Cursos para Educação Financeira: Capacitação para o Planejamento Financeiro Pessoal

Danylo Martins (Valor, 18/03/19) avalia: assim como em outros setores, a tecnologia invadiu o mercado financeiro. Prova disso é o avanço de fintechs, bancos digitais e plataformas on-line de investimentos. Tal cenário exige profissionais com habilidades que vão muito além de compreender a dinâmica do setor, produtos e regulação.

De olho nisso, nascem escolas de formação para quem deseja trilhar carreira nesse novo mercado financeiro. Ao mesmo tempo, instituições tradicionais começam a aprimorar metodologias de ensino e a incluir novas disciplinas na grade dos cursos de graduação e pós.

A Proseek, de educação profissionalizante, ganhou os primeiros contornos no fim de 2015, quando um economista carioca deixou a XP Investimentos, onde foi gestor de operações afiliadas da corretora. Em 2016, o negócio teve o reforço do também de outro economista. Ele por três anos atuou como sócio da XP na área de gestão de patrimônio. Um administrador de empresas, líder da área de análise da XP entre 2013 e 2018, completou o time.

A escola abriu as portas no início de 2017 no Rio de Janeiro, com o lançamento da primeira turma do “master em financial markets“, cujo objetivo é preparar estudantes ou recém-formados para ingressar no mercado financeiro. Como metodologia, os professores usam estudos de caso, dinâmicas de grupo, jogos de negócios, entre outros recursos. Por meio da plataforma on-line, desenvolve uma rotina adaptativa para alunos diferentes fazerem o mesmo curso, mas tendo experiências diferentes.

O que atrai alunos é a propaganda do modelo unir a teoria com o aspecto prático do mercado, o que não tinha aprendido na faculdade. Daí a rotina do estudante inclui aulas da graduação e do master em financial markets, estágio, além de um curso de extensão sobre finanças corporativas, realizado aos sábados pelo Coppead/UFRJ. Logo, o sonho de atuar no mercado financeiro se torna realidade: ingressa como estagiária no private banking do J.P. Morgan. Um ano depois, é efetivado como analista de private banking.

Com a certificação CPA-20, da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro (Anbima), não para de estudar. Passa a se preparar para o exame da certificação CFP (Certified Financial Planner), selo importante para quem atua no segmento de private banking. É necessário ter dedicação e curiosidade intelectual porque é um ambiente competitivo e de intensa transformação.

Um grupo de 759 alunos já foi formado pela Proseek, incluindo turmas do master em financial markets e dos programas “specialist investment banking” e “specialist advisory“. Tudo em inglês soa mais sério, né? 🙂

Entre os planos está a criação de uma faculdade – o pedido foi enviado este ano ao Ministério da Educação (MEC). Se tudo der certo, a instituição vai começar a operar no começo de 2020. Até junho, a escola planeja, ainda, o lançamento de uma pós-graduação em Finanças Corporativas, em parceria com uma instituição de ensino.

Já nas instituições com tradição na formação de profissionais para o mercado financeiro, há um movimento de criação de novas disciplinas, assim como alterações nas ementas dos programas e metodologias de ensino. Não dá mais para explicar Sistema Financeiro Nacional sem citar fintechs, novos meios de pagamento e mudanças na regulação.

Para isso, são necessárias disciplinas de big data e transformação digital nos cursos de pós em finanças. Outro passo é o lançamento da plataforma LIT. Ela utiliza o sistema de inteligência artificial Watson, da IBM, para personalizar a aprendizagem. Por meio de uma assinatura mensal de R$ 129, os alunos têm acesso a todos os conteúdos da plataforma.

A Saint Paul Escola de Negócios lançou um curso on-line preparatório para a certificação de agentes autônomos, em parceria com a Genial Investimentos. Além do curso para a certificação, a expectativa é ter ainda este ano um MBA para agentes autônomos. Um agente autônomo é um empreendedor e vai precisar, ao longo da carreira, de competências como gestão de pessoas, vendas e marketing.

Para o coordenador do curso de ciências econômicas do Ibmec-SP, o novo profissional do mercado financeiro tem um leque muito maior de ferramentas para operar no dia a dia. O principal desafio é justamente a compreensão de como essas tecnologias funcionam.

A instituição passou a oferecer disciplinas de ciências de dados e Python (linguagem de programação) como matérias complementares à grade curricular da graduação. Por trás dessas ferramentas, há estatística e programação. O diferencial competitivo do profissional é ter essas habilidades.

Em parceria com o portal “InfoMoney“, o Ibmec também criou um MBA em investimentos e private banking, na modalidade on-line, voltado para a formação de operadores do mercado financeiro. Ao longo de 12 meses, o conteúdo aborda renda fixa, ações, fundos, imóveis, criptomoedas, assim como cursos preparatórios para as provas da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidores de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord) e da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Segundo o coordenador da graduação em economia da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), o mercado tem demandado cada vez mais conhecimento quantitativo, incluindo ciência de dados. Os bancos têm áreas de data science, com grande volume de dados, o que acaba demandando mais profissionais com essa competência. Desde 2017, a FGV-EESP tem conteúdos voltados para a área.

Entidades do mercado financeiro, como a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Ancord, também têm feito alterações nos cursos. Segundo o diretor executivo da ABBC — representante patronal de bancos de médio e pequeno porte –, existe um ‘gap’ entre a realidade acadêmica e a realidade profissional. Está fazendo programas de curta duração para apresentar produtos financeiros no contexto de open banking e pagamentos instantâneos.

Já a Ancord lançou este ano uma plataforma de cursos a distância, com conteúdos técnicos básicos e avançados voltados, principalmente, para universitários, profissionais do mercado e investidores. Hoje, tem três cursos, e a expectativa é chegar a nove até junho, atingindo cerca de 150 alunos por mês a partir de maio de 2019.

Mais comum em outros mercados como Estados Unidos, Japão e China, a profissão de planejador financeiro está em constante crescimento no Brasil, principalmente nos últimos cinco anos.

Conforme dados da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), o número de planejadores financeiros com a certificação CFP (Certified Financial Planner) triplicou desde 2013 – hoje são quase 4 mil. A associação estima que dois terços dos profissionais atuem em bancos, boa parcela deles no segmento private banking.

Ainda assim, a carreira independente atrai cada vez mais profissionais de áreas diversas como advogados, administradores e engenheiros. São pessoas que decidiram trocar o ambiente corporativo pelo atendimento a pessoas e famílias.

O primeiro passo é obter a certificação CFP – criada nos EUA na década de 1970. Estudar para o exame de certificação em paralelo à carreira executiva, levando os livros nas viagens a trabalho.

Depois de se tornar CFP, monta uma fintech, p.ex., com o nome SuperRico, e passa a oferecer serviço tanto para clientes pessoas físicas quanto para planejadores financeiros. Cobra entre R$ 3.500 e R$ 5.000 por ano pelo serviço de planejamento financeiro. Atende 60 clientes. Para quem está pensando em seguir o mesmo caminho, é necessário se preparar com pelo menos dois anos de antecedência para a transição.

O grande desafio no Brasil é a profissão de planejador financeiro não é regulamentada como em outros países. Para quem tirou a certificação CFP, assim como advogados e médicos de confiança, as famílias brasileiras deveriam ter um planejador financeiro. Para isso se tornar cada vez mais realidade, uma série de iniciativas tem sido desenvolvida pela associação.

Em 2019, a Planejar vai lançar um pacote de conteúdo para o profissional com desejo de começar a carreira de planejador financeiro. Será um kit com informações como modelos de contrato, tipos de empresa, modelos de remuneração pelo serviço, planos de negócio, tudo isso vai permitir ao planejador montar seu negócio.

Nathália Larghi (Valor, 17/09/18) informa: os gerentes de bancos entraram de vez na mira das plataformas de investimentos. A fim de aumentar o alcance e ganhar mercado, essas empresas passaram a recrutar e treinar profissionais do setor bancário para transformá-los em agentes autônomos, considerados peça-chave para o crescimento do negócio ao atuar como seus representantes na oferta de produtos de investimento.

Familiarizados com o mercado financeiro e acostumados a interagir com o público, a leitura é que profissionais que passaram por bancos têm mais chance de obter sucesso na nova atividade. Outra aposta é que eles já cheguem com uma carteira de investidores formada por antigos clientes.

O movimento encontra respaldo no bem-sucedido projeto da XP Investimentos. Ela nasceu em 2001 como empresa de agente autônomo, virou corretora, apostou nessa estratégia para crescer e hoje reúne cerca de R$ 170 bilhões em ativos sob custódia e 700 mil clientes. A história chamou a atenção do Itaú Unibanco, levando-o à compra bilionária de 49,9% da corretora.

A mais nova investida para atrair bancários e formar agentes autônomos vem da Genial Investimentos, plataforma de investimentos do grupo Brasil Plural. O projeto começou há cerca de três meses com a chegada de uma dupla com mais de dez anos de experiência como agente autônomo, boa parte na XP, e há pouco mais de dois anos tinha sido contratada para tocar a expansão da Guide, outra plataforma que tem como sócios o banco Indusval e o grupo chinês Fosun.

Hoje sócios da Genial, a missão deles é treinar novos agentes. A abertura do primeiro processo seletivo começou há cerca de um mês via Linkedin, rede social para relações de trabalho. Os executivos contam: na primeira semana foram recebidos 740 currículos, sendo a grande maioria de profissionais de bancos.

Vencidas as etapas de seleção, 12 pessoas foram escolhidas para o treinamento interno com duração de uma semana. A corretora ainda auxilia os profissionais a obterem a certificação de agente autônomo da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidores de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord).

A ideia é serem feitas várias seleções e treinamentos profissionais ao longo do ano. Quem se destacar pode ser selecionado para trabalhar no escritório de agentes autônomos dentro da própria sede da Genial.

Um dos principais desafios relacionados aos ex- bancários é adaptá-los à rotina de autônomos. Por isso, após a formação os profissionais continuam sendo acompanhados de perto pelos treinadores por mais 90 dias.

Outra caminho explorado pela Genial nesse projeto é a incubadora de escritórios de agentes autônomos. O espaço existe há cinco meses e já recebeu cinco empresas, que foram selecionadas internamente. A ideia agora é abrir o projeto para novos escritórios em formação. Ao longo de três meses, essas empresas terão treinamentos e uma consultoria sobre o negócio.

como um berço de novos escritórios. Eles ficarão incubados na Genial, recebendo treinamento e ajuda até conseguirem contatos para montar suas carteiras e terem condições de alugar um espaço para a empresa.

A campanha das plataformas para atrair gerentes de bancos coincide com um período de fechamento de vagas no setor. De janeiro até julho de 2018, os bancos já encerraram 2,5 mil postos de trabalho, segundo levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Nos últimos dois anos, a entidade contabilizou a perda de mais de 39 mil vagas no segmento bancário.

Esse ciclo de fechamento de vagas e agências bancárias representa uma oportunidade para as casas de agentes autônomos. Até porque o número de agentes autônomos no Brasil ainda é muito baixo. São aproximadamente 7 mil profissionais certificados. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número chega a 1,3 milhão de profissionais.

Esses profissionais, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), podem captar clientes, receber e registrar ordens de investimento, além de prestar informações sobre os produtos.

Eles não estão autorizados a:

  1. fazer gestão de carteira ou
  2. indicar produtos.

Esse cenário contribui muito para a expansão da profissão de agente autônomo no Brasil. Tem profissionais ao saírem da agência bancária já querem montar um escritório. Há quem prefira entrar em uma casa já madura no mercado. Mas há uma procura grande por parte deles. Nos últimos seis meses a corretora detectou um aumento considerável no número de profissionais de bancos querendo se tornar agentes.

A própria XP conta com um projeto voltado a gerentes de bancos desde o mês passado. Por meio de campanhas nas mídias digitais, a corretora busca atrair esses profissionais para participarem de uma “trilha de formação” em agentes autônomos. Começa com um curso on-line gratuito para tirar a certificação.

Dos R$ 5 trilhões de estoque na indústria de investimento, 95% estão nos bancos e 5% nas plataformas de investimento. Então, a oportunidade está em trazer esses gerentes, porque eles já têm esses clientes e acesso ao dinheiro que está nos bancos.

Após tirarem a certificação, os agentes associados à XP recebem treinamentos on-line e presencial para exercer a função. Por fim, aqueles que completarem a trilha participam ainda do Programa de Aceleração de Negócios (PAN). Isso garante uma remuneração semestral ao agente ao longo de 18 meses. O valor pode chegar a R$ 200 mil, mas varia de acordo com o desempenho de cada profissional.

O PAN atrai e mantém os agentes autônomos na casa, porque o incentivo ajuda o profissional nos primeiros meses, até ele conseguir montar uma carteira de clientes e poder pagar um espaço para atendê-los. A XP treina cerca de 50 pessoas por semana. Atualmente, a companhia tem 3,7 mil agentes associados. A ideia é chegar a 10 mil em 2020. Do total de novos agentes autônomos, 60% vêm dos bancos. A ideia da companhia é investir até R$ 600 milhões nesses programas de capacitação até 2020.

A ideia de atrair ex-bancários não está restrita apenas ao mundo das corretoras. Na empresa de planejamento financeiro Fiduc, dos 125 gestores de patrimônio que atuam na casa, pelo menos um terço vem de banco. Normalmente recebe gerentes de alta renda. Um dos maiores gatilhos para essa procura é o PDV [Plano de Demissão Voluntária] dos bancos.

Segundo os executivos das companhias, a remuneração média dos profissionais que migram do setor bancário para a carreira de agentes autônomos tende a aumentar. No entanto, por se tratar de uma função independente, os ganhos dependem do desempenho do profissional, em termos de número de clientes e serviços prestados.

No futuro, a IA substituirá os agentes autônomos?

A XP Investimentos criou um robô capaz de ajudar os clientes a encontrarem produtos financeiros adequados para o seu tipo de perfil. Inicialmente oferecido aos investidores que não são atendidos por um agente autônomo, o Max – como o robô é chamado – detecta e indica aplicações de renda fixa, fundos e COEs (certificados de operações estruturadas).

Inicialmente, o Max está disponível no site da XP para todos os investidores que não têm assessores: cerca de 200 mil pessoas, segundo cálculos da corretora. A experiência de uso é semelhante a de um chatbot. Os robôs que interagem com o usuário através de telas de bate-papo.

Ao acessar sua conta XP através do site, o investidor recebe uma mensagem do robô. Caso ele tenha algum dinheiro disponível na conta — sem estar aplicado em nenhum produto –, o Max faz algumas perguntas para entender como e com qual objetivo o cliente pretende usá-lo. Ele cruza esses dados com as informações do perfil daquele cliente e oferece produtos que possam interessá-lo.

Praticamente toda a interação é feita por meio de cliques. Na “conversa”, o usuário pode visualizar gráficos, taxas e tributações e outras informações não só sobre o produto indicado, como também de outras aplicações.

Todo aporte novo que o cliente traz para a XP, o Max faz uma checagem do que seria melhor para o cliente naquele momento. Ele usa toda a plataforma para poder detectar o melhor.

Ao optar por investir em uma das opções oferecidas pelo Max, o próprio robô mostra o termo do investimento. O usuário precisa “concordar” para investir naquele produto. Então, Max solicita a assinatura eletrônica, espécie de senha necessária para fazer a aplicação.

O investidor também pode, através do Max, agendar uma aplicação para outro dia. A ideia é oferecer indicações de produtos e simplificar a vida do cliente, colocando todas as etapas para investir dentro da janela do chat. Com o tempo, o Max deve oferecer também produtos como ações, ETFs e previdência.

Outra funcionalidade no radar da XP é o uso o robô pelos agentes autônomos. A ideia é ele fazer “tarefas operacionais”, como executar a ordem emitida pelo cliente.

Para o assessor cumprir uma ordem, ele tem de ter aquele pedido gravado pelo cliente, entrar no sistema, fazer a operação e confirmar. Esse processo demora.

A ideia é o robô disparar o e-mail e pegar a assinatura eletrônica do cliente. Ele faz a boletagem. Com isso, libera mais tempo para o assessor focar no relacionamento com o cliente.

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