O progressista de ontem e o do amanhã: desafios da democracia liberal no mundo pós-políticas identitárias

Mark Lilla escreveu o livro “O progressista de ontem e o do amanhã: desafios da democracia liberal no mundo pós-políticas identitárias”, cujo título original é The Once and Future Liberal: After Identity Politics (tradução Berilo Vargas. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018). Veio ao Brasil para o lançamento e concedeu entrevista ao Roda Viva na TV Cultura de São Paulo (veja acima).

Sua epígrafe é uma pertinente citação do Senador Edward M. Kennedy, dita em 1985: “Precisamos entender que há uma diferença entre ser um partido que se preocupa com o trabalho e ser um partido trabalhista. Há uma diferença entre ser um partido que se preocupa com as mulheres e ser um partido feminista. E podemos e devemos ser um partido que se preocupa com as minorias sem se tornar um partido das minorias. Em primeiro lugar, somos cidadãos”.

Em sua Introdução, intitulada Abdicação, Lilla comenta sobre a pendular alternância de poder entre liberais (Partido Democrata) e conservadores (Partido Republicano) nos Estados Unidos. “Quem dera a política americana fosse tão simples: perder terreno, conquistar terreno. Nós, liberais americanos, já brincamos disso antes e ganhamos algumas vezes. Tivemos presidentes democratas em quatro dos dez mandatos que se seguiram à eleição de Ronald Reagan em 1980, e houve significativas vitórias políticas durante os governos de Bill Clinton e Barack Obama. Mas basta perfurar a superfície das eleições presidenciais, que parecem seguir seu próprio ritmo histórico, para que as coisas logo comecem a ficar obscuras”.

Clinton e Obama foram eleitos e depois reeleitos com mensagens repletas de esperança e mudança. Mas sofreram bloqueios em quase cada curva do caminho por republicanos autoconfiantes no Congresso, por uma Suprema Corte de tendência direitista e um número cada vez maior de governos estaduais em mãos republicanas. As vitórias eleitorais desses presidentes nada fizeram para conter ou sequer desacelerar o aceno da opinião pública americana à direita.

Na verdade, graças em grande parte ao descarado e influentíssimo complexo midiático de direita, quanto mais tempo ficavam no cargo, maior era o desprezo do público pelo liberalismo como doutrina política. E agora nos deparamos com sites populistas de extrema direita que misturam meias verdades, mentiras, teorias da conspiração e invencionices em um caldo tóxico engolido com vontade pelos crédulos, pelos indignados e pelos perigosos.

Os liberais se tornaram o “terceiro partido” ideológico dos Estados Unidos, na retaguarda dos que se autoproclamam independentes e conservadores, mesmo entre eleitores jovens e certos grupos minoritários. Sem nenhuma dúvida fomos completamente repudiados. A figura de Donald Trump em si não é, para falar a verdade, a maior das nossas preocupações. E se não olharmos para além dele, haverá pouca esperança para nós.

O liberalismo [esquerdismo] americano no século XXI está em crise:

  1. uma crise de imaginação e ambição da nossa parte,
  2. uma crise de adesão e confiança da parte do grande público.

A maioria dos americanos deixou muito claro: já não responde às mensagens que estivemos transmitindo nas últimas décadas. E, mesmo quando votam em nossos candidatos, são cada vez mais hostis à nossa maneira de:

  1. falar e escrever (especialmente a respeito deles),
  2. argumentar,
  3. fazer campanha,
  4. governar.

A famosa observação de Abraham Lincoln é mais uma vez oportuna: “O sentimento público é tudo. Com ele, nada fracassa; contra ele, nada dá resultado. Quem molda o sentimento público vai mais fundo do que quem promulga leis ou profere decisões judiciais”.

A direita americana entende intuitivamente essa lei básica de política democrática, razão pela qual de fato controlou a agenda política dos Estados Unidos por duas gerações. E por duas gerações os liberais têm se recusado a aceitá-la. “Preferem não o fazer”. A pergunta é: por quê? Por que aqueles que alegam falar em nome do povo americano se negam a despertar seus sentimentos e conquistar a sua confiança? Essa é a questão que Mark Lilla gostaria de explorar.

Ele escreve na condição de liberal americano frustrado. Sua frustração não está ligada aos eleitores de Trump, nem àqueles que explicitamente apoiaram a ascensão desse demagogo populista, àqueles que na imprensa azeitaram as engrenagens de sua campanha, ou aos medrosos washingtonianos que deixaram de resistir. Outros hão de cuidar dessa gente.

Sua frustração tem origem em uma ideologia perniciosa à campanha eleitoral para conquistar a maioria. Ela, há décadas, impede os liberais desenvolverem uma visão ambiciosa dos Estados Unidos e seu futuro capaz de inspirar cidadãos de todas as classes sociais em todas as regiões do país.

É necessário apresentar uma visão a respeito do modo de vida norte-americano, capaz de orientar o Partido Democrata e o ajudar a ganhar eleições e a ocupar as instituições políticas no longo prazo, para realizar as mudanças desejadas e de necessárias para os Estados Unidos.

Os liberais trazem muitas coisas para as disputas eleitorais: valores, compromisso, propostas políticas. O que não trazem é uma imagem de como nossa vida comum poderia ser, o que a direita americana tem fornecido desde a eleição de Ronald Reagan. E é essa imagem — não o dinheiro, a propaganda enganosa, o alarmismo ou o racismo — que tem sido a fonte primordial de sua força. Os liberais abdicaram da disputa pelo imaginário americano.

O livro “O progressista de hoje e o do amanhã” é a história dessa abdicação. Sua tese pode ser resumida em poucas palavras. A ideia de Mark Lilla é: a história da política americana no último século pode com proveito ser dividida em duas “dispensações”, para invocar um termo da teologia cristã.

  • A primeira, a Dispensação Roosevelt, estendeu-se da era do New Deal à era do movimento dos direitos civis e à Grande Sociedade nos anos 1960, até se exaurir nos anos 1970.
  • A segunda, a Dispensação Reagan, teve início em 1980 e está sendo agora concluída por um populista oportunista e inescrupuloso.

Cada dispensação trouxe consigo:

  1. uma imagem inspiradora do destino dos Estados Unidos e
  2. um catecismo próprio de doutrinas que estabeleceu os termos do debate político.

A Dispensação Roosevelt apresentava uma América onde cidadãos se envolviam num empreendimento político para se protegerem mutuamente de riscos, de dificuldades e de ataques a direitos fundamentais. Suas palavras de ordem eram solidariedade, oportunidade e dever público.

A Dispensação Reagan apresentava uma América mais individualista, onde famílias e pequenas comunidades e empresas prosperariam quando estivessem livres dos grilhões do Estado. Suas palavras de ordem eram autoconfiança e governo mínimo.

A primeira dispensação era política. A segunda, antipolítica.

A grande abdicação liberal começou na era Reagan. Com o fim da Dispensação Roosevelt e o surgimento de uma direita unificada e ambiciosa, os liberais americanos se viram diante de um sério desafio: desenvolver uma nova visão política do destino do país, adaptada às novas realidades da sociedade americana e aprendendo com os fracassos de velhas atitudes. Isso os liberais não souberam fazer.

Envolveram-se na política identitária, perdendo o sentido de:

  1. o que compartilhamos como cidadãos e
  2. o que nos une como nação.

Uma imagem do liberalismo de Roosevelt e dos sindicatos apoiadores era a de um aperto de mãos. Uma imagem recorrente do liberalismo identitário é a de um prisma que reflete um único raio de luz, produzindo um arco-íris. Isso diz tudo.

A política identitária certamente não representa nada de novo na direita americana. O mais impressionante durante a Dispensação Reagan foi o desenvolvimento da sua versão de esquerda. Pior, ela acabou se tornando a doutrina seguida por duas gerações de políticos, professores, jornalistas, militantes liberais e filiados ao Partido Democrata.

Não foi um acidente histórico. O fascínio (e em seguida a obsessão) pela identidade não desafiava o princípio fundamental do reaganismo, o individualismo! Ele o reforçava!

A política identitária da esquerda se tratava, a princípio, de grandes grupos de pessoas: afro-americanos e mulheres. Todos buscavam reparar grandes erros históricos se mobilizando e se valendo das instituições políticas norte-americanas para assegurar seus direitos.

Mas, nos anos 1980, essa política cedera lugar a uma pseudopolítica de autoestima e de autodefinição cada vez mais estreita e excludente, hoje cultivada nas faculdades e universidades. Seu principal resultado foi fazer os jovens se voltarem para a própria interioridade em vez de se abrirem para o mundo exterior. Isso os deixou despreparados para pensar no bem comum e no que deve ser feito, na prática, para assegurá-lo — especialmente a difícil e nada glamorosa tarefa de persuadir pessoas muito diferentes de si a participarem de um esforço comum. Todo progresso da consciência identitária liberal tem sido marcado por um retrocesso da consciência política liberal, sem a qual nenhuma visão do futuro americano pode ser imaginada.

Por isso não é de surpreender hoje o termo liberalismo deixar tantos americanos indiferentes, quando não hostis. Ele é visto, com alguma justiça, como uma doutrina professada basicamente pelas elites urbanas instruídas, sem contato com o resto do país. A crítica é elas verem os problemas atuais sobretudo através das lentes da identidade, cujos esforços se resumem em zelar e alimentar movimentos hipersensíveis. Eles dissipam em vez de concentrar as energias do que resta da esquerda.

Ao contrário do que dirão os defensores de centro ideológico em eleições, o motivo de os democratas estarem perdendo terreno não é terem pendido demais para a esquerda. Nem, como os progressistas já afirmam, terem se inclinado demais para a direita, especialmente em questões econômicas. Estão perdendo porque se retiraram para as causas individualistas particulares de minorias. E elas pouco dizem a respeito dos interesses coletivos da maioria do eleitorado.

Não há prova mais clara dessa retirada do que o site do Partido Democrata. No momento em que escrevo, a página do Partido Republicano exibe com destaque um documento intitulado “Princípios para a renovação americana”, uma declaração de posições sobre distintas e abrangentes questões políticas. A lista começa com a Constituição (“Nossa Constituição deve ser preservada, apreciada e respeitada”) e termina com imigração (“Precisamos de um sistema de imigração que proteja nossas fronteiras, resguarde a lei e impulsione nossa economia”).

Não há documentos como esse no site do Partido Democrata. Em vez disso, quando descemos até o fim da página, encontramos uma lista de links intitulada “Povo”. E cada link leva a uma página concebida para atrair um grupo e uma identidade distintos: mulheres, hispânicos, “americanos étnicos”, a comunidade LGBT, indígenas, afro-americanos, asiático-americanos, ilhéus do Pacífico… Há dezessete grupos e dezessete mensagens distintas. Você pode até pensar que foi parar por engano na página da ONU — e não na de um partido com uma visão do futuro dos Estados Unidos.

O nacionalismo consiste em uma ideologia e movimento político, baseados na consciência da nação. Eles exprimem a crença na existência de certas características comuns em uma comunidade, nacional ou supranacional, e o desejo de modelá-las politicamente. Já o internacionalismo é uma ideologia ou doutrina política cujos preceitos se pautam na cooperação entre as nações. A posição da pessoa pregadora dessa ideologia e/ou doutrina ficou muito estereotipada por preconizar a associação internacional dos trabalhadores (proletariado) nas Internacionais Comunistas.

A Internacional Comunista (do inglês Communist International veio a sigla Comintern ou Komintern do alemão Kommunistische Internationale) é também conhecida como Terceira Internacional (1919-1943). Foi uma organização internacional fundada por Vladimir Lenin e pelo PCUS (bolchevique), em março de 1919, para reunir os partidos comunistas de diferentes países.

A Quarta Internacional (QI) é uma organização comunista internacional composta por seguidores de Leon Trotsky (trotskistas), com o objetivo declarado de ajudar a classe trabalhadora a alcançar o socialismo. Historicamente, a Quarta Internacional foi fundada na França em 1938, onde Trotsky e seus seguidores, após terem sido expulsos da União Soviética, consideraram a Comintern ou Terceira Internacional como “perdida para o stalinismo” e incapaz de levar a classe trabalhadora internacional ao poder político. Assim sendo, os trotskistas fundaram sua própria Internacional Comunista.

Mas provavelmente a acusação mais danosa realizada contra o liberalismo identitário é ele deixar os grupos, em cuja defesa alega batalhar e proteger, ainda mais vulneráveis do que de hábito. Há um bom motivo para os liberais darem atenção especial às minorias, sendo mais fácil desprovê-las de direitos civis. Mas, em uma democracia eleitoral, a única maneira de defendê-las a sério — e não fazer apenas gestos vazios de reconhecimento e “celebração” — é ganhar eleições e exercer o poder no longo prazo, em todos os níveis de governo. E o único jeito de conseguir isso é ter uma mensagem com apelo para o maior número possível de pessoas e assim uni-las. O liberalismo identitário faz exatamente o oposto.

Essa orientação equivocada tem consequências no mundo real. Uma coisa é garantir, em nível nacional, o direito constitucional ao aborto. Outra, bem diferente, é garantir barreiras espúrias para praticar um aborto não serem construídas em níveis estadual e local.

O mesmo vale para direitos eleitorais e outras questões. Se, por exemplo, quisermos proteger motoristas negros de abusos policiais ou casais gays de assédio na rua, precisamos de promotores de justiça dispostos a denunciar tais casos e juízes estaduais dispostos a aplicar a lei. E o único jeito de garantir isso é eleger governadores e legisladores estaduais liberais-democratas capazes de fazerem as nomeações.

Mas nem sequer estamos na disputa. Os republicanos convenceram a maior parte do público de:

  1. eles são o partido da plebe de trabalhadores braçais e
  2. os democratas são o partido das executivas alienadas e bem de vida.

O resultado é hoje algumas regiões do país estarem dominadas tão completamente pela direita radical republicana de modo a, ali, certas leis federais e até proteções constitucionais são, do ponto de vista prático, letra morta. Se os liberais identitários pensassem politicamente, e não pseudo-politicamente, estariam concentrados em reverter esse quadro em nível local, e não em organizar mais uma marcha em Washington ou redigir mais uma petição.

O paradoxo do liberalismo identitário é ele paralisar a capacidade de pensar e agir da maneira adequada para conseguir o que se diz querer. Vive hipnotizado por simbolismos:

  1. conquistar uma diversidade superficial nas organizações,
  2. recontar a história de modo a deslocar o foco para grupos marginais e não raro minúsculos,
  3. inventar eufemismos inócuos para descrever realidades sociais,
  4. proteger os olhos e os ouvidos de adolescentes acostumados a filmes de terror contra qualquer encontro perturbador com pontos de vista alternativos.

O liberalismo identitário deixou de ser um projeto político e se metamorfoseou num projeto de evangelização. A diferença é a seguinte:

  1. evangelizar é dizer verdades ao poder;
  2. fazer política é conquistar o poder para defender a verdade.

Não pode haver política liberal sem uma consciência de coletividade. Isso implica em apresentar um projeto ao imaginário social predominante:

  1. o que nós queremos ser como cidadãos e
  2. o que cada um de nós deve ao outro.

Se os liberais esperam algum dia recapturar o imaginário dos Estados Unidos e se tornar uma força dominante em todo o país, não bastará serem melhores em relação aos republicanos em inflar o ego do mítico trabalhador braçal. Eles deverão oferecer uma visão do nosso destino nacional, baseada em um projeto capaz de fazer todos os americanos, de qualquer condição, de fato, compartilharem.

Essa coisa se chama cidadania. Precisamos reaprender a falar aos cidadãos como cidadãos e a formular nossos apelos — mesmo quando destinados a beneficiar grupos específicos — com princípios capazes de fazer qualquer um possa proclamar. Nosso liberalismo deve se tornar um liberalismo cívico.

Um sinal do quanto nosso discurso político está poluído é qualquer menção ao termo cidadão levar as pessoas a pensar na demagogia hipócrita e racista. Ela, nos dias atuais, se traveste em “debate” sobre imigração e refugiados. Mark Lilla não discute esses assuntos neste livro. O que ele tem a dizer sobre cidadania nada tem a ver com:

  1. quem deveria receber a cidadania ou
  2. o tratamento que deve ser dispensado aos não cidadãos.

Isso não significa uma retomada do New Deal. Os liberais do amanhã jamais serão como os liberais de outrora: muita coisa mudou. Mas significa sim o feitiço da política identitária, adotado por duas gerações, precisa ser quebrado para podermos nos concentrar naquilo que compartilhamos como cidadãos.

Lilla espera convencer meus companheiros liberais de esquerda: seu jeito atual de olhar o país, de falar com ele, de ensinar os jovens e de se envolver no fazer político tem sido equivocado e contraproducente. Sua abdicação precisa acabar e uma nova atitude precisa ser adotada.

A verdade amarga, mas alentadora, é: em meio século nunca houve oportunidade melhor para os liberais começarem a recuperar o país. Os republicanos estão confusos e intelectualmente falidos desde a eleição de Trump.

A maioria dos americanos agora reconhece: a “cidade brilhante no alto da colina”, colocada no imaginário social norte-americano por Reagan, transformou-se em vilarejos desindustrializados com lojas sucateadas e fábricas abandonadas tomadas pelo mato, em cidades cuja água é insalubre e as armas estão por toda parte, onde famílias de todo o país vivem de bicos recebendo apenas o salário-mínimo e não oferecem plano de saúde. Trata-se de uma América na qual eleitores democratas, independentes e até republicanos se sentem abandonados pelo país. Todos eles querem “a América voltar a ser a América de antes”.

Mas não existe antes em política, só o depois. E não há razão para o futuro americano não ser liberal. Nossa mensagem pode e deve ser simples: somos uma república, não um acampamento. Cidadãos não são danos colaterais. Não são a cauda da distribuição. Um cidadão, só em virtude de ser cidadão, é um de nós.

No passado, permanecemos unidos para defender o país contra adversários estrangeiros. Agora, precisamos permanecer unidos internamente para ter certeza de nenhum de nós correr o risco de ser deixado para trás. Somos todos americanos e devemos isso uns aos outros. É isso o significado do liberalismo de esquerda nos Estados Unidos.

Na visão democrata, tem direitos da cidadania quem cumpre o dever dos cidadãos de pagar impostos. É o contrário da proposta republicana de cortar impostos a serem pagos por ricos.

O liberalismo americano tem uma reputação de, como diz o ditado, “jamais perder uma oportunidade de perder uma oportunidade”. Lilla espera essa profecia doravante não se cumprir. A eleição de Donald Trump liberou reservas de energia represadas cuja descoberta pareceu surpreender até os próprios liberais e progressistas.

Uma onda popular da esquerda se levantou para resistir a uma onda populista da direita, o que nos traz algum ânimo. Mas “resistência” não será suficiente. Como estratégia de curto prazo, devemos dirigir cada partícula dessa energia para a política eleitoral, a fim de podermos de fato promover a mudança que alegamos buscar.

Nossa ambição de longo prazo deve ser desenvolver uma visão da América surgida, autenticamente, de nossos valores liberais e, contudo, fale a cada cidadão, na qualidade de cidadão. Isso exigirá uma reorientação do nosso jeito de pensar e agir, mas acima de tudo significará deixar para trás a Era da Identidade. É hora — já passou da hora — de cair na real.

Fernando Nogueira da Costa: em suma, o liberalismo norte-americano chegou ao limite do individualismo de esquerda.

Leia o próximo post a respeito do Liberalismo Clássico de Esquerda. É o adotado pelos norte-americanos do Partido Democrata.

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