Automação Robótica e Substituição de Administradores de Empresas

Letícia Arcoverde (Valor, 25/03/19) pergunta: qual será o papel do gestor no futuro? Muitos administradores de empresas podem achar seu trabalho, mais baseado nas habilidades comportamentais, ainda não poder ser reproduzido por robôs. Porém, não vai mudar muito com o desenvolvimento de novas tecnologias e o avanço da automação.

No entanto, gestores terão de mudar sua maneira de administrar equipes para redefinir o papel do chefe em um mundo no qual a busca por mais eficiência será responsabilidade das máquinas.

Hoje, um ambiente de trabalho conta com a ajuda da inteligência artificial para realizar tarefas repetitivas e sistemas de aprendizado de máquina para fazer análises preditivas com base em dados. Logo, a visão de especialistas é a maneira de trabalhar vai mudar para a maioria das pessoas.

Mas quando se fala da entrada da automação no ambiente de trabalho, a atenção se volta primeiro para cargos iniciais e com tarefas mecânicas e repetitivas, e não tanto para os líderes. Um levantamento recente da empresa de ensino corporativo MindEdge, por exemplo, falou com mil gestores dos EUA e revelou a maioria (52%) acreditar seu trabalho estar imune ao avanço de tecnologias.

A chegada de mais processos automatizados ao ambiente de trabalho vai mudar a maneira como gestores encaram seu trabalho. Ele acha o foco ter de se deslocar da resolução de problemas em busca de mais eficiência, ou do desempenho de determinadas tarefas, porque esses elementos cada vez mais serão geridos por robôs.

Líderes terão de mudar a maneira de olhar sua função. Ao invés de ser responsável por resultados, talvez essa pessoa agora seja responsável por relacionamentos interpessoais para negócios. Isso significará se tornar um comunicador da visão da organização, capaz de transmitir aos funcionários qual o papel deles no negócio em um mundo cada vez mais complexo.

Ele necessitará obter QE (Quociente Emocional) em lugar de Qi (Quociente de Inteligência). A inteligência interpessoal será mais importante para lidar com pessoas em vez da inteligência racional para lidar com máquinas.

Isso tudo será aliado à necessidade de saber:

  1. tomar decisões e
  2. liderar processos de transformação baseados em dados.

A inteligência artificial pode ser tão poderosa quanto destrutiva, se não for manuseada da maneira correta. Com a popularização da tecnologia — e o medo de ficar para trás — um dos erros mais comuns de empresas cometerem é:

  1. não compreender o que determinados dados estão medindo, ou
  2. tirar conclusões de correlações acreditando elas representarem relações causais.

Há um risco grande de o executivo tentar usar dados para confirmar um modelo no qual ele já acredita, no lugar de deixar as informações coletadas guiarem a tomada de decisão. Há mais insights e mais precisão hoje em dia, mas precisamos saber interpretá-los e entender a linguagem dos dados para poder transformá-la na linguagem do negócio.

Um estudo da Cisco feito em 2017 com mais de 1.800 executivos dos EUA, Reino Unido e Índia apontou apenas um quarto dos projetos de transformação digital das empresas, ao adotar tecnologias de internet das coisas, foram considerados bem-sucedidos pelas companhias. Isso não acontece por causa da tecnologia, mas por causa das pessoas. Podemos ter a melhor tecnologia do mundo mas sem uma estratégia correta de como integrar isso ao trabalho, a tecnologia vai falhar.

A “burrice” não racional e sim emocional ainda predomina. Confrontada com racionalidade de máquinas científicas, os humanos irracionais acharão as máquinas “burras”!

A inteligência artificial e o aprendizado de máquina vão figurar entre as tecnologias com maior impacto no mundo. O futuro do trabalho será, cada vez mais, trabalhar não ao lado de sistemas automatizados e robôs, mas com eles.

A tecnologia vai se tornar muito mais entranhada no trabalho, em todos os setores. Com a substituição de tarefas repetitivas por sistemas automatizados, o trabalho vai ser se tornar “mais humano”, aumentando a quantidade de interações entre diferentes áreas da empresa e exigindo mais habilidades como inteligência emocional e colaboração.

A maioria das pesquisas sugere a habilidade mais necessária será ter a flexibilidade para pensar e ver problemas de uma maneira diferente. Logo, confronta-se com o conservadorismo de “gente burra”!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s