Lançamento de Novos Produtos Eletrônicos de Consumo

Tim Bradshaw (FT, 08/01/19) comenta: “prometeram-nos carros voadores, mas, em vez disso, nos deram banheiros inteligentes“.

A Feira de Produtos Eletrônicos de Consumo (CES, na sigla em inglês), a celebração anual do mundo da tecnologia é algo esquisito. Alardeada como um vislumbre do futuro, frequentemente acaba se revelando uma corrida pelas profundezas da cadeia de abastecimento de Shenzhen – como visto com o novo vaso sanitário Numi 2.0, da Kohler. Ela tem um sistema Alexa, da Amazon, integrado e oferece iluminação “dinâmica”, assento aquecido e descarga com controle de voz.

A explosão de inovações em artefatos em exibição em Las Vegas em todos os meses de janeiro costuma produzir mais esquisitices do que inovações, desde TVs com telas curvas e geladeiras com internet até travesseiros-robôs, roupa íntima “inteligente” e bagagens autônomas.

No entanto, depois de o alerta recente de desaceleração nas vendas da Apple ter colocado em evidência a situação perigosa vivida pelo mercado de telefones celulares, a busca pela próxima novidade torna-se cada vez mais premente.

A realidade virtual e os carros autoguiados, ambos altamente badalados nos últimos anos, ainda parecem ser projetos bem distantes. As citações de inteligência artificial, por sua vez, tornaram-se tão disseminadas na CES que todo o conceito perdeu força.

Mesmo assim, está cada vez mais claro que assistentes virtuais como o Alexa vêm ganhando força real entre os consumidores, enquanto toda a indústria se prepara para o enorme impulso a ser exercido neste ano pelo 5G, a próxima geração de redes sem fio.

Enquanto 180 mil visitantes se preparam para um bombardeio sensorial nos cerca de 230 mil metros quadrados de área de exibição, aqui estão os assuntos de obsessão mais prováveis na CES 2019, aberta domingo e ontem a convidados e imprensa:

Tecnologia 5G

Se a indústria de bens eletrônicos de consumo tem uma mensagem que deseja ver os visitantes da CES levando para casa neste ano é a de que o 5G “está aqui”. Executivos de fabricantes de chips como Qualcomm e Intel, de operadoras de telefonia móvel como AT&T e Verizon, e de grupos de tecnologia como IBM vão estar, todos, direcionando seus discursos para as novas redes sem fio que prometem velocidades mais rápidas e menos consumo de eletricidade, além de possibilitar a chegada definitiva da “internet das coisas”.

Cidades americanas, como Los Angeles e Houston, já estão vendo suas primeiras redes 5G sendo testadas, enquanto fabricantes de telefones celulares, como a Samsung, já prometeram lançar aparelhos compatíveis com a tecnologia nos próximos meses.

Para que as redes 5G estejam à altura da badalação ensurdecedora, contudo, vão precisar fazer mais do que apenas permitir fluxos mais rápidos para o YouTube nas telas pequenas. Se a CES não exibir novos tipos significativos de aparelhos que possam se valer das redes 5G, isso poderia desacelerar o ímpeto da tecnologia.

Alto-falantes inteligentes e assistentes virtuais

Alto-falantes inteligentes como o Echo, da Amazon, e o Google Home são os dispositivos mais promissores que a indústria de aparelhos encontrou até agora para suceder os smartphones. A Amazon diz ter vendido “dezenas de milhões” de aparelhos Echo em 2018. A empresa continua a líder do mercado, mas o Google contra-atacou com uma imensa investida de marketing na CES de 2018, colocando propagandas de seu Assistant em cartazes, prédios e trens de Las Vegas.

O esforço parece estar compensando: o grupo de pesquisas eMarketer prevê que a participação do Echo da Amazon no mercado de alto-falantes inteligentes pela primeira vez vai cair abaixo de 66% neste ano, com o Google Home conquistando 31% das vendas. A eMarketer estima que 74 milhões de pessoas nos Estados Unidos vão usar algum alto- falante inteligente neste ano, mais de 25% da população americana adulta.

Conectar o Alexa e o Google Assistant a um conjunto cada vez maior de eletrodomésticos tem sido assunto de destaque na CES nos últimos anos. Os aparelhos de TV estão se tornando um foco particular da Amazon, que concorre contra a Roku para se tornar uma porta de entrada para a “TV conectada“.

Agora, Amazon e Google esperam libertar seus robôs da “casa inteligente” para que saiam por aí, integrando-se a fones de ouvido, “óculos inteligentes”, carros e até bicicletas.

Veículos elétricos

Os carros autoguiados ainda precisam progredir muito nos campos de testes na Califórnia e Arizona para chegar ao resto do mundo, mas isso não significa que os transportes saíram do radar da CES.

Também foram exibidos na feira mais robôs, drones e skates elétricos para fazer entregas, assim como novos tipos de lazer dentro dos carros e tecnologias de assistência aos motoristas.

O rápido crescimento dos patinetes elétricos compartilhados da Bird e da Lime em 2018 abriu a porta para uma nova mania por aparelhos de transporte de curta distância.

A chinesa Segway-Ninebot, cujos veículos são usados por quase todas as novas empresas de compartilhamento de patinetes, vai mostrar seu novo “Model Max“, criado para ser mais resistente e confiável em todos os tipos de condições climáticas.

A próxima geração dos patinetes virá equipada com sensores para alertar se eles caírem e até para possibilitar “navegação semiautônoma” se estiverem estacionados de forma inadequada. “Essencialmente o que estamos fazendo agora é transformar aparelhos de micromobilidade em robôs“, diz.

Consequências da onipresença da tecnologia

A CES sempre pareceu bastante fora da realidade. Mas mesmo Las Vegas não vai conseguir fugir do debate sobre o impacto da tecnologia na sociedade e nas pessoas que a usam – desde a segurança e a privacidade até como a guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump.

Em 2018, na véspera da CES, um alerta dos acionistas da Apple sobre os impactos do vício nos smartphones na saúde não foi suficiente para provocar reações nos executivos da indústria de eletrônicos.

Desde então, as ferramentas de monitoramento do tempo nas telas e mais ferramentas de controle por parte dos pais foram agregados aos iPhones e aparelhos Android. Empresas menores produziram alternativas simplificadas aos smartphones, como a Palm e a Light Phone, com a ideia de manter os usuários conectados, mas sem muitas distrações.

Há uma crescente percepção de o vício nos telefones celulares e o uso obsessivo começa a se tornar um grande problema social. Contudo, não está claro até que ponto as empresas de tecnologia estão levando isso a sério. Mais aparelhos não são a resposta, mas essa parece ser a resposta da indústria no momento.

PS: barreiras à entrada de maior consumismo no Brasil:

Comprar um iPhone ou um iPad no Brasil pode significar um gasto até duas vezes maior, em dólar, do que adquirir os produtos da Apple nos Estados Unidos, segundo o BTG.

Um levantamento feito pelo banco em 20 países, sob seu Zara Index, mostra o brasileiro pagar US$ 1.921, ou 77% a mais que um americano por um iPhone XS, com tela de 5,8 polegadas e 64 gigabytes (GB) de memória. No caso do iPad de 64 GB, a variação é ainda maior: 101%, ou US$ 1.421.

Na média dos países avaliados, os preços são 20% superiores aos cobrados nos EUA no caso do iPhone e 13% maiores para o iPad. Canadá e Japão são os melhores países para se comprar os aparelhos. Os canadenses pagam valores 6% e 16% inferiores que os americanos, respectivamente. No Japão, a variação é de 4% e 8% para baixo.

A complexidade do sistema tributário, regulatório e os gargalos em logística colocaram o Brasil como o mais caro do mundo em produtos de vestuário, conforme o “Índice Zara“, do BTG Pactual, que compara os preços de peças vendidas pela rede varejista Zara nos Estados Unidos com outros praticados em 43 países.

Conforme o ranking, o Brasil possui, em média, produtos 18% mais caros do que nos Estados Unidos.

Depois do Brasil, a operação mais cara da Zara em todo mundo é no Japão, sendo os preços 4% mais elevados.

A Eslováquia, Eslovênia, Portugal e Espanha possuem os produtos com preços mais baixos, sendo 36% inferiores aos praticados nos Estados Unidos.

O Brasil “claramente” não é um país simples para empresas estrangeiras, com problemas regulatórios, sistema tributário complexo, gargalos em logística e risco cambial. Por isso, a Amazon e a Walmart ainda “lutam” para ganhar força no país.

As barreiras à entrada para varejistas estrangeiros não deve cair nos próximos anos, mas o cenário também não é fácil para companhias locais. Disciplina operacional e foco em processos e controle devem ser o foco das empresas.

Quando o “Índice Zara” começou a ser feito pelo BTG Pactual, em 2014, o Brasil também liderava o ranking, com produtos 21,5% mais caros do que nos EUA. Em 2015, os preços ficaram 0,1% abaixo e, em 2016, o Brasil era 22% mais barato.

No caso específico da Zara, os analistas do BTG dizem: as filiais no Brasil precisam ter uma estratégia diferenciada em relação ao restante do mundo devido, principalmente, o risco cambial. Por aqui, só é produzido cerca de 40% do total.

A operação da Zara começou no Brasil em 1999. Desde então, 56 lojas foram abertas.

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