Fases do Ciclo Clássico da Dívida Deflacionária

O gráfico acima ilustra os sete estágios de um ciclo arquetípico de dívida de longo prazo, acompanhando a dívida total da economia como uma porcentagem da renda total da economia (PIB) e o montante total dos pagamentos de serviço da dívida em relação ao PIB período de 12 anos.

Ao longo desta seção, Ray Dalio, no livro “Crise da Grande Dívida” ([“Big Debt Crises”] Bridgewater; sept 2018), incluirá gráficos de “arquétipo” semelhantes. Eles são construídos pela média dos casos de desalavancagem deflacionária. Os gráficos de arquétipo são sensíveis a outliers, especialmente para métricas como a inflação, quando variam muito. Para cada gráfico, Dalio excluíu, aproximadamente, o terceiro dos casos menos relacionados com a média.

1) Parte inicial do ciclo

Na parte inicial do ciclo, a dívida não está crescendo mais rapidamente se comparada à renda, embora o crescimento da dívida seja forte. Isso porque o crescimento da dívida está sendo usado para financiar atividades capazes de produzirem rápido crescimento de renda.

Por exemplo, o dinheiro emprestado pode ser usado para expandir um negócio e torná-lo mais produtivo, apoiando o crescimento das receitas. Os encargos da dívida são baixos e os balanços patrimoniais são saudáveis, de modo ainda haver muito espaço para o setor privado, o governo e os bancos se alavancarem. O crescimento da dívida, o crescimento econômico e a inflação não são nem muito quentes nem muito frios. Isso é o que é chamado de período “Goldilocks”.

2) Bolha

Na primeira fase da bolha, as dívidas aumentam mais rapidamente se comparadas ao crescimento dos rendimentos e eles produzem retornos de ativos e crescimento acelerados. Esse processo é geralmente auto reforçado por conta da renda crescente, logo, o patrimônio líquido e os valores dos ativos aumentam a capacidade dos tomadores de empréstimo de pedir emprestado.

Isso acontece porque os credores determinam quanto podem emprestar com base em:

1) na receita projetada / fluxos de caixa dos tomadores de empréstimo para atender a dívida,

2) patrimônio líquido / garantia, aumenta quando os preços dos ativos sobem, e

3) suas próprias capacidades de emprestar.

Todos estes fatores se elevam juntos. Embora esse conjunto de condições não seja sustentável porque as taxas de crescimento da dívida estão aumentando mais rapidamente em lugar das receitas necessárias para atendê-las, os mutuários se sentem ricos, gastam mais além do ganhado e compram ativos a preços elevados com alavancagem. Veja um exemplo de como isso acontece:

Suponha que você ganhe US $ 50.000 por ano e tenha um patrimônio líquido de US $ 50.000. Você tem a capacidade de emprestar US $ 10.000 por ano, portanto, pode gastar US $ 60.000 por ano durante alguns anos, mesmo ganhando apenas US $ 50.000.

Para uma economia como um todo, o aumento de empréstimos e gastos pode levar a rendas mais altas e ao aumento das avaliações de ações e outros valores de ativos, dando às pessoas mais garantias contra as quais pedir empréstimos. As pessoas, então, tomam empréstimos cada vez mais. Enquanto o empréstimo impulsiona o crescimento, ele é acessível.

Nesta parte ascendente do ciclo de dívida de longo prazo, as promessas de entregar dinheiro (isto é, encargos da dívida) aumentam em relação à oferta de dinheiro na economia global e à quantidade de dinheiro e devedores de crédito com entrada via rendas, empréstimos e vendas de ativos. Essa onda de alta tipicamente continua por décadas, com variações principalmente devido a apertos periódicos e facilidades de crédito dos Bancos Centrais. Estes são ciclos de dívida de curto prazo. Muitos deles geralmente somam-se a um ciclo de dívida de longo prazo.

Uma razão fundamental para o ciclo de longo prazo da dívida ser sustentado por tanto tempo é os bancos centrais progressivamente baixarem as taxas de juros, o que eleva os preços dos ativos e, por sua vez, a riqueza das pessoas, devido ao efeito valor presente provocado pela redução das taxas de juros sobre os preços dos ativos.

Isso impede o ônus do serviço da dívida aumentar, e reduz o custo do pagamento mensal de itens comprados a crédito. Mas isso não pode durar para sempre. Eventualmente, os pagamentos do serviço da dívida se tornam iguais ou maiores se comparado ao montante possível de os devedores tomarem emprestado, e as dívidas, ou seja, as promessas para devolução do dinheiro, tornam-se muito grandes em relação à quantidade de dinheiro existente para dar ao credor.

Quando as promessas de entregar dinheiro (ou seja, a dívida) não podem aumentar mais em relação ao dinheiro e ao crédito registrados em “entrada”, o processo funciona ao contrário e a desalavancagem começa. Como o endividamento é simplesmente uma maneira de levar os gastos adiante, a pessoa capaz de gastar US $ 60.000 por ano e ganha US $ 50.000 por ano, mas tem de reduzir seus gastos para US $ 40.000 por tantos anos quanto ele gastou US $ 60.000, tudo o mais sendo igual.

Embora seja uma simplificação excessiva, essa é a dinâmica essencial capaz de impulsionar a inflação e a deflação de uma bolha.

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