Software como Serviço: Automação de Escritórios

Softwares de negócios são cada vez mais usados pelos Departamentos Administrativos das empresas. John Donahoe, CEO da ServiceNow, cujas ações se valorizaram mais de 30% desde o início do ano, resumiu bem o motivo da alta: “Os investidores valorizam, primeiro e antes de tudo, o crescimento.”

Em particular, Wall Street está apostando em vários aplicativos de crescimento explosivo, mas em sua maioria ainda deficitários. Eles poderão tornar-se ferramentas essenciais na vida dos trabalhadores de escritório.

Até se compara a importância desses programas ao domínio das empresas de tecnologia voltadas aos consumidores. Estão tendo no trabalho o mesmo impacto fundamental das FAANGS [Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google] nos lares.

A recuperação levou rapidamente os valores dessas empresas para a estratosfera. As ações das empresas de aplicativos de negócios – cujo mercado de atuação é chamado de “software como serviço” (SaaS, na sigla em inglês), normalmente, eram negociadas a um valor seis ou sete vezes maior do que a receita, mas agora isso aumentou para dez vezes ou até mais na atual onda de valorização.

O modelo de negócios dessas empresas, altamente previsível, ajudou a sustentar a valorização. A maioria gasta quase 50% da receita em vendas e marketing, dando prejuízo enquanto cresce, porque a receita de contratos de longo prazo assinados agora apenas vai poder ser contabilizada nos anos futuros.

Ainda assim, se tornaram algumas das apostas favoritas dos investidores, graças a:

  1. seus fortes fluxos de caixa e
  2. a crença de mais clientes pagarão pelas assinaturas, mesmo em tempos de crise econômica.

A ofensiva das companhias vendedoras de software como serviço tem como pontas de lança a Salesforce e a Workday. A primeira oferece produtos usados principalmente nas áreas de vendas e marketing e a segunda, na de recursos humanos.

Elas se somaram a duas grandes empresas tradicionais de software pioneiras em transformar partes importantes de seus negócios em plataformas SaaS propriamente ditas:

  1. a Adobe, que atendia artistas gráficos em suas origens, expandiu-se para a esfera do marketing; e
  2. a Microsoft, com o Office 365, passou a oferecer um serviço na nuvem computacional essencial para muitos funcionários administrativos.

Uma variedade desconcertante de outros aplicativos tem competido pela atenção dos trabalhadores, oferecendo serviços desde a administração de tarefas específicas até ferramentas de comunicação e de colaborações mais amplas.

Nesse grupo estão empresas como:

  1. a Slack, um aplicativo de mensagens que vai abrir o capital , e
  2. a Atlassian, que se tornou uma ferramenta fundamental para programadores de software.

Quantas delas vão conseguir se tornar plataformas duradouras é algo ainda incerto. Mais de 30 empresas de SaaS ostentam valores de mercado de pelo menos US$ 3 bilhões e agora estão em uma corrida para crescer.

As ambições da ServiceNow, dita ser uma das novas plataformas essenciais para os trabalhadores, são atípicas. Tendo começado a vida como uma ferramenta de software para automatizar os pedidos dos funcionários para o Departamento de Tecnologia da Informação, a empresa agora tenta transformar-se em uma plataforma capaz de lidar com várias tarefas diferentes (ou “fluxos de trabalho”) dentro das companhias.

Convencer os investidores de que há um futuro quase ilimitado pela frente tornou-se essencial. Calcula-se o “mercado total potencial” (todas as tarefas cujas ferramentas de software, teoricamente, podem vir a administrar) em US$ 575 bilhões. Esse total inclui muitas atividades realizadas pelas pessoas hoje em seus empregos, mas ainda não operadas por software.

Apesar de ter registrado prejuízo no ano passado e receita de US$ 2,6 bilhões, o valor de mercado da ServiceNow subiu para mais de US$ 40 bilhões.

Muitos observadores preveem o grau de florescimento das experimentações das empresas de SaaS deixa o segmento à beira de uma onda de fusões. Se for verdade, então as SaaS seguiriam o caminho de companhias de software em segmentos surgidos anteriormente, quando o crescimento precoce de ferramentas de propósitos específicos levou a uma consolidação.

Empresas capazes de estabelecer-se como um “sistema de registros” para seus usuários — o lugar em que as empresas guardam dados essenciais, como informações sobre seus clientes ou funcionários — podem ser as mais bem posicionadas.

Uma vez que uma empresa de SaaS torna-se fornecedora de um sistema de registros para alguma companhia importante, ela tem chances de conquistar outras.

Comparações com as companhias de internet voltadas aos consumidores colocam em evidência as dificuldades. Muitas empresas de SaaS adotaram uma abordagem “viral” em seu marketing inicial, contando com os funcionários das empresas para descobrir e experimentar um serviço por conta própria antes de tentar vender um contrato para seus empregadores. Mas a facilidade de adoção coloca poucas barreiras para suas concorrentes entrarem no mercado.

Isso parece incrivelmente aleatório: resume-se ao momento certo, ao local certo, e uma execução de vendas extraordinária. Para cada Slack ou ServiceNow, há milhares de sepulturas sem nome.

Muitas empresas desse segmento ainda precisam começar o trabalho de tentar convencer seu público de poderem ser mais do que apenas um nicho de serviços. A Workday precisou de anos para convencer os clientes de poderem confiar nela para lidar com seus dados financeiros, além das informações de recursos humanos. Este é um caminho que muitas outras apenas começam a trilhar.

Assim como nas companhias de internet voltadas aos consumidores, muitas empresas de SaaS também enfrentam o desafio interminável de atrair — e manter — a atenção dos usuários. Novas formas de administrar o trabalho com potencial de suplantá-las são uma ameaça constante.

A Slack, por exemplo, propagandeou-se como uma nova “janela” unificada na qual os trabalhadores podem interagir com outros aplicativos de negócios, potencialmente roubando atenção — e valor — de outros serviços. Não há trégua nas experimentações por trás do fluxo constante de novas startups.

A disseminação da tecnologia de aprendizado das máquinas deve tornar mais intensa essa competição. A próxima onda de aplicativos de negócios vai ser criada para:

  1. extrair dados de diferentes áreas das empresas,
  2. combiná-los para aprender a partir deles e
  3. dar aos administradores um novo patamar de conhecimento.

O risco para as empresas mais antigas de SaaS é essas companhias da nova geração de aplicativos poderem alavancar seus dados.

Assim como as empresas dominantes da internet voltadas ao consumidor, no entanto, as primeiras SaaS se enraizaram dentro das companhias. Podem ser difíceis de ser deslocadas. Graças a suas grandes bases de usuários, elas esperam capturar dados sobre como os funcionários interagem entre si e com as informações empresariais, para usar isso de forma mais produtiva.

As empresas querem quatro a seis plataformas estratégicas. Logo, as próximas gigantes da tecnologia de negócios podem já ter consolidado uma liderança inexpugnável.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s