Debate entre o Individualismo Metodológico e o Holismo Metodológico

Por que a economia europeia está em recessão? Por que a taxa de natalidade na Tanzânia recentemente subiu? E por que as revoluções tendem a ser seguidas por fomes?

O debate metodológico do individualismo-holismo, segundo Julie Zahle e Finn Collin, editores do livro “Rethinking the Individualism-Holism Debate – Essays in the Philosophy of Social Science”, publicado pela editora Springer International Publishing (2014), é sobre o foco apropriado das explicações científicas avançadas em resposta a questões como essas. Mais especificamente, diz respeito ao grau no qual as explicações científicas sociais podem (e devem) focar nos indivíduos e nos fenômenos sociais, respectivamente.

A discussão assume várias formas. Entre estas, destacam-se duas:

  1. o debate sobre dispensabilidade, e
  2. o debate sobre microfundamentos.

O debate sobre a dispensabilidade gira em torno da questão de se argumentos individualistas (ou o nível individual) ou explicações holísticas (ou o nível social) podem, e devem, ser adotados dentro das Ciências Sociais.

Existem três posições básicas nesta questão:

  1. Individualismo metodológico: as explicações individualistas devem ser avançadas e as explicações holistas podem e devem ser dispensadas.
  2. Holismo metodológico forte: as explicações holistas devem ser oferecidas e as explicações individualistas podem, e devem, ser dispensadas.
  3. Holismo metodológico fraco: não apenas explicações individualistas, mas também holistas devem ser apresentadas; nem explicações individualistas nem holistas podem, e devem ser dispensadas.

Para melhor caracterizar o debate metodológico, é instrutivo ir mais além de quatro dimensões ao longo do qual o individualismo metodológico em particular e as posições holistas podem variar.

Para começar, posições específicas podem diferir a respeito à noção de explicação. Todas as teses do individualismo metodológico e o holismo metodológico expressam uma visão sobre qual é o foco apropriado da explicação. Por implicação, eles envolvem alguma visão de o que é uma explicação.

Em consonância com a tendência geral na Filosofia da Ciência, houve um ponto onde a maioria dos teóricos endossou o modelo de explicação da Lei de Cobertura. De acordo com este modelo, uma explicação científica assume a forma de um argumento dedutivo ou indutivo: mostra porque um evento sem explicação era esperado. Hoje, essa visão é raramente adotada, isto se alguma vez foi adotada no passado.

Em vez disso, se apela no debate a várias noções diferentes de explicação. Por exemplo, alguns participantes do debate abrangem o modelo erotético de explicação. Afirma uma explicação ser uma resposta a uma pergunta: por quê?

Outros subscrevem a visão de informação causal da explicação. Ela diz uma explicação fornecer informações sobre o processo causal, levando ao evento para o qual se busca explicação, e assim por diante.

Qualquer que seja sua noção de explicação, os participantes do debate metodológico fazem uma distinção entre explicações individualistas e holistas. É concordância comum as explicações individualistas girarem em torno de indivíduos, suas crenças, ações, etc. É consenso as explicações holistas estarem centradas nos fenômenos sociais tais como organizações sociais, estruturas e afins. Além deste ponto, no entanto, o acordo cessa: não há um consenso geral sobre como, mais precisamente, circunscrever explicações individualistas e holistas.

Aqui estão listados alguns dos problemas discutidos:

  1. Que tipos de relações e interações entre indivíduos podem e devem as explicações individualistas se referir?
  2. Uma explicação realmente qualifica-se como holista se descreve as regras e normas dentro de um grupo de indivíduos?
  3. As explicações individualistas só são permitidas ao se referir a indivíduos ou elas podem também descrever tipos de indivíduos?

O debate sobre a distinção apropriada entre as explicações individualistas e as holistas concentrou-se principalmente na categoria de explicações individualistas. Uma razão para isso provavelmente diz respeito a como o debate evoluiu: os individualistas metodológicos optaram por concepções cada vez mais amplas de explicações individualistas. Como tal, eles trouxeram continuamente a questão da circunscrição adequada dessas explicações.

Ambas as explicações individualistas e holistas podem ser divididas em diferentes tipos. E não surpreendentemente, existem várias concepções sobre o que constitui um tipo adequado ou satisfatório de explicação individualista ou holista.

Por exemplo, um tipo de explicação individualista altamente popular entre as metodologias individualistas são explicações informadas por modelos de escolha racional. Estes declaram como os indivíduos racionais agiram à luz de suas crenças e desejos. Outro tipo de explicação individualista consiste em relatos de ações de indivíduos por apelo às suas disposições para agir de determinadas maneiras em certas circunstâncias.

Trocando para explicações holísticas, a apresentação de contas nacionais ou sociais aponta para as propriedades estatísticas dos grupos. Elas têm sido muito prevalentes entre os holistas metodológicos. Essas explicações especificam como as organizações sociais trazem vários efeitos de rede.

Escusado será dizer existirem várias maneiras mais ou menos minuciosas como critérios para diferenciar os tipos de explicações individualistas e holistas. Deveria ser salientada a rejeição da adequação de, digamos, explicações informadas por Teoria da Escolha ou explicações por recurso a propriedades estatísticas. Elas não equivalem a uma refutação do individualismo metodológico ou holismo como tal.  Tudo isso equivale ao repúdio da adequação de um tipo particular de explicação individualista ou holista.

Concepções de explicações individualistas e / ou holísticas adequadas tipicamente vão junto com uma preferência pelo uso de uma ou várias formas de explicações.

Três formas de explicações comumente mencionadas podem ser chamadas de:

  1. explicações funcionais,
  2. explicações intencionais e
  3. explicações causais diretas.

No passado, os holistas metodológicos frequentemente favoreciam o uso de explicações funcionais. Assim, eles explicaram a existência continuada de vários fenômenos sociais por referência à sua função, ou efeito, em alguma sociedade. Por contraste, os individualistas metodológicos frequentemente fazem uso de explicações intencionais: eles explicam as ações recorrendo às razões ou motivações dos indivíduos para fazerem essas ações.

Hoje, as explicações funcionais e intencionais são muitas vezes consideradas espécies de explicações causais ao ser contrastado com explicações causais diretas. Quando aplicado a causalidade direta das explicações por holistas metodológicos, eles dizem, por exemplo, o aumento do desemprego ter causado um aumento do crime.

Mais uma vez, classificações diferentes e mais refinadas de formas de explicação também foram sugeridas.

Como essas considerações revelam, existe uma variedade de maneiras pelas quais posições individualistas e holistas podem diferir. É possível distinguir entre posições individualistas e holistas particulares quanto à:

  1. sua noção de explicação,
  2. sua distinção entre explicações individualistas e holistas,
  3. sua concepção de o que constitui tipos adequados de explicação individualista e holista, e
  4. sua preferência quando se trata de diferentes formas de explicação.

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