Base Governista Adesista: Até Quando Sustentará um Ministério Desqualificado?

Levantamento realizado pela MCM Consultores Associados mostra o atual governo ser o com a menor participação de políticos no comando de ministérios, quando comparado às administrações anteriores, como demonstra o gráfico acima. Enquanto no governo Bolsonaro essa participação é de 27%, no governo Temer chegou a 93% e, no segundo mandato de Lula, a 86%. Desde a década de 1990, só Collor “empregou” menos políticos que Bolsonaro: 19%.

A carência de base governista adesista/oportunista leva a impeachment no Brasil. Por isso, o governo golpista de Temer foi semiparlamentarista (93%): evitou-lhe a abertura de processos do MP.

Com a base aliada/adesista desarticulada, deputados governistas não tiveram sucesso em blindar o Planalto na Câmara. Os parlamentares alinhados ao capitão Jair Bolsonaro enfrentam dificuldades para conseguir as 171 assinaturas necessárias para protocolar cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) na Câmara, número máximo permitido pelo regimento permite. A estratégia era não deixar espaço para a oposição. Mas os situacionistas conseguiram protocolar apenas três CPIs, o que abre uma janela para a oposição criar duas.

Na oposição, o PT está investindo em dois temas:

  1. uma CPI sobre as movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) à época em que o parlamentar estava na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), relacionado às milícias cariocas, e
  2. outra sobre caixa dois para fake news e distribuição de conteúdo no WhatsApp na campanha presidencial de 2018.

Parlamentares da base aliada e do próprio PSL atribuem as dificuldades à pouca eficiência do líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo (GO), em construir uma base aliada mais consistente – o que poderia facilitar o trabalho deles na coleta de assinaturas. Segundo fontes, o governo sugeriu aos deputados aliados apresentarem pelo menos sete CPIs. Eles não entregaram a encomenda! E conseguirão entregar a reforma da Previdência Social contra os trabalhadores?!

O temor está nos círculos conservadores de Brasília: eles avalizam uma reforma com pouco apelo popular, como é a da Previdência, e depois não conseguem maioria para as pautas de costumes que lhe são caras?!

Até porque a popularidade de um governo novo, na chamada “lua de mel” do começo de mandato, com um eleitorado ainda não tão desapontado com seu presidente, como estará com o anúncio de corte de seus direitos dos trabalhadores, e uma base parlamentar menos afeita a rebeldias, viria a calhar na hora de aprovar pautas como o Estatuto da Família ou o projeto de lei do deputado Marco Feliciano,  batizado de Papai do Céu na Escola. O texto “prevê o ensino religioso sem citar nenhuma religião, apenas ensinar que temos um Criador bom, justo e que tudo vê”. O deputado, que é também pastor, diz que não poupará esforços para que ele “entre na pauta antes da Previdência”.

O idiota não vê a impossibilidade lógica de ensinar a possibilidade de existência de um ser sobrenatural ao mesmo tempo onisciente e onipotente. Se ele vê o futuro, não poderá mais o modificar, ou seja, deixa de ser onipotente

Nem todos os deputados apegados a causas conservadoras concordam com essa pressa dos colegas. Joice Hasselmann (PSL-SP), autproclamada “Bolsonaro de saias”, e Bia Kicis, que protocolou novo projeto do Escola Sem Partido na abertura do ano legislativo, estão no time dos pragmáticos fisiológicos: compreendem a temática econômica deve, sim, assumir o protagonismo.

Outro paradoxo desse “saco de gatos e gatunos” (PSL): uns se dizem ultraliberais, mas outros defendem a intervenção do Estado em assuntos privados! Acham ter o poder de com aprovação de um projeto de lei mudar os costumes sociais em retrocesso histórico! “A lei não pegará”, seja pela resistência cultural, seja pela desobediência civil!

PAUTAS CONSERVADORAS NO CONGRESSO

Escola Sem Partido
Cunhada do fundador do movimento que diz querer extirpar a doutrinação ideológica no colégio, Bia Kicis (PSL-DF) apresentou nova versão para o projeto arquivado no fim de 2018. O novo texto traz artigo que dá a alunos o direito de gravar as aulas, para que pais possam “avaliar a qualidade dos serviços prestados pela escola”. Na verdade, criará um geração de gente burra com dedos-duros! Professores serão chantageados para aprovar os delatores sem a necessidade deles estudarem…  Para eles, bastará ler a bíblia, não necessitam saber Ciência…

Estatuto do Nascituro
Queridinha de grupos contra o aborto, a proposta foi arquivada em 2007, mas reapresentada no mesmo ano e ainda tramita. A ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, já disse que ele é “o mais importante” dos “projetos interessantes” no Congresso: “Vamos estabelecer políticas públicas para o bebê na barriga da mãe nesta nação”. E contra a gravidez provocada pela violência do estupro? E a liberdade feminina de dispor do próprio corpo e decidir se tem ou não condições de criar uma criança?

Estatuto da Família
Outra pauta cara à bancada religiosa, reconhece como família, “base da sociedade, credora de especial proteção”, a união entre um homem e uma mulher”. Projeto contra o casamento formal entre homossexuais está pronto para ir a plenário. E o direito de herança para o(a) parceiro(a) solidário durante boa parte da vida? E os planos de saúde familiar para o casal homossexual?

Ideologia de gênero
Deputados querem aprovar textos que coíbam o que entendem como indevida abordagem de temas ligados a gênero em sala de aula. Para eles seria um ataque ao núcleo familiar. Ora, ora, a direita saiu do armário sem pudor por sua violenta burrice e homofobia, mas reprime quem saiu do armário sem vergonha de ser autêntico e exercer seu direito humano!

Paulo Saldaña (FSP, 11/02/19) publicou reportagem sobre o baixo nível acadêmico do atual ministro da Educação. Uma postagem no Twitter do então presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) na noite de 22 de novembro de 2018 tirou um professor colombiano radicado no Brasil desde a década de 1970 de um considerável anonimato. Até dias antes do anúncio, o próprio Ricardo Vélez Rodríguez, 75, jamais havia pensado que um dia seria ministro da Educação.
Nem político nem gestor, Vélez Rodriguez nunca participou de discussões sobre educação pública, apesar de ter considerável publicação de artigos e livros.

Teve carreira discreta na própria instituição onde atuou por quase 30 anos, a UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), segundo ex-colegas .

Já para parte dos apoiadores de Bolsonaro, chegou ao MEC um profundo conhecedor do que seria o “pensamento conservador brasileiro”, além de figura afinada com a agenda cultural do novo governo, como o combate à suposta predominância do marxismo nas escolas.

Também foi louvado por religiosos e conservadores que querem interditar discussões de gênero na escola por verem nisso uma ameaça à família e aos valores cristãos.

No MEC, Vélez Rodríguez cercou-se de ex-alunos (três dos seis secretários, grupo que ele chama de aluninhos), abrigou militares e tem buscado para si a posição de um “ministro pensador”. Entenda-se: omisso, incompetente, desrespeitado por todos os acadêmicos, inoperante, figura decorativa e oportunista para atrasar ainda mais a qualidade da Educação no País.

Na posse do cargo, exaltou a família, a igreja e valores tradicionais e disse que combateria o marxismo cultural na educação. Nos bastidores, ele tem articulado o tema.

Um pedido para que a equipe jurídica do ministério preparasse parecer para acabar com o CNE (Conselho Nacional de Educação) acabou não prosperando internamente.

O órgão, que analisa políticas educacionais importantes como alterações curriculares, é chamado pelos atuais ocupantes do MEC como “conselho soviético da educação”.

Persistem no ministério discussões sobre como interferir de modo mais ativo na composição do conselho. A indicação de religiosos foi aventada.

O desligamento, pouco antes da posse, do sociólogo Antonio Testa, que coordenava a transição no MEC e seria o secretário-executivo, causou incômodo entre os generais que apoiam o governo e de quem Testa é próximo.

Por outro lado, Vélez tem próximo a ele um grupo do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), instituição de excelência no ensino superior.

Nas únicas duas entrevistas que concedeu à imprensa profissional, o filósofo desgastou-se ao expor o que pensa.

Disse ao jornal Valor Econômico que não é possível haver universidade para todos. No Brasil, apenas 18% dos jovens têm ensino superior, índice inferior a países da América Latina.

Em declaração à revista Veja, ele disse que o brasileiro é um canibal que rouba aviões e hotéis. A entrevista o desgastou até dentro do governo.

O impacto negativo é reconhecido até por seus assessores. A ordem agora é evitar que o ministro se exponha até sair do cargo.

Também em sua posse, Vélez citou duas figuras importantes na sua biografia: o filósofo conservador e liberal Antonio Paim e o escritor Olavo de Carvalho.

O primeiro tem ligação com sua história no Brasil e com desenvolvimento de sua linha de pesquisa conservadora. O segundo, com a chegada de Vélez ao MEC.

A indicação de Vélez foi feita por Olavo aos filhos de Bolsonaro após recepção negativa da ala evangélica ao nome do educador Mozart Ramos, do Instituto Ayrton Senna.

A ligação entre Vélez e Olavo ocorreu recentemente, na esteira do crescimento da onda conservadora e da acensão do escritor como guru da direita.

O professor e filósofo mineiro José Carlos Rodrigues conhece o ministro desde os anos 1980. Diz nunca ter ouvido o nome de Olavo de Carvalho nas discussões acadêmicas. “Na universidade nunca se discutiu Olavo de Carvalho”, disse o docente aposentado.

Rodrigues afirmou ter sido pego de surpresa pela indicação, mas aposta que ele fica os quatro anos no MEC. Quem aposta?!

O argumento para justificar a incompetência acadêmica é repetido em algumas ocasiões pelo ministro: o fato de não ele ser de esquerda teria prejudicado a projeção de seu trabalho acadêmico.

Em artigos e declarações pelas redes sociais, Vélez demonstra seu conservadorismo, antipetismo e a convicção de que o espectro do comunismo ronda o Brasil. É favorável ao Escola sem Partido e faz criticas à imprensa.

O problema de sua mediocridade é a esquerda?! Confira sua carreira acadêmica abaixo, baseada em sua adesão ao Antonio Paim. Quem?!

Formado em filosofia pela Universidade Pontifícia Javeriana, da Colômbia, Vélez nasceu em Bogotá e chegou ao Brasil com uma bolsa de estudos para fazer um mestrado sobre a América Latina.

No Rio, se aproximou do baiano Antonio Paim, que seria seu orientador no mestrado, finalizado em 1974, e no doutorado. Paim foi quem o influenciou a estudar o pensamento filosófico brasileiro e não o da América Latina.

Seu livro “Castilhismo – Uma Filosofia da República”, resultado da dissertação de mestrado na PUC do Rio de Janeiro, é apontado como sua melhor obra. Em 2000, fez parte da coleção Brasil 500 Anos editada pelo Senado Federal.

A produção do estudo, que analisa o pensamento de Júlio de Castilhos, ex-governador do Rio Grande do Sul, o positivismo no Brasil e sua influência no país, foi o ponto de partida para toda sua carreira acadêmica no Brasil. Quando Paim montou o programa de pós-graduação sobre pensamento luso-brasileiro na Universidade Gama Filho, no Rio, Vélez o acompanhou e lá terminou doutorado.

Ele lecionou filosofia na Gama Filho, na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e em outras instituições pequenas. Já doutor, ingressou na federal de Juiz de Fora no início dos anos 1980.

Ex-colegas de curso indicam que, tanto na Gama Filho quanto no departamento de filosofia em Juiz de Fora, predominava um perfil de docentes liberais e conservadores. “O departamento era mais conservador, mas sempre houve um sentimento de muita tolerância”, disse o professor aposentado Antonio José Gabriel, que também é padre. “Não tiro o mérito do Ricardo, mas me surpreendeu a nomeação. Sempre foi muito discreto na universidade.”

Na federal, Vélez Rodríguez não participou ativamente da vida da universidade e chegou a recusar proposta para se dedicar exclusivamente à instituição. Também passou a colaborar como docente da Escola do Estado-Maior do Exército, de formação de oficiais. Entendeu?

Uma importante empreitada do agora ministro foi a criação de um programa de mestrado em Filosofia em 1994, na federal de Juiz de Fora, mas que acabou descredenciado pela Capes (órgão do MEC que avalia a pós-graduação) em 2000.

Após três visitas, os avaliadores não recomendaram o curso. Vélez atribui o fracasso a questões ideológicas. Com referenciais liberais e conservadores, o programa sofreu ao ser avaliado por uma estrutura dominada pela esquerda, ele avalia.

Essa visão é questionada por quatro docentes que atuavam na universidade à época, sendo dois ex-reitores. Para eles, que preferiram não se identificar, faltava qualidade mesmo.

Em 2009, o CNE validou o diploma dos 47 titulados no programa ao longo dos anos. Depois da aposentadoria em 2013, o professor voltou a Londrina, onde já havia morado, e passou a dar aulas na pequena faculdade Arthur Thomaz.

A unidade foi comprada pelo grupo Positivo. Segundo o reitor, José Pio Martins, o ministro preferiu se desligar da instituição após ser anunciado como ministro.

“Brilhante carreira”, não? 🙂

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