Influência dos Banqueiros nos Estados Unidos no Início do Século XX

Charles R. Geisset, em seu livro Wall Street: A History from its beginnings to the fall of ENRON –, publicado pela Oxford University Press em 1997 (e reeditado em 2004), narra: há setenta e tantos anos os poderosos bancos já existiam, quando houve o surto de novos bancos durante a Primeira Guerra Mundial. As descrições de suas glórias pareceriam desproporcionais ao curto tempo de existência. Rapidamente, vieram a público suas histórias relativamente curtas. O adjetivo “ótimo” foi aplicado aos principais bancos de Nova York. As famílias capazes de os liderarem eram chamadas de “dinastias”.

A dominação desses bancos sobre certas partes da economia era tão completa a ponto de apenas uma piscadela ou um aceno de um banqueiro de investimento ser necessário para fazer ou quebrar um acordo. Muitos dos banqueiros privados ainda não publicavam demonstrações financeiras para seus clientes não saberem realmente de sua condição financeira. Eles tinham plena fé nos bancos com base unicamente na reputação e na palavra boca-a-boca. Devido a esse Efeito Halo, muitos banqueiros compararam-se às grandes famílias bancárias da Europa: os Medici em Florença do século XVI ou os Rothschilds na Grã-Bretanha do século XIX.

Os nomes dinásticos eram normalmente associados aos bancos privados e casas de bancos de investimento: J. P. Morgan, Kidder, Peabody, Kuhn Loeb, Lehman Brothers, Seligman, Brown Brothers e Harriman Brothers. Os maiores bancos comerciais, notadamente, o National City Bank e o First National, ambos localizados na cidade de Nova York, também foram destaques. Os nomes de seus executivos dominavam as rodas de conversas no setor bancário – em alguns casos, mais além dos banqueiros privados acionistas majoritários. Estes preferiam permanecer relativamente anônimos. George Baker, do First National, James Stillman e, mais tarde na década de 1920, Charles Mitchell, do National City Bank, estava entre os mais conhecidos.

Mas esses indivíduos eram mais do que nomes famosos no negócio do setor bancário. Eles também eram membros do Money Trust [fundo fiduciário], um grupo controlador das rédeas do crédito no país quase exclusivamente. O termo foi cunhado pelo congressista Charles A. Lindbergh Jr. de Minnesota e se tornou uma palavra familiar nos anos anteriores à Primeira Guerra Mundial. Eles forneciam crédito a empresas, faziam os lançamentos de ofertas primárias de títulos e ações para elas, e possuíam participações extensivas em Conselhos de Administração corporativos, garantindo-lhes uma forte aderência às políticas das corporações industriais americanas.

Sem o acesso aos banqueiros, para chegar ao dinheiro, a indústria não teria conseguido se expandir tão rapidamente quanto no fim do século XIX e início do século XX. Mas, como detratores observam, o dinheiro pouco fez para desenvolver negócios e novas ideias. Simplesmente, ajudou os banqueiros a acumular poder econômico concentrado às custas daqueles fundadores e dirigentes dos negócios financiados. As recordações sobre Jay Cooke haviam desaparecido.

No início desse século XX, os banqueiros foram responsáveis ​​por estimular acordos conjuntos capazes de levar à rápida centralização de muitas empresas e concentração de capital. Atuando como principal agente intermediário em muitos negócios, eles ajudaram a racionalizar a indústria em grandes holdings, muitas delas com vastas conexões e poder.

A indústria de serviços públicos, ferrovias, o sistema telefônico em rápido desenvolvimento e o setor de seguros foram apenas alguns exemplos. Usando holdings, atuantes como controladoras, muitas empresas maiores começaram a engolir as menores com fundos fornecidos por seus banqueiros. Elas também emitiram títulos e valores mobiliários para financiar esses negócios e, em muitos casos, seus banqueiros também investiram nos negócios, além de subscrevê-los.

Muitas vezes, muitas das holdings estavam relacionadas entre si, embora não oficialmente no papel, uma vez que compartilhavam diretores e banqueiros.

As holdings apareceram primeiro em Ohio. Lá Rockefeller fundou a Standard Oil, mas mudou-se para Nova Jersey, quando o estado permitiu as corporações manter ações uma das outras. Antes desse período, as leis estaduais limitavam o compartilhamento da propriedade de indivíduos como um método de controle de monopólios.

Esse princípio de holding iniciou uma revolução na organização industrial e financeira americana. Foi amplamente usado para evitar o Sherman Anti-Trust Act, após este ter sido aprovado em 1890. Escondendo-se sob o guarda-chuva de uma holding company, muitas empresas conseguiram comprar as ações umas das outras, disfarçando a verdadeira propriedade. As empresas conseguiram adquirir outras, no mesmo negócio, sem levantar muitas “sobrancelhas vigilantes”. Processos nos termos da Lei Sherman seria difícil, porque seria demorado para determinar qual empresa possuía outra.

A mesma forma de organização foi amplamente utilizada no negócio de valores mobiliários para evitar concentrações visíveis de poder financeiro. Bancos, proibidos de deterem participação acionária em outras empresas, organizadas em holdings, permitiram suas subsidiárias recém-fundadas participarem do negócio de valores mobiliários.

A mais conhecida de todas as subsidiárias de valores mobiliários antes da Primeira Guerra Mundial foi a National City Company, de propriedade da National City Bank of New York. A J. P. Morgan e a subsidiária da empresa Drexel foram localizadas fora de Nova York, na Filadélfia. Originalmente organizadas para se aventurarem em território previamente proibido, após 1916, as subsidiárias eram suspeitas de serem usadas para evitar o pagamento de imposto de renda. O mesmo manto de mistério, mascarando a verdadeira propriedade corporativa, também poderia ser usada para ocultar impostos devidos por indivíduos.

Poucos argumentariam com base nos efeitos econômicos positivos dessas fusões. Elas tornaram a indústria americana mais eficiente em muitos aspectos. Por sua participação decisiva na Primeira Guerra Mundial, o país começou a emergir como o poder econômico internacional dominante. Mas muitas objeções começaram a ser levantadas sobre a maneira como esses negócios foram realizados e realizados questionamentos a respeito da solidez das práticas bancárias financiadoras.

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