Mais de Quatro Décadas à Procura de uma Teoria Integral de Tudo: Uma Retrospectiva Autobiográfica

A Ciência e o Campo Akáshico é o produto de mais de quatro décadas de procura por significado no âmbito da ciência” afirma Ervin Laszlo no último capítulo de seu livro “A Ciência e o Campo Akáshico: Uma teoria integral de tudo”.

Seu interesse permanente é o de encontrar uma resposta para perguntas como, por exemplo: “Qual é a natureza do mundo?” e “Qual é o significado da minha vida no mundo?” São questões tipicamente filosóficas — embora a maioria dos filósofos acadêmicos da atualidade prefira encaminhá-las a teólogos e poetas —, mas ele não procurou respondê-las por meio da filosofia teórica ou da religião, mas através da Ciência.

Ervin Laszlo era um bem-sucedido pianista de concertos, nunca se matriculou para obter um grau acadêmico, para o qual ele não reconhecia nenhum uso concebível.

Em 1959, depois do nascimento de seu primeiro filho, virou uma nova página: ele se propus a empreender, com propósito e empenho, leituras e pesquisas sistemáticas. O que era, até então, um hobby favorito, tornou-se uma busca metódica.

Começou com os fundamentos da Ciência no pensamento grego clássico e daí ele se voltou para os fundadores da Ciência Moderna antes de chegar à Ciência Contemporânea. Ele não estava interessado nem nos detalhes técnicos, difíceis no treinamento dos profissionais de ciência — técnicas de pesquisa, observação e experimentação —, nem em controvérsias a respeito de delicados aspectos metodológicos ou históricos.

Eu queria ir direto ao âmago da questão: descobrir o que uma determinada ciência poderia lhe dizer a respeito do segmento da natureza investigado por ela. Isso exigia muito trabalho preparatório. As descobertas eram inesperadamente escassas, e consistiam em alguns conceitos e enunciados, normalmente apresentados no final de longos tratados matemáticos e metodológicos.

No decorrer da década de 1960, aprendeu a fazer a sua peneiração rápida e eficientemente, cobrindo uma boa porção de terreno. O significado de algo semi-enterrado em determinados campos, ele anotava e tentava relacioná-lo com o descoberto em outros campos. Ele não pretendia escrever um tratado ou criar uma nova teoria. Ele apenas queria entender o que é o mundo e o que é a vida— sua vida e a vida em geral.

Suas notas foram publicadas em “Essential Society: An Ontological Reconstruction (A Sociedade Essencial: Uma Reconstrução Ontológica), no ano de 1963. A experiência reforçou sua determinação em prosseguir com sua busca.

Escreveu outro livro, menos teórico, pouco depois do primeiro [Individualism, Collectivism, and Political Power (Individualismo, Coletivismo e Poder Político), 1963] e alguns anos mais tarde publicou outro tratado filosófico [Beyond Scepticism and Realism (Além do Ceticismo e do Realismo), 1966]. O período quando ele combinava redação e pesquisa com sua atividade como concertista chegou ao fim quando, em 1966, recebeu um convite do Departamento de Filosofia da Universidade de Yale para passar lá um semestre como fellow visitante. Aceitar esse convite foi uma decisão importante, pois significou trocar o palco de concerto pela vida de um acadêmico.

A decisão de ir a Yale — depois levou à sua nomeação como professor em várias universidades norte-americanas e, em 1969, a um Ph.D. na Sorbonne, em Paris — lhe proporcionou a oportunidade de continuar sua procura em tempo integral. Embora, em qualquer universidade estabelecida, haja uma pressão considerável para os professores se restringirem ao território estreitamente definido dos campos onde trabalham, ele nunca vacilou em sua convicção de haver significado a ser descoberto no mundo em seu todo. A melhor maneira de descobri-lo consiste em indagar sobre as teorias apresentadas por cientistas importantes em todos os campos pertinentes, e não apenas aquelas pertencentes à área de especialização onde se trabalha.

Logo percebeu ele precisar como ponto de partida duas alternativas básicas.

  1. Uma delas consistia em começar com o fluxo da experiência consciente da própria pessoa e descobrir que tipo de mundo ela poderia derivar logicamente dessa experiência.
  2. A outra consistia em reunir todas as informações possível de obter a respeito do mundo em seu todo, e então verificar se a pessoa podia responder por sua própria experiência enquanto experiência desse mundo.

A primeira é o método das escolas empíricas da filosofia anglo-saxônica. Desse ramo da Filosofia Ocidental toma Descartes como exemplo.

A segunda é o método da metafísica naturalista e da filosofia baseada na ciência.

Estudou essas escolas, dedicando atenção especial a Bertrand Russell e Alfred Ayer entre os filósofos britânicos, Edmund Husserl e os fenomenologistas das escolas continentais, e Henri Bergson e Alfred North Whitehead entre os filósofos processuais naturalistas. Concluiu: nem a análise formal da experiência nem o método introspectivo dos fenomenologistas levam a um conceito significativo do mundo real.

Essas escolas, em última análise, ficam atoladas naquilo chamado pelos filósofos de “apuro egocêntrico”. Quanto mais sistematicamente investigamos nossa própria experiência imediata, menos fácil é ir além dela, dirigindo-nos ao mundo ao qual essa experiência presumivelmente se refere. Somos logicamente obrigados a dar o salto inicial de aceitar a existência objetiva do mundo externo, e em seguida criar o esquema à luz do qual nossa experiência faz sentido enquanto experiência humana desse mundo.

Em Beyond Scepticism and Realism, contrastou a abordagem “inferencial”, partindo da própria experiência do indivíduo, com o método alternativo, “hipotético-dedutivo”, examinando a natureza do mundo e explorando como nossas observações concordam com ele.

Concluiu, idealmente, a sobreposição entre essas abordagens distintas e, às vezes, aparentemente contraditórias é o que oferece a informação mais confiável sobre a verdadeira natureza do mundo.

Começou a explorar a abordagem hipotético-dedutiva. Einstein enunciou a principal premissa da abordagem naturalista. “Estamos procurando”, disse ele, “o esquema de pensamento mais simples possível que ligará entre si os fatos observados”.

Compreendeu o esquema mais simples possível não poder ser inferido de observações: como disse Einstein, ele precisa ser examinado imaginativamente. É preciso procurar e codificar as observações importantes, mas não se pode parar aí. Embora a pesquisa empírica seja necessária, a tarefa criativa de se reunir os dados resultantes de maneira que eles façam sentido como elementos significativos de um sistema coerente não pode ser negligenciada. É o principal desafio com o qual se defronta a mente inquiridora.

A tentativa de “criar o esquema de pensamento mais simples possível capaz de ligar entre si os fatos observados” (e por “fatos observados” ele entendeu todos os fatos necessários para o mundo fazer sentido) definiu sua agenda intelectual durante as quatro décadas seguintes.

O primeiro esquema considerado tinha por base a metafísica orgânica. Nessa concepção da década de 1920, o mundo e todas as coisas dele são “entidades reais” e “sociedades de entidades reais” integradas e interagentes. A realidade é fundamentalmente orgânica. Assim, os organismos vivos são apenas uma variedade da unidade orgânica emergente nos domínios da natureza.

Suas leituras subsequentes em Cosmologia e Biologia confirmaram a solidez dessa suposição. A vida, e o cosmos como um todo, evoluem como entidades integradas dentro de uma rede de constantes interações formativas. Cada coisa não apenas “é”, mas também “vem a ser”. A realidade é processo, e, por sinal, um processo evolutivo integrativo.

A pergunta feita foi como ele poderia identificar as entidades evolutivas no mundo de tal maneira elas fazerem sentido como elementos de um universo organicamente integral. Na área da “Teoria Geral dos Sistemas”, estava tentando integrar o campo da Biologia em um esquema global de modo a se prestar a integrações posteriores com outros domínios da Ciência Natural, e até mesmo com as Ciências Humanas e Sociais.

Seu conceito-chave era o de “sistema”, concebido como uma entidade básica no mundo. Os sistemas, ele argumentou, aparecem sob formas semelhantes (são “isomorfos”) na natureza física, na natureza viva e também no mundo humano. Isso foi extremamente útil, pois forneceu a ferramenta conceitual que ele estava procurando. Desenvolveu o conceito daquilo chamado de “Filosofia Sistêmica”.

O livro Introduction to Systems Philosophy(Introdução à Filosofia Sistêmica), 1972, foi uma obra resultante de uma meticulosa pesquisa — demorou cinco anos para ser escrito — e quando foi publicado tentou por algum tempo descansar sobre os louros do reconhecimento externo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s