Day Trade + Market Timing = Jogo de Adivinhação

Market timing é um tipo de estratégia comum para se investir em ações. Muitos fundos de investimento, por exemplo, utilizam esta estratégia.

O conceito de market timing é o ato de tentar comprar ativos na baixa e vender na alta. Ele consiste em uma análise dos investidores com o objetivo de prever os passos de O Mercado divino — e obter lucro com esta análise.

Quando bem sucedida, esta uma estratégia capaz de ser bastante lucrativa. No entanto, esta não é uma tarefa fácil, portanto, raramente bem sucedida. Assim, investidores profissionais, como gestores de fundos de investimentos em ações, costumam errar em suas estratégias de market timing.

Tipicamente o market timing se utiliza do cenário de todo o mercado para prever as tendências. Esta estratégia não costuma focar em um ativo específico, mas sim no movimento do mercado como um todo.

Álvaro Campos (Valor, 08/03/19) noticia: com cada vez mais consultorias prometendo ganhos substanciais para pessoas físicas operando na bolsa – o que levou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a emitir um ofício orientando casas de análise a evitar expressões como “renda certa” -, uma dupla de pesquisadores da FGV realizou um estudo de modo a mostrar ser quase impossível viver de “day trade”, operação onde o investidor compra e vende o ativo no mesmo dia, visando lucro em curtíssimo prazo.

A pesquisa de Fernando Chague e Bruno Giovannetti foi encomendada pela própria CVM e analisou dados de 2012 a 2017. Nesse período, eles selecionaram um universo de 19.696 pessoas a operar com “day trade“. Dessas, apenas 1.558 (7,9%) persistiram por mais de 300 pregões, ou seja, buscaram de fato ter uma fonte de renda constante com essa atividade.

O prejuízo acumulado por esse grupo foi de R$ 68,4 milhões, ou R$ 35,90 por dia para o investidor mediano. Alguns, no entanto, chegaram a perder mais de R$ 1 mil por dia.

Entre os que persistiram, 91% tiveram prejuízo, isso sem considerar o custo de corretagem e despesas com plataformas de negociação e eventuais cursos. São considerados apenas os emolumentos e taxa de registro variável cobrada pela B3. Desses, apenas 13 pessoas (0,8%) tiveram lucro médio diário acima de R$ 300.

Há fortes evidências de que não faz sentido, ao menos econômico, tentar viver de “day trading“. Os dados indicam a chance de obter uma renda significativa ser remota para as pessoas persistentes nessa atividade de adivinhação. Por outro lado, a chance de se obter prejuízo é muito elevada.

A pesquisa também busca rebater um conceito difundido por muitas consultorias: nas operações com “day trade“, há uma curva de aprendizagem de aproximadamente um ano. Passado esse período, as chances de sucesso aumentariam.

Para isso, os pesquisadores excluíram os primeiros 250 pregões dos investidores, mas os resultados não mudaram muito. Ainda assim, 88% tiveram prejuízo e novamente menos de 1% teve lucro diário acima de R$ 300.

Usando regressão, os pesquisadores observaram: na verdade, o desempenho do “day trader” tende a piorar com o tempo. Uma possível explicação é à medida da perda acumulada do ‘day trader‘ ir aumentando, ele vai tomando decisões cada vez mais equivocadas.

O estudo mostra ser muito difícil para uma pessoa física ter sucesso no day trade, ainda mais considerando ser esse um mercado com grandes operadores, investidores institucionais com muitos recursos e tecnologia. Esse é um jogo de soma zero. Para alguém ganhar, alguém tem de perder.

O valor médio de R$ 300 por dia usado no estudo como referência é mais ou menos o que o motorista de um aplicativo de transporte particular (tipo Ubber) consegue ganhar. De quase 20 mil pessoas que tentaram fazer ‘day trade‘, apenas 13 conseguiram uma renda semelhante. Isso significa que, se você quer ganhar esse volume de dinheiro, é muito melhor ir dirigir para esses aplicativos porque o risco é muito menor.

O pesquisador da FGV ressalta, no entanto, a pesquisa ter foco em “day trade“, o que é muito diferente de alguém que investe em ações no longo prazo, montando um portfólio diversificado. “Se você investe em ações pensando no longo prazo, na aposentadoria, vale muito a pena. Porém, isso é completamente diferente de entrar na bolsa todo dia para comprar e vender.”

O estudo também não considera ganhos com dividendos. No “day trade” o investidor não mantém a ação na sua carteira, então, não tem direito a esse benefício. Outro ponto não levado em conta pelo especulador é o imposto incidente sobre esse tipo de operação.

No caso do “day trade“, não importa se o mercado acionário como um todo está caindo ou subindo. Como nesse tipo de operação é possível ganhar com a queda de um ativo, não faz muito sentido comparar o rendimento com o desempenho do Ibovespa.

O estudo levou em conta as negociações com contratos mini de Ibovespa. A identidade dos investidores obviamente não foi revelada pela CVM, mas existem alguns dados cadastrais. A idade média da amostra é de 35,2 anos e quase 40% dos investidores são do Estado de São Paulo. As três principais profissões são administrador, engenheiro e analista de sistemas.

Ainda bem economista desconhecer a Lei da Inércia de Isaac Newton — e louvar apenas a Lei do Mercado… Os fundamentalistas causam menos mal em relação aos grafistas técnicos. Estes são adivinhadores de supostas tendência das cotações em leituras de gráficos flutuantes!

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