Meios de Pagamento Eletrônicos para Substituição de Papel-Moeda

Martha Funke (Valor, 20/07/18) informa: a adoção de novos formatos, como prazos mais longos no financiamento com juros do cartão de crédito e os pagamentos instantâneos (P2P, ou pessoa a pessoa na sigla em inglês), a tecnologia sem contato e o maior uso de cartão de crédito estão entre os elementos capazes de incentivar a expansão do uso dos meios de pagamentos eletrônicos no país.

A expectativa é alcançar 60% de penetração nos gastos das famílias em até cinco anos. Hoje a parcela é de 32%, com 13 bilhões de transações anuais com valor em torno de R$ 1,36 trilhão, dos quais

  • R$ 842,6 bilhões movimentados por cartões de crédito,
  • R$ 508 bilhões pelo débito e
  • R$ 6,6 bilhões por cartões pré-pagos.

As novidades do setor estão sendo analisadas em conjunto com o órgão regulador. O financiamento por cartão de crédito busca atender à solicitação de

  • reduzir o prazo para pagamento dos lojistas e
  • ampliar a possibilidade de oferta por parte de pequenos varejistas sem recursos suficientes para crediários próprios.

A ideia é os emissores oferecerem juros competitivos.

Nos Estados Unidos, onde a indústria de cartões movimenta US$ 12 trilhões anuais, 53% correspondem a financiamento (crédito rotativo), enquanto no Brasil a parcela é de 11%.

Já os pagamentos P2P estão em estudo em comitê capitaneado pelo Banco Central. A meta é chegar a um modelo com interoperabilidade suficiente para permitir transferências instantâneas, seja pelo sistema bancário, seja pelo de cartões.

O sistema já está maduro em diferentes mercados. O principal desafio é a padronização e o desenvolvimento de tecnologias para o dinheiro transferido poder ser empregado em pagamentos sem necessidades de saques. Substituir a moeda em espécie ainda é o grande espaço de conquista dos meios eletrônicos. Além disso, o modelo pode estimular maior participação de empresas não tradicionais no mercado.

Nos últimos cinco anos, com a instituição do modelo de arranjos de pagamento, o mercado viu sua cadeia de valor ser quebrada em funcionalidades e o aumento da competição com o surgimento de subadquirentes, gateways e ferramentas especializadas.

A intensificação das relações com o regulador fica clara com o número de iniciativas dos últimos dois anos. Oito medidas ajudaram a definir questões como as regras para o novo rotativo e o parcelamento de multas de trânsito.

O uso do cartão de débito é outra fronteira de crescimento. Apesar de as compras não presenciais já representarem 20% do total movimentado por cartões no Brasil, seu uso tem muito a crescer tanto nesse quesito quanto em transações recorrentes, por ser desenhado para processamento com senha, tanto porque o volume de saques em ATMs ainda chega a ser até cinco vezes maior do que o volume de compras realizadas com cartões de débito.

Também há oportunidade relacionada ao pagamento de grandes valores. O modelo de negócios não é bom nesse caso. A penetração também pode ser maior, porque hoje cerca de 6 milhões de estabelecimentos aceitam cartões no país, enquanto o universo total soma o dobro disso. O crescimento do número de empreendedores com o desemprego gerou 21 milhões de MEIs [microempreendedores individuais].

O avanço nos pagamentos sem contato (contactless) também está na mira da indústria. A curva de adoção é exponencial nos mercados nos quais o formato foi adotado, embora os motivadores sejam diferentes.

  • A Austrália é o ícone do modelo, com 91% das transações presenciais no varejo já realizadas sem contato para responder à demanda por redução de filas.
  • Já na Inglaterra a adoção foi motivada pelo transporte público.
  • No Chile o contactless responde por um terço das transações, graças à aceitação de modelos como Apple Pay.

O mercado potencial de pagamentos instantâneos (P2P, ou pessoa a pessoa na sigla em inglês) no Brasil é de US$ 50 bilhões, montante relativo ao volume de transferências de valores entre pessoas físicas.

O montante pago com meios eletrônicos representa 32% do consumo das famílias. Este percentual poderá aumentar para 60% graças, entre outros fatores, ao P2P.

Esse potencial levou o Banco Central (BC) a instituir, em maio de 2018, um grupo para definir os requisitos para a criação de um ecossistema de pagamentos instantâneos no Brasil.

Entre as 60 instituições participantes do grupo estavam Febraban, bancos, instituidores de arranjos de pagamento, instituições de pagamento, cooperativas, órgãos governamentais, bandeiras e adquirentes de cartões de crédito, fintechs, marketplaces, consultorias e escritórios de advocacia.

Para deslanchar, o serviço P2P deve estar disponível 24 horas por dia. A TED é limitada de banco para banco, não é on-line e só pode ser feita entre 8h e 17h. O P2P será on-line, 24 horas por dia, sete dias por semana.

A expectativa é ter um desenho da arquitetura para logo o BC definir o modelo brasileiro. Essa arquitetura tem a ver com a interoperabilidade exigida pelo BC. “Isso vai permitir a inclusão financeira“, diz o discurso populista.

A Mastercard pretende se posicionar como um provedor de tecnologia de três partespagador, recebedor e intermediário. O modelo atual, de quatro partes, inclui:

  1. o adquirente (provedores de POS, como Cielo e Rede),
  2. os emissores de cartão (bancos, fintechs e varejo),
  3. consumidor e
  4. bandeiras (Visa, Mastercard, Elo).

Esses dois modelos vão conviver, e o consumidor é quem vai decidir qual é a melhor experiência. O P2P será o Uber da indústria de meios de pagamentos. Está se transformando a ameaça em uma oportunidade.

  • Em primeiro lugar, juntar as partes.
  • Em segundo, dar segurança nessa transação.
  • Em terceiro, autenticá-la.
  • E saber fazer tudo isso.

Os grandes impulsionadores do P2P estão na tecnologia e na regulamentação. Do ponto de vista tecnológico, o Brasil tem um sistema financeiro bastante evoluído. Uma vez definida a regulação, o mercado receberá investimentos.

Os países capazes de tratar de forma ágil a parte regulatória são hoje líderes no tipo de transação P2P. Esse modelo é baseado em confiança digital. Esta é a chave de sucesso desse tipo de transação. Há uma série de tecnologias, como biometria, contactless e certificação. A tendência é, nos próximos quatro anos, mais de 70% das transações serem realizadas nesse modelo.

Os BRICs são os países onde há mais oportunidades para os pagamentos P2P se expandirem, pelo alto contingente populacional com grande número de não bancarizados e altos índices de conectividade.

Os destaques são a China e a Índia. Esta última desenvolveu a infraestrutura de pagamentos unificada – um modelo interoperável único criado pelo governo.

O WhatsApp estava fazendo teste e lançou comercialmente a solução usando a plataforma unificada. Ela utiliza basicamente interfaces de integração padronizadas (API) para fazer comunicação e permitir todo tipo de pagamento.

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