Dimensões das Narrativas Normal e Anormal

Robert J. Shiller, em Narrative Economics, conta: o psicólogo Jerome Bruner enfatizou a importância das narrativas. Por sua análise, não devemos supor as ações humanas serem dirigidas em resposta a fatos puramente objetivos:

“Eu não acredito em alguém realmente encarar os fatos. Do ponto de vista de um psicólogo, não é assim de acordo com os fatos como as pessoas se comportam, como sabido de nossos estudos de percepção, memória e pensamento. Nossos mundos factuais são mais como armários cuidadosamente arrumados em lugar de uma floresta virgem inadvertidamente se entrou.”

Narrativas são construções humanas. São misturas de fato e emoção e interesse humano em outros detalhes estranhos. Todos formam uma impressão na mente humana.

Psiquiatras e psicólogos reconhecem a doença mental ser frequentemente uma forma extrema de comportamento normal, ou seja, uma perturbação estreita das faculdades mentais humanas normais. Assim, podemos aprender sobre as complexidades do processamento cerebral normal da narrativa humana, observando os fenômenos narrativos anormais. Os neurocientistas Young e Saver (2001) listaram algumas de suas formas variadas: narração travada, desajustamento, desnarração, confabulação.

A esquizofrenia pode ser considerada como outra anomalia cerebral relacionada a problemas narrativos (Gaser et al., 2004). A esquizofrenia tem aspectos de ser um distúrbio da narrativa, porque frequentemente envolve a audição de vozes imaginárias fornecedoras de uma narrativa fantástica e desordenada (Saavedra et al. 2009).

Ouvir vozes como um sintoma da esquizofrenia está correlacionado com déficits de atenção em áreas específicas do cérebro (Gaser et al. 2004). A ruptura narrativa encontrada no transtorno do espectro do autismo também está relacionada a anomalias cerebrais (Losh e Gordon, 2014) (Pierce et al., 2001).

A psicologia narrativa também está relacionada ao conceito de enquadramento mental dos psicólogos (Kahneman e Tversky, 2000), Thaler (2015, 2016). Se pudermos criar uma história divertida, ela será recontada e poderá estabelecer um ponto de vista, um ponto de referência. Ela terá influência nas decisões.

Relaciona-se também com a heurística da representatividade de Kahneman e Tversky (1973), segundo a qual as pessoas formam suas expectativas com base na similaridade de circunstância em alguma história ou modelo idealizado. Elas tendem a negligenciar as probabilidades da taxa básica.

Os psicólogos observaram uma heurística afetiva, quando as pessoas passam por experimentos ou emoções fortes, como o medo. Elas tendem a estender seus sentimentos a acontecimentos não relacionados (Slovic et al., 2007).

Às vezes as pessoas notam fortes emoções ou medos sobre possibilidades sabidas, logicamente, não serem reais, sugerindo o cérebro ter múltiplos sistemas para avaliar risco. A hipótese de “risco como sentimento” relaciona algum sistema cerebral primitivo mais conectado a emoções palpáveis ​​como sua própria heurística para avaliar o risco (Lowenstein et al. 2001.)

Em trabalho conjunto com William Goetzmann e Dasol Kim (2016), usando dados de uma pesquisa por questionário, conduzida por Shiller com investidores institucionais e americanos de alta renda desde 1989, encontraram essas pessoas geralmente terem avaliações exageradas do risco de uma quebra no mercado de ações. Essas avaliações são influenciadas pelas notícias, especialmente as manchetes de primeira página, lidas por elas.

Uma descoberta intrigante foi um evento como um terremoto poder influenciar as estimativas da probabilidade de um crash no mercado de ações. Os entrevistados em sua pesquisa apresentaram probabilidades estatisticamente significativamente maiores de uma quebra no mercado de ações se houvesse um terremoto dentro de 30 milhas de seu CEP dentro de 30 dias, desencadeando a heurística do efeito.

Parece razoável supor os terremotos locais desencadearem narrativas locais com valência emocional negativa. Evidências análogas têm sido encontradas em eventos aparentemente irrelevantes, com potencial narrativo tendo efeitos sobre resultados econômicos ou políticos: o efeito dos resultados da Copa sobre a confiança econômica (Dohmen et al. 2006) e da música de fundo em propagandas sobre espectadores (Boltz et al. 1991).

A mídia de notícias, para a qual a sobrevivência de qualquer organização nunca é garantida em um mercado de notícias competitivo, deve se tornar adepta de administrar as notícias para fazer as narrativas trabalharem a seu favor. Além disso, a mídia de notícias embeleza as notícias enfatizadas com histórias de interesse humano.

Dado o grande e muitas vezes dramático grau de cobertura da mídia sobre desastres naturais e provocados pelo homem, além de crimes e histórias de interesse humano, parece claro os meios de comunicação acreditarem a cobertura de tais eventos resultar em aumento de vendas e atenção para seus novos produtos. No entanto, pouca atenção tem sido dada ao impacto de tais notícias em outras histórias na mesma publicação.

 

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