Seu Dinheiro e Seu Cérebro

Benjamin Graham, no livro “O Investidor Inteligente”, pergunta: por que os investidores acham o Sr. Mercado tão sedutor?

Nossos cérebros são estruturados para nos trazer problemas no mercado de capitais porque os humanos são animais a procura de padrões. Se você apresentar às pessoas uma sequência aleatória e lhes disser ela ser imprevisível, mesmo assim elas insistirão em tentar adivinhar o próximo número.

Pesquisas novas e pioneiras no campo da Neurociência mostram: nosso cérebro é projetado para encontrar padrões mesmo onde eles possam não existir. Após a ocorrência de um evento, apenas duas ou três vezes seguidas, regiões do cérebro humano chamadas de cingulado anterior e nucleus accumbens automaticamente antecipam a possibilidade de aquilo acontecer novamente.

Se o evento se repetir, uma substância química chamada dopamina é liberada, inundando seu cérebro com uma euforia suave. Portanto, se uma ação sobe algumas vezes seguidas, você espera automaticamente ela continuar a subir, e sua química cerebral mudará enquanto a ação sobe, dando-lhe uma “euforia natural”. Você efetivamente acaba de se viciar em suas próprias previsões.

Porém, quando as ações caem, aquela perda financeira estimula sua amígdala, a parte do cérebro processadora do medo e da ansiedade. Gera a famosa resposta “lutar ou fugir“, comum a todos os animais encurralados. Assim como você não pode evitar seu batimento cardíaco subir se um alarme de incêndio soar, você não conseguirá evitar sentir medo quando os preços das ações estiverem despencando.

De fato, os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky, teóricos das Finanças Comportamentais, mostraram a intensidade da dor de uma perda financeira ser mais de duas vezes superior ao prazer de um ganho equivalente. Ganhar US$1.000 com uma ação é ótimo, mas uma perda de US$1.000 exerce um golpe emocional duas vezes mais poderoso. Perder dinheiro é tão doloroso a ponto de muitas pessoas, aterrorizadas com a perspectiva de qualquer perda adicional, venderem tudo no preço mínimo ou se recusarem a comprar mais.

Isso ajuda a explicar por que nos fixamos na magnitude absoluta de uma queda de mercado e esquecemos de colocar a perda em sua devida proporção. Portanto, se um repórter de TV grita “O Mercado está despencando — o Dow caiu 100 pontos!”, a maioria das pessoas instintivamente fica apavorada. Porém, no nível do Dow de 8.000 pontos, essa é uma queda de apenas 1,2%.

Agora, pense como soaria ridículo se, em um dia em que a temperatura lá fora fosse de 26,3 graus, o meteorologista da TV gritasse “A temperatura está despencando, caiu de 26,3 graus para 26 graus!”. Essa também é uma queda de 1,2%. Quando você esquece de ver as mudanças dos preços de mercado em termos percentuais, é fácil demais entrar em pânico por causa de vibrações pequenas.

No auge de uma alta da bolsa de valores, muitas pessoas se sentem desinformadas se não verificam os preços de suas ações várias vezes por dia. No entanto, como Graham diz, o típico investidor “estaria melhor se suas ações não tivessem qualquer cotação de mercado, pois ele seria então poupado da angústia mental causada pelos erros de avaliação de outras pessoas”.

Ao longo de um horizonte de investimento de dez, vinte ou trinta anos, o sobe-e-desce diário do Sr. Mercado simplesmente não importa. De qualquer forma, para qualquer um com estratégia de investir por anos até a aposentadoria, a queda dos preços de ações é uma notícia boa e não má, porque ela lhe capacita a comprar mais com menos dinheiro.

Quanto mais e por mais tempo as ações caem, e quanto mais constante você mantiver suas compras à medida de suas quedas, mais dinheiro ganhará se permanecer inabalável até o fim. Em vez de temer um mercado de baixa, você deveria abraçá-lo. O investidor inteligente deveria se sentir perfeitamente à vontade na posse de uma ação ou de um fundo mútuo mesmo se o mercado acionário parasse de fornecer preços diários durante os próximos dez anos.

Paradoxalmente, “você terá muito mais controle”, explica o neurocientista Antonio Damasio, “se você perceber quanto não está no controle”. Ao reconhecer sua tendência biológica de comprar na alta e vender na baixa, você pode admitir a necessidade de usar o método do custo médio em dólares, reequilibrar e assinar o contrato do investidor.

Ao colocar grande parte de sua carteira em regime permanente de piloto automático, você pode:

  1. lutar contra o vício da antecipação do mercado,
  2. focar em seus objetivos financeiros de longo prazo e
  3. ignorar as oscilações de humor do Sr. Mercado.

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