Inteligência Artificial (IA): Sistemas de “Machine Learning” e Computação Quântica

Ana Luiza Mahlmeister (Valor, 20/06/18) informa: a inteligência artificial (IA) e sistemas de “machine learning (ou aprendizado de máquina) estão mais próximos do dia a dia dos bancos. Ela é base de diversas aplicações em softwares de segurança e avaliação de risco de crédito, além do atendimento ao cliente.

Os primeiros casos de uso para teste da tecnologia eram voltados a aplicações internas, ajudando gerentes a resolver dúvidas com a automação das respostas. A próxima onda é a interação com o público, buscando reter e melhorar o atendimento ao cliente.

Ao captar e analisar dados individuais dos correntistas, as informações são “aprendidas” pelo sistema permitindo a oferta de produtos alinhados a diferentes perfis. Hoje, a disponibilidade de dados é quase ilimitada e a análise dessas informações permite ao banco ser um consultor financeiro, tratando o cliente de forma individualizada.

O Santander aplicou a IA em um sistema de “upload” de imagens de documentos dos clientes exigidos na abertura de contas digitais. Muitas vezes o futuro cliente enviava as imagens digitalizadas e o banco levava três dias para avaliar se estavam legíveis. Só então pedia para refazer o procedimento.

Nesse ínterim, outros processos já estavam em andamento, com custos para o banco. Além disso perdia 70% das contas. Um sistema inteligente analisa a qualidade dos documentos e informa automaticamente se precisa refazer as imagens. Um sistema de IA também foi aplicado para auxiliar a abertura da conta jurídica.

Antes, o contrato social tinha que ser digitado por um núcleo para determinar os sócios e representantes legais que poderiam movimentar a conta. Agora, o sistema digitaliza o contrato e valida os sócios, reduzindo o tempo do processo de identificação do correntista.

Outro sistema usado no Santander é uma atendente virtual, chamada Sara. Ela tira dúvidas dos gerentes, dando mais rapidez ao cancelamento de serviços. A tendência é colocar sistemas inteligentes na linha de frente para melhorar o atendimento direto ao correntista dando ao gerente uma função mais consultiva.

No Itaú, sistemas de aprendizado de máquina e inteligência artificial são usados para o reconhecimento de assinatura de cheques. O caixa ou o gerente faz uma primeira validação e, no caso de disparidade, o documento vai para a verificação do sistema. Ele dá o alerta quando sai do padrão.

Uma das aplicações em desenvolvimento é um sistema capaz de unir a imagem da fachada de empresas, por meio do Google Street View, com o endereço, para a validação do local. O banco também estuda a implantação de um sistema automático de análise de voz para detectar se o cliente está insatisfeito ou irritado para direcionar a demanda aos canais competentes.

Maior usuário do Watson — computador baseado em inteligência artificial da IBM — no Brasil, o Bradesco, começou usando sistemas de IA no atendimento aos gerentes e treinamento de pessoal. Agora as aplicações vão ganhando outras áreas como a de seguros no banco digital Next, com atendentes virtuais em diferentes canais usando linguagem natural. Um departamento especial do banco, o Bradesco Inteligência Artificial (BIA), cuida do desenvolvimento de novos sistemas, com foco no atendimento ao cliente na ponta.

A IA também é chave na área de segurança, com sistemas preditivos. Eles alertam para mudança de padrões, evitando ataques. Ao sofrer uma fraude, a empresa se coloca em posição reativa ao invés de antecipar o movimento. A inteligência cibernética pode ajudar a igualar o jogo.

Com base no monitoramento de nichos na internet, cruzamento de dados históricos e algoritmos, é possível antever ações direcionadas e reduzir ou impedir os golpes.

O desafio atual é os bancos se prepararem para a computação quântica.

Em uma enorme sala de laboratório, cheia de tubos e máquinas, um cilindro do tamanho de uma geladeira traz a inscrição IBM-Q. Quando ele é aberto, uma estrutura cheia de fios dourados e acobreados aparece. Dentro dela estão acomodados chips feitos à base de nióbio, silicone e alumínio. Ali eles ficam conservados na escuridão e a 273 graus Celsius negativos, temperatura mais baixa do que a do espaço sideral e na qual os átomos praticamente param de se mover.

Esse é o famoso processador quântico da IBM. Conectado a uma plataforma na nuvem, o IBM-Q está disponível para que desenvolvedores e pesquisadores ao redor do globo possam criar novos e sofisticadíssimos algoritmos e aplicações tecnológicas.

A mais profunda mudança da história da computação está diante de nós e vai mudar todas as regras do jogo. Por isso é preciso as empresas de todos os setores comecem a se engajar nessa tecnologia.

Mas o que é afinal um processador quântico e por que ele é tão poderoso? Os processadores dos computadores tradicionais são feitos com transistores que funcionam como um interruptor que, ligado ou desligado, tem valores de O ou 1. Esse sistema binário é que dá origem aos bits. Com o avanço tecnológico os processadores foram se tornando cada vez menores até poderem ser tão pequenos quanto um átomo.

No nível atômico, já não se consegue criar transistores binários porque a corrente flui estando o “interruptor” aberto ou fechado: neste minúsculo universo, prevalecem os princípios da Física quântica.

Os processadores quânticos funcionam com os chamados qubits. Eles têm a propriedade de superposição. Podem ser 0 e 1 ao mesmo tempo. E isso aumenta incrivelmente seu poder de processamento. O “estado quântico” porém, é muito frágil. Para ele não se alterar é necessário o processador ser mantido a essa temperatura extremamente baixa.

Os computadores quânticos prometem resolver grandes desafios da sociedade, no meio ambiente, agricultura, saúde, energia e muitas outras áreas.

No campo financeiro, eles são ao mesmo tempo uma promessa e uma ameaça aos sistemas existentes.

Um computador quântico pode:

  1. modelar com mais precisão sistemas financeiros complexos,
  2. otimizar o gerenciamento dinâmico de portfólios e
  3. criar novos níveis de segurança para os recursos financeiros globais.

Por outro lado, enquanto computadores clássicos levariam décadas para quebrar o sigilo de códigos criptografados, os computadores quânticos poderiam fazer isso rapidamente. Qualquer sistema transacional ao usar os sistemas de criptografia atuais, como blockchain ou criptomoedas, poderiam ser facilmente quebrados por um computador quântico. Por isso, já há estudos em andamento sobre como tornar os sistemas atuais resistentes à computação quântica.

Segundo ele, a IBM já desenvolveu um algoritmo de criptografia sofisticado o suficiente para seu sigilo não poder ser quebrado nem por computadores quânticos. O conselho é para as empresas migrarem para formas alternativas de criptografia para não ficarem vulneráveis aos computadores quânticos.

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