Novas Emissões de Ações

Finalmente, Adrian Wood, em seu livro denominado “Uma Teoria dos Lucros” (Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra; 1980), trata das chamadas “emissões de dinheiro novo”. Elas aumentam a quantidade de financiamento disponível às empresas não-financeiras cujas ações já são cotadas em bolsa de valores. Distinguem-se dos aumentos de capital através de:

  1. incorporações de reservas em vez de distribuição de bonificações e
  2. novas emissões destinadas a trocas de ações de outras companhias em processo de fusão/incorporação ou de aquisição.

Essas “emissões de dinheiro novo” tomam forma de emissões de direitos concedidos aos acionistas de preferência da subscrição das novas ações. Na prática, são vistas como uma fonte de financiamento secundária. As empresas são dissuadidas pela inconveniência e pelos custos administrativos e de corretagem implicados.

Mas a principal causa da raridade das novas emissões é elas não serem apreciadas pelos acionistas em longo prazo. Uma nova emissão, por aumentar o suprimento de ações de uma empresa, tende a levar o preço delas a diminuir e a infringir uma perda de capital aos acionistas correntes.

O mercado de ações não é perfeito, no sentido de o preço da ação em um dado período depender do número de ações à venda nesse mesmo período. Mantendo-se todos os outros fatores constantes, inclusive a situação objetiva e o comportamento da empresa, as opiniões do mercado sobre suas perspectivas e o tamanho do estoque total de suas ações emitidas, um aumento do número de ações colocadas à venda gera uma queda da cotação.

Para vender as ações necessita um incentivo para persuadir os investidores a introduzir as novas ações em suas carteiras. Tal incentivo é fornecido por um aumento da taxa de retorno esperada das ações da companhia, superior ao que teria havido se não houvesse a emissão. Obtém-se isso através da redução do preço da ação.

A demanda por ações de uma determinada empresa não é perfeitamente elástica com relação ao preço. Isto por razão da ignorância dos investidores com relação ao futuro.

Por isso, as novas emissões infringem uma perda de capital aos acionistas correntes. No entanto, se a nova emissão por si só acusasse uma melhoria das expectativas sobre o fluxo de retornos por ação da empresa em questão, isto tenderia a elevar o preço da ação a ponto de anular completamente o tipo de tendência descendente do preço. Seria caso o mercado acreditasse o “dinheiro novo emitido” ser aplicado em determinado projeto particularmente lucrativo, permitindo futuro ganho de capital.

Isto requereria, logicamente, os investidores estarem bem informados sobre a lucratividade das oportunidades de investimento da empresa. Na prática, não costuma acontecer, porque é muito difícil convencer e superar a desconfiança dos acionistas a respeito da ocorrência de uma iminente reviravolta na sorte da empresa.

Pelo contrário, os investidores passam a desconfiar de uma nova emissão puxar outras novas emissões em função da incapacidade da companhia de financiar seus investimentos a partir de seus lucros retidos e de empréstimos. É como o grau de endividamento impedisse refinanciamentos e pressagiasse lucros futuros pouco elevados.

Somente em casos excepcionais a empresa se valerá de novas emissões, embora preocupada em fixar limites à quantidade de ações emitidas. Ocorre quando ela tem fortes razões para empreender uma substancial profusão de investimentos em consequência de um avanço nas perspectivas de vendas. Ou então ocorre quando as empresas se deparam com necessidades forçadas de implementar um programa imprevisto de modernização e de substituição de ativos para evitar a deterioração do poder competitivo.

No caso dessa profusão de investimentos ser empreendida, uma nova emissão pode se constituir em uma forma apropriada de obtenção do financiamento necessário. Dado o limite de endividamento da empresa, só uma parcela dos investimentos poderá ser financiada por novos empréstimos e aumentar os lucros retidos até serem suficiente para autofinanciar o restante. Mas isso poderia implicar em uma acentuada redução da taxa de distribuição de dividendos.

Nesse caso, seria menos prejudicial aos interesses de seus acionistas uma nova emissão de ações. Há duas razões explicativas para isso.

Primeiramente, embora uma nova emissão tender a infringir uma perda de capital aos acionistas, os efeitos de informações negativos causados pela redução da distribuição de dividendos também implicariam em perda de capital para os acionistas.

Em segundo lugar, uma nova emissão tem um efeito menos prejudicial à posição de liquidez dos acionistas em lugar de uma redução dos dividendos. É dada ao acionista a opção de contribuir ou não para a profusão de investimentos.

Quanto melhor a avaliação de uma companhia, tanto menor será o aumento do número de ações necessárias a serem emitidas para financiar uma dada expansão de seus ativos e, consequentemente, mantendo os outros fatores iguais, tanto menor será a baixa do preço de suas ações. Logo, o momento ideal para novas emissões é durante um boom do mercado de ações, quando a taxa de avaliação tende também a crescer. Poucas emissões são efetuadas em baixas do mercado, quando as taxas de avaliação afundam após o crash.

Empresas fechadas podem abrir seu capital e angariar fundos através de novas emissões de ações. Porém, os custos administrativos e de corretagem de uma emissão de empresa iniciante em bolsa de valores são, proporcionalmente, muito maiores se comparados aos de uma emissão de direitos de uma empresa já com o capital previamente aberto. Além disso, muitas das empresas fechadas são familiares e seus controladores são extremamente relutantes em expandir sua propriedade além da família e correr o risco de perda de controle.

Só em oportunidade excepcionais elas abrirão o capital. Preferem recorrer a bancos de negócios, agências de financiamento governamentais ou mesmo capitalização pelos diretores da empresa e membros da família. Consideradas em termos de potencial, tais fontes de fundos constituem uma contribuição pequena para todos os financiamentos de um setor de atividade.

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