Estresse Financeiro

Ana Conceição (Valor, 20/08/19) informa: mais de um quarto dos consumidores de baixa renda estão sob estresse financeiro, ou seja, se endividando ou “queimando” reservas para pagar contas do dia a dia, como de água e luz, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em julho, 26% dos consumidores com salários de até R$ 2.100 mensais estão nessa condição, mostra o Indicador de Estresse Financeiro, apurado mensalmente pela instituição.

Entre os com salário acima de R$ 9.600, o percentual é menor, de 16,3%. Nas faixas intermediárias, o indicador variou de 27% (até R$ 4.800) a 24% (até R$ 9.600).

Na média, 23% dos consumidores estavam se endividando ou reduzindo poupança para pagar despesas correntes em julho, ante 24% no mesmo período do ano passado, contra uma média histórica de 19,6%.

Embora os percentuais estejam um pouco abaixo da mesma época em 2018, o indicador está num nível muito alto.

A queda em relação ao ano passado é pequena e é recente. O indicador atingiu seu ponto máximo deste ano em maio. A demora na reação do mercado de trabalho torna mais difícil colocar o orçamento doméstico em ordem. A taxa de desemprego foi de 12% no segundo trimestre deste ano, pouco menor que os 12,4% de igual período de 2018. São 12,8 milhões de desempregados.

As famílias têm tentado fazer frente às despesas básicas, mas, segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) para a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), a inadimplência com contas de água e luz é a que mais tem crescido neste ano. Em junho, dado mais recente, houve alta de 17% ante igual período do no passado, entre os que responderam estar inadimplentes com essas contas. De acordo com o SPC, os débitos com as empresas concessionárias de serviços básicos como água e luz representam 10% das dívidas não pagas no país.

Pesquisas dos birôs de crédito também apontam as dívidas caras e de curto prazo, como aquelas com os cartões de crédito e os carnês, serem citadas por consumidores como as mais recorrentes. Segundo dados do Banco Central, as concessões no cartão de crédito parcelado cresceram 31% neste ano.

Para os consumidores de baixa renda é mais difícil se organizar financeiramente. O orçamento dessas famílias está geralmente quase que todo comprometido com despesas básicas.

Não por acaso, a confiança do consumidor de menor renda é a mais baixa, segundo a Sondagem da FGV. Na pesquisa de julho, enquanto o índice de quem ganha até R$ 2.100 marcava 84,3 pontos, entre os que ganham acima de R$ 9.600 era de 93 pontos. Ambos, contudo, ainda seguem na linha do pessimismo, abaixo de 100. Para o consumidor de baixa renda, a preocupação com o mercado de trabalho e com a situação financeira familiar são ainda os fatores de maior peso a determinar os movimentos da confiança neste ano.

A melhora dos indicadores da baixa renda depende da inclusão de mais pessoas das famílias no mercado de trabalho.

Consumidor inadimplente deve, em média, pouco mais de R$ 3.200; Sudeste e contas de água e luz estão na dianteira dos atrasos em junho. Maioria dos devedores está na faixa dos 30 anos

Dados apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram: após atingir crescimento recorde no auge da recessão econômica, a inadimplência do consumidor dá sinais de desaceleração. O volume de atrasos no primeiro semestre de 2019 cresceu 0,9% na comparação com o final do ano passado. Trata-se da segunda menor variação nos atrasos desde 2012, quando a inadimplência havia crescido 5,8% no primeiro semestre daquele ano. Já em 2017, o crescimento observado fora muito semelhante ao deste ano, com alta de 0,8%.

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Considerando apenas o mês de junho, o volume de consumidores com contas sem pagar e registrados em listas de inadimplentes também apresentou um crescimento mais modesto: alta de 1,7% frente a junho de 2018. É o menor avanço na base anual de comparação desde dezembro de 2017 (1,3%).

A inadimplência apresentar crescimento a taxas mais modestas é um fator positivo. Ela acompanha a lenta recuperação da economia, mas o estoque de pessoas com contas em atraso e que enfrentam dificuldades para voltar ao mercado de crédito ainda é muito elevado. Até abril deste ano eram 62,6 milhões de pessoas nessa situação, o que representa quase 41% da população adulta.

O ano de 2019 vem frustrando as expectativas. A promessa era haver uma consolidação no processo de retomada econômica com reflexo positivo no dia a dia dos consumidores. Embora os juros estejam menores e a inflação dentro da meta, o desemprego ainda é elevado e acaba reduzindo tanto a capacidade de pagamento das famílias, quanto o apetite as compras. A recuperação está mais lenta em relação ao esperado e as projeções mostram um segundo semestre ainda tímido para as finanças do brasileiro. A expectativa é de a inadimplência começar a apresentar recuos a partir de 2020.

Inadimplência avança mais no Sudeste, com alta de 3,4%. Um quarto das pessoas que devem está na faixa dos 30 anos

Dados mais detalhados do indicador revelam que houve alta na quantidade de consumidores em três das cinco regiões do pais. A mais acentuada foi na região Sudeste, cujo crescimento foi de 3,4% em junho frente ao mesmo período do ano passado. Em segundo lugar ficou a região Norte, que apresentou alta de 2,2% na quantidade de devedores, seguida do Sul, que teve crescimento de 1,79%. Com exceção do Norte, todas essas regiões também apresentaram desaceleração nos atrasos. Já no caso das regiões Nordeste e Centro-Oeste, foram observados recuos de -0,6% e -0,3%, respectivamente.

Quanto a faixa etária, o indicador revela que houve queda da inadimplência entre a população mais jovem, enquanto o número de atrasos aumentou entre os brasileiros de idade mais elevada. Na faixa dos 18 aos 24 anos, a queda foi de -22,7% e na faixa dos 25 aos 29 anos, o recuo foi de -9,1%. Na faixa que abrange pessoas de 30 a 39 anos, a inadimplência ficou praticamente estável (-0,8%). O maior crescimento no atraso de contas foi observado na população idosa, que varia de 65 aos 84 anos, cuja alta foi de 7,5%. Em seguida aparecem os consumidores de 50 a 64 anos (3,9%) e de 40 a 49 anos (2,8%).

Do total de consumidores que têm contas em atraso no país, um quarto (25%) está na casa dos 30 anos, fase da vida em que as pessoas tendem a assumir mais compromissos financeiros, como casamento, filhos e despesas domésticas. Os idosos acima dos 65 anos formam 10% do universo total de inadimplentes, ao passo que jovens de até 24 anos somam 4% dos que estão nessa situação.

Inadimplente deve, em média, aproximadamente R$ 3.250. Contas básicas de água e luz lideram ranking de atrasos

O indicador ainda revela que o valor médio da dívida do brasileiro se manteve praticamente estável na passagem de maio para junho. Somando todas as pendências, cada consumidor inadimplente deve, em média, R$ 3.252,70 – cifra -0,4% inferior ao constatado no mês anterior (R$ 3.239,48). O valor representa quase três vezes e meia o salário mínimo no país (R$ 998,00). Em média, cada devedor tem duas contas em aberto.

Em junho deste ano na comparação com 2018, houve uma queda de 1,0% no volume de dívidas contraídas em nome de pessoas físicas. Trata-se da sexta queda consecutiva na série histórica do indicador. As despesas básicas para o funcionamento do lar, como contas de água e luz foram as que mais cresceram em junho de 2019, com alta de 17,2% na base anual de comparação. As dívidas bancárias, como cartão de crédito, cheque especial, financiamentos e empréstimos tiveram alta de 2,7%. Já as compras realizadas no carnê ou crediário em estabelecimentos comerciais caíram -5,2%, enquanto os atrasos em contas de internet, TV por assinatura e serviços de telefonia despencaram -20,3% no período.

De acordo com o indicador do SPC Brasil, mais da metade das dívidas pendentes (53%) de pessoas físicas no país têm como credor algum banco ou instituição financeira. A segunda maior representatividade fica por conta do comércio, que concentra 17% do total de dívidas não pagas, seguido pelo setor de comunicação (11%). Os débitos com as empresas concessionárias de serviços básicos como água e luz representam 10% das dívidas não pagas no Brasil.

“Para evitar o chamado efeito ‘bola de leve’, o consumidor deve priorizar o pagamento de dívidas com juros mais elevados, que geralmente, são as dívidas bancárias. É preocupante que esse segmento represente a maior fatia das contas em aberto no país. Uma opção que pode ser analisada em certos casos é a substituição da dívida por uma outra que cobra juros mais baixos, como é o caso do consignado”, orienta o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.

Metodologia

O indicador de inadimplência do consumidor sumariza todas as informações disponíveis nas bases de dados às quais o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) têm acesso. As informações disponíveis referem-se a capitais e interior das 27 unidades da federação.
Baixe a íntegra do indicador e a série histórica em https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/indices-economicos

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