Diversificação de Portfólio: Composição de Segurança, Liquidez ou Rentabilidade

Fernando Torres (Valor, 25/09/19) adverte: nenhum fundo DI ou de renda fixa de curto prazo vendido pelos cinco maiores bancos do país ao público de varejo, com aplicações mínimas de R$ 1 mil, vai superar o IPCA previsto para os próximos 12 meses.

O motivo é nenhum desses produtos possuir taxa de administração inferior a 1% ao ano, o que inviabiliza rentabilidade real no cenário com Selic a 5,50% e ainda menor nos próximos meses.

Isso deixa para o investidor brasileiro basicamente duas opções não excludentes.

A primeira é abrir contas em plataformas de investimento. No mínimo para ter opções mais baratas para se guardar o dinheiro da reserva de emergência – aquela parte do dinheiro disponível para saque a qualquer momento, mas sempre rendendo acima da inflação.

A segunda é o investidor diante do cenário atual de Selic na mínima histórica, é aceitar correr mais risco nos seus investimentos. Aí há uma série de considerações para se fazer. A observação do gráfico acima vai ajudar nessa tarefa.

Quando os especialistas em investimento recomendam a troca da poupança pelo Tesouro Selic, o título mais conservador entre aqueles do Tesouro Direto, o investidor sai da linha laranja, representando escadinha da poupança (ela só rende nos “aniversários mensais”) pela linha reta inclinada amarela, representando a acumulação diária da Selic, já descontado o IR de 15%.

Como se observa, essa troca em si já gerou uma diferença próxima a 1 ponto percentual, até data do gráfico, na rentabilidade de quem investiu no Tesouro Selic, em comparação com quem ficou na caderneta. É uma diferença da qual o investidor não deve abrir mão, sustentam os especialistas, porque é uma aplicação tão acessível quanto a poupança e de risco de crédito menor.

Porém, quando se confronta a taxa de juros atual com a inflação prevista para os próximos 12 meses, estamos com o menor juro real da história, de 1,37%. E esse patamar de retorno, com grandes chances, não será suficiente para gerar o montante necessário para se ter uma boa aposentadoria.

Isso significa o investidor ter de se preparar para sair também da linha amarela do gráfico, ou seja, da segurança da “reta do Tesouro Selic”. O que alguns brasileiros vem fazendo (e que outros acham que estão sendo convidados a fazer) é trocar a escadinha da poupança pela curva azul escuro. Ela representa o comportamento do Ibovespa — com um desenho que se assemelha ao resultado de um exame de eletrocardiograma.

A curva azul claro representa o retorno acumulado do Tesouro IPCA+ 2024, título do Tesouro. Ele garante ao investidor a variação da inflação no período, mais uma taxa de juro real definida na data da compra. Quem compra esse papel pode ver o preço do título sacudir em alguns momentos (como evidencia o gráfico), mas sabe que, se carregar o investimento até o vencimento, terá assegurado o retorno real (acima da inflação) combinado desde o início. Atualmente, a taxa real embutida nesta aplicação é de 2,69% ao ano (cerca do dobro da taxa real de quem fica no Tesouro Selic, portanto).

Por fim, veja na linha verde do gráfico a representação do comportamento de uma carteira diversificada – o retorno acumulado de uma carteira com 50% em Tesouro Selic, 30% em Tesouro IPCA+ 2024 e 20% em Ibovespa.

Lu Aiko Otta (Valor, 26/09/19) informa: o Tesouro Direto segue atraindo novos investidores, mesmo com as taxas de juros em níveis historicamente baixos. Em agosto de 2019, o número de pessoas com aplicações até R$ 1 mil representou 67,46% do total da base de investidores, segundo balanço da Secretaria do Tesouro Nacional. “Este foi o maior percentual da série histórica, superando o recorde registrado em março de 2019 (65,05%)”, diz o documento.

O valor médio das operações, R$ 4.428,02, também foi o menor da série histórica. Em agosto, o total de investidores ativos cresceu 1,87% na comparação com julho, e atingiu a marca de 1.130.058 pessoas. Houve um acréscimo de 20.695 investidores nessa base. O número de pessoas cadastradas, não necessariamente com aplicações, avançou 4,9%, num total de 4,803 milhões de pessoas.

Em agosto, houve resgate líquido de R$ 126,39 milhões. As aplicações somaram R$ 1,98 bilhão e os resgates, R$ 2,10 bilhões. Do valor resgatado, R$ 1,95 bilhão foram recompras e R$ 149,31 milhões, vencimentos.

O Tesouro Selic segue no topo da preferência dos investidores. O valor aplicado no mês chegou a R$ 986,74 milhões, representando 49,96% das vendas. Os títulos indexados à inflação atraíram R$ 619,75 milhões em investimentos (31,38% do total) e as compras de prefixados chegaram a R$ 368,61 milhões (18,66% do total).

Os papéis mais procurados foram aqueles com vencimento entre cinco e dez anos, com 67,87% do total. Em seguida, os com vencimento acima de 10 anos (19,29%) e os de prazo mais curto, entre um e cinco anos, ficaram com 12,84%.

O valor total das aplicações do Tesouro Direto está em R$ 58,13 bilhões, um avanço de 0,56% sobre agosto de 2018.

Na composição do estoque, a maior parcela é de títulos atrelados a índices de preço, com R$ 27,88 bilhões (47,95% do total). Em seguida, vêm os indexados à Selic, com R$ 20,03 bilhões (34,45%), e os prefixados, que somaram R$ 10,23 bilhões (17,6%). O estoque está concentrado em títulos com vencimento entre um e cinco anos (51,24%).

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