação.

Todas essas características negativas são superadas com o investimento em fundos de investimentos imobiliários (FIIs).

Fundos de investimentos imobiliários

Os FIIs atendem a todas as vantagens de uma aplicação para rentistas. Além de suplantar as desvantagens do investimento direto em imóvel, os FIIs têm um benefício adicional.

Eles possuem uma rentabilidade líquida de IR superior à obtida no investimento imobiliário direto. Como os FIIs em média apresentam um ganho em dividendos de 0,5% ao mês, bastaria um investimento de R$1 milhão para ter R$ 5 mil mensais líquidos de IR.

Ações pagadoras de dividendos

Em média, empresas pagadoras de dividendos proporcionam uma rentabilidade de 5% ao ano. Esse retorno é calculado dividindo o valor do dividendo pelo preço de mercado da ação.

A vantagem de uma carteira de ações sobre os imóveis é a isenção de IR sobre os dividendos pagos.

Assim como os FIIs possuem volatilidade por negociar em bolsa, as ações apresentam volatilidade ainda superior. Outra desvantagem é a necessidade de um trabalho mais ativo para gerir essa carteira, pois será necessário realizar trocas das ações de empresas quando as perspectivas desta empresa se alterarem.

Considerando a rentabilidade de 5% ao ano, seria necessário um patrimônio de R$1,2 milhões em uma carteira de ações para ter uma renda equivalente a R$5 mil mensais.

Títulos públicos

Os títulos públicos referenciados a IPCA guardam uma vantagem sobre os dois anteriores que é a maior segurança. Em contraponto, o investidor não obtém ganhos de capital, mas apenas rendimentos advindos dos juros pagos. O ganho de capital desses títulos nada mais é do que a antecipação dos ganhos de juros futuros.

Como a rentabilidade acima da inflação dos títulos conhecidos como Tesouro IPCA (ou NTN-B) está em 5% ao ano, seria necessário R$1,2 milhões.

No entanto, os títulos públicos também são tributados. Logo, seria necessário um investimento acima de R$ 1,4 milhões para ter a renda de R$ 5 mil mensais líquidos de IR.

Títulos privados

Os títulos privados referenciados a IPCA, possuem uma vantagem em relação aos títulos públicos que é a remuneração superior. Em média, eles apresentam uma taxa real 15% superior. Adicionalmente, algumas emissões possuem o benefício de isenção de IR.

Entretanto, esse prêmio de rentabilidade não é de graça, estas aplicações possuem maior risco e, por isso, demandam um maior trabalho de análise de crédito. Em função deste risco, uma carteira de títulos privados deve ser bem diversificada e nenhum emissor individual deveria representar mais de 4% de seu patrimônio.

Considerando os maiores ganhos, é necessário investir proporcionalmente menos nesses títulos para ter os mesmos ganhos mensais.

O ideal para quem sonha em viver de renda é construir uma carteira que incorpore pelo menos duas das alternativas de investimentos descritas acima. Também é importante ponderar adequadamente as opções de acordo com seu perfil de investidor.”

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