Processo de Disseminação de Pensamento Econômico de Vanguarda

Em “The Changing Face of Mainstream Economics”, escrito por David Colander, Ric Holt e Barkley Rosser (Middlebury College Economics Discussion Paper No. 03-27 – Department Of Economics – Middlebury College – http://www.middlebury.edu/~econ, November 2003), os coautores sugerem: quando uma ideia é expressa em um modelo aceitável, o processo de disseminação é longo e prolongado. Funciona ao longo das seguintes etapas.

O trabalho na ponta geralmente aparece primeiro em documentos de trabalho apresentados em seminários de pós-graduação e oficinas incubadoras de novas ideias em Economia, embora às vezes essas ideias sejam inicialmente geradas por pessoas fora desses seminários. As ideias nesses documentos de trabalho gerarão discussões entre os professores em escolas de pós-graduação.

Algumas serão banidas sumariamente [muitas pelo argumento ad hominem (ao homem): desqualificação do interlocutor 
por não ser especialista ou 
por juízo negativo de suas intenções, atacando a pessoa, em vez da 
opinião dela, com a intenção de 
desviar a discussão e desacreditar a proposta desse oponente].

Outras serão tentativamente aceitas, e mencionadas aos professores de outras escolas. Algumas ideias geram um burburinho e, quando isso acontece, atrairá um interesse intenso. Aliás, isso geralmente ocorre antes da publicação.

Eventualmente, a ideia pode ser publicada em um dos principais periódicos ranqueados, mas essa publicação é frequentemente um processo de demarcação de lápides sobre apropriação da ideia alheia em vez de uma disseminação da nova ideia. A difusão da ideia em toda a elite da profissão já terá ocorrido, provavelmente, embora às vezes uma ideia seja publicada e não ser notada até algum tempo depois.

Enquanto esse processo está ocorrendo, o texto para discussão ou artigo aparecerá no núcleo do programa de pós-graduação e, eventualmente, percorre o seu caminho até livros lidos na pós-graduação. Este processo, desde a concepção da ideia até formar livros-texto, pode levar até dez anos. Livros didáticos de graduação geralmente levam de cinco a dez anos para incluir essas ideias vanguardistas, embora eles possam aparecer como um anexo suplementar ou em algum parágrafo adicionado antes disso.

Os livros de Introdução à Economia levam mais cinco a dez anos para realmente incorporar a ideia de vanguarda como um ponto central, embora, como seus colegas de nível de pós-graduação, eles possam adicioná-los adendos para parecerem modernos.

Há um paradoxo nesse processo de difusão. Quanto mais central a ideia, menos provável ser incluída de forma central nos textos. Por exemplo, a complexidade sugere toda a concepção de equilíbrio em uma economia necessitar ser reconsiderada. A economia experimental sugere toda a abordagem para pensar sobre a mistura apropriada de indução e dedução necessitar ser repensada. Tal reconsideração e repensar provavelmente mudariam o modo como todos os livros didáticos são estruturados e a maneira como os cursos são ministrados.

Tais mudanças importantes são improváveis aparecerem mesmo com as longas defasagens apresentadas [até mesmo em função das lucrativas e cômodas reedições]. Em vez disso, elas serão simplesmente adicionadas como um adendo ao núcleo existente. (Para uma discussão dessas questões, ver Colander, 2000b)

Portanto, mudanças se assemelham mais ao tipo de mudanças discutidas por Kuhn em sua análise do paradigma de mudanças, mesmo quando a mudança tenha ocorrido dessa maneira mais gradualista, descrita por Colander, Holt e Rosser (2003).

Por que o enorme atraso? A razão é os professores realmente ensinarem na maioria dos cursos só o já conhecido amplamente pelos colegas da profissão. Eles se sentem mais confortáveis em ​​ensinar o que eles estudaram. Por razão mercadológica, a indústria editorial publica para essa maioria. O professor médio de graduação fica por fora de novas ideias por um longo período de tempo. Os livros didáticos têm como público-alvo esse professor médio. Geralmente, estará mais confortável ao ensinar material mais antigo como o núcleo do curso, mesmo com material novo divulgado por toda parte.

O material de vanguarda aparece em cursos de nível superior [em ensino de excelência] primeiro porque quanto maior o nível do curso, mais provável é um especialista na área de vanguarda estar ensinando no curso. Naturalmente, é mais provável esse especialista se sentir mais confortável, incluindo os novos desenvolvimentos teóricos.

Este longo atraso não deve ser visto como um desperdício completo. Ele também serve uma função útil em fornecer um processo de filtragem possível de eliminar parte dessas ideias aparentemente maravilhosas, mas nada além de apenas modismos.

Por exemplo, o modelo keynesiano IS / LM permaneceu como o núcleo de muitos textos para graduação, mesmo depois de ter sido excluído do ensinado nas escolas de pós-graduação em nome de uma Macroeconomia Aberta com IS-LM-BP. Novos livros com a nova abordagem da pós-graduação foram publicados, mas, em geral, eles não foram logo adotados no nível de graduação.

Essa falta de atualização dos textos de graduação reflete a incerteza com a qual muitos na profissão, dentro do mainstream, tanto em nível de graduação quanto em pós-graduação, viram como uma “revolução” a colocação das expectativas racionais como fundamentos microeconômicos em Macroeconomia. Embora tenha sido uma extensão lógica da premissa de racionalidade da Microeconomia, não parecia razoável para muitos, sugerindo algo estar errado com os modelos baseados nessa hipótese forte.

Por essa razão, a revolução das expectativas racionais levou a trabalhar naquilo possível de ser chamado de revolução da complexidade. Ela está se esforçando para fornecer bases mais fortes para modelos macroeconômicos em geral. Este trabalho começa a partir do pressuposto de racionalidade, mas considera seriamente os problemas da definição da racionalidade em ambiente complexo. Quando há problemas, aceita o ambiente complexo como seu ponto de referência, em vez de simplificar o ambiente com abstrações de dimensões de sua realidade.

Os atrasos nesse processo podem levar a situações quando uma ideia é vista como “um chapéu um pouco velho”, em termos da elite do mainstream, mas pode finalmente estar aparecendo em livro didático de Introdução à Economia. Os livros didáticos, especialmente em textos de baixo nível, refletem não a diversidade de pontos de vista aceitável para o mainstream, mas em vez disso, refletem uma posição ortodoxa mais antiga.

Outra importante comparação entre o mainstream e a ortodoxia é os economistas, trabalhando dentro do mainstream, podem encontrar seus pontos de vista em evolução. Eles podem estar trabalhando com uma abordagem particular, mas depois mudar.

Considere, por exemplo, as expectativas racionais e o novo-classicismo em Macroeconomia. Um dos primeiros desenvolvedores de expectativas racionais, Leonard Rapping, modificou seus pontos de vista de forma significativa e se tornou um economista heterodoxo líder antes de sua morte prematura.

Outro exemplo é Thomas Sargent, uma das principais figuras na aplicação de expectativas racionais à macroeconomia. Como resultado de visitar o Instituto de Santa Fé, ele veio abjurar uma visão estrita de expectativas racionais (Sargent, 1993). Seu mais recente trabalho com Lars Hansen e outros (Hansen e Sargent, 2000) tentou fornecer abordagens quantitativas para lidar com a incerteza knightiana. Assim, ele saiu da ortodoxia, mas manteve-se no mainstream, embora esteja à beira da “borda da Economia”, isto é, na vanguarda teórica.

Como deve ficar claro a partir da discussão acima, na opinião dos coautores, a borda é onde a ação de vanguarda renovadora está na profissão. Se o que funciona na borda é considerado heterodoxo ou mainstream é principalmente uma questão de tendência do indivíduo para se encaixar dentro do mainstream existente, e o grau de ataque direto, ao invés de criticar suavemente, o trabalho da elite.

Deveria ser apontado: o trabalho na borda [vanguarda] tem seus problemas, especialmente para aqueles cuja propensão é para atacar, ao invés de trabalhar dentro do campo existente. Portanto, ele se coloca na heterodoxia. Eles enfrentam problemas sociológicos significativos de conseguir aceitação do mainstream estabelecido.

Economistas considerados heterodoxos acham difícil receber financiamento para o seu trabalho. Assim, eles são excluídos do processo de tomada de decisão nas universidades. Para aqueles envolvidos no trabalho na ponta, mas permanecendo no mainstream, este problema sociológico não os afeta, embora também muitas vezes se encontrem em desacordo com aqueles em torno deles, em diferentes graus, quando eles pressionam contra as limitações do mainstream.

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