Emissões para Financiamento de Corporações via Mercado de Capitais: Encarteiramento de FIFs e Bancos

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As emissões no mercado de capitais em março totalizaram R$ 8,7 bilhões, 42,4 % abaixo do mês anterior. No ano, o resultado acumulado registra R$ 40,4 bilhões contra R$ 42,6 bilhões do mesmo período do ano passado.  Em 2019, foram registradas 125 operações contra 197 do primeiro trimestre de 2018.

As notas promissórias, títulos corporativos que normalmente apresentam um prazo inferior às debêntures, foram os títulos mais representativos das emissões domésticas em março, com 23% do total, seguida das próprias debêntures (22%), CRA e FII (20% cada).

O volume emitido de R$ 1,9 bilhão de debêntures em março foi o mais baixo desde agosto de 2018, o que ratifica as condições desfavoráveis para a colocação de títulos de prazo mais longo junto ao mercado. No ano, o total emitido neste trimestre foi de R$ 15,0 bilhões contra R$ 27,6 bilhões do mesmo período do ano passado, o que corresponde à uma queda de 45,9%.

Deste volume, R$ 10,7 bilhões foram colocadas através da Instrução nº 476 e R$ 4,2 bilhões pela Instrução nº 400 — referente a duas emissões, uma do ramo de petróleo e gás e outra de transporte e logística —  com esta última sendo a única colocação de debênture incentivada, através da Lei n° 12.431, ocorrida em março.

Neste ano, nas ofertas públicas de debêntures, os investidores institucionais detiveram a maior parcela com 60,5% contra 55,4% do mesmo período do ano anterior. Entre esses agentes, o grande destaque foi para os fundos de investimentos. Eles subscreveram 53,6% do total ofertado contra 49,1% do primeiro trimestre de 2018. Os intermediários e instituições participantes ligadas à oferta (em “garantia-firme” para o emissor de colocar tudo ou assumir a sobra) detiveram 29,6% do volume ofertado contra 41,3% do primeiro trimestre do ano passado.

As emissões de Fundos de Investimentos Imobiliários (FII) neste trimestre alcançou R$ 6,4 bilhões contra R$ 3,2 bilhões do mesmo período do ano passado, o que representa um crescimento do volume na ordem de 97%.  Este movimento reflete uma melhora pontual no segmento imobiliário, tornando mais atrativas as alocações nas carteiras destes fundos, sobretudo em um contexto de juros em níveis baixos.

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Nas operações no mercado externo, ocorreram quatro negócios – três em renda fixa e uma no mercado de renda variável. O destaque foi a emissão de bônus em duas tranches da Petrobrás no valor de R$ 3,0 bilhões.  No ano, o montante é de US$ 6,6 bilhões, ainda abaixo do que foi auferido no mesmo trimestre do ano passado (US$ 9,8 bilhões).

Observa-se a economia de mercado de capitais, implantada à força do desmanche da economia de endividamento junto aos bancos públicos, não ser uma alternativa para MPME: micro, pequenas e médias empresas. Os neoliberais colocam-nas como presas das elevadíssimas taxas de juros de empréstimos do mercado privado de crédito. Leia-se: os “parças” do banqueiro de negócios no comando centralizado do Ministério da Economia.

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