Preceitos estritamente Pós-keynesianos

Continuo a tradução do artigo LAS CORRIENTES TEÓRICAS Y LOS FUNDAMENTOS DEL ANÁLISIS POST-KEYNESIANO, publicado na revista equatoriana Cuestiones Económicas Vol. 27, No. 2:2, 2017, de autoria de Jean-François Ponsot.

Um método histórico nos permite ir além na explicação dos fundamentos da PK. Para simplificar, a constituição de seu corpo teórico, depois da consolidação do paradigma pós-keynesiano, pode ser resumida na tabela acima.

A abordagem PK começa afirmando a economia de mercado ser imperfeita e ineficiente. Isso não tende a se corrigir automaticamente, com tendência a subutilizar e abusar das capacidades produtivas da economia. As empresas raramente trabalham com todo o seu potencial. Elas subutilizam sua usabilidade e produzem desemprego involuntário.

Como postulado central das Teorias do PK, a economia depende crucialmente da demanda efetiva, pouco importa o nível dos salários, tanto em curto como em longo prazo. Pelo contrário, são as antecipações dos empresários em relação ao nível futuro de demanda agregada (e, em seguida, decisões de investimentos) os determinantes do nível de demanda efetiva.

Grandes empresas, esses oligopólios dominantes nas nossas economias modernas, desde a concentração e a centralização de capital no fim do século XIX nos Estados Unidos, têm a capacidade de determinar preços, cancelando supostos benefícios da livre concorrência. Além de produzir instabilidade, esta última ideia de “o que deveria ser” não produz uma situação de equilíbrio onde coincide o uso pleno dos recursos de todos os “fatores de produção” (capital e trabalho). O mercado não se ajusta automaticamente, a intervenção do Estado é necessária pra enquadrá-los e, algumas vezes, regulá-los.

Embora exista uma teoria microeconômica da empresa e do consumidor, os PKs concentram suas análises no nível macroeconômico. Evitando a armadilha de sofismas de composição [o que é verdade para os indivíduos nem sempre se confirma para O Todo, isto é, em nível sistêmico], estimam os agregados permitirem explicar melhor o funcionamento da economia de mercado, onde o indivíduo é retirado de seu contexto social, histórico e institucional. Classes sociais (trabalhadores, empresários e locatários), como proprietários de empresas e bancos, são mais usadas ​​em análise sistêmica e/ou macroeconômica em lugar de “o indivíduo representativo”.

Essa abordagem rejeita a necessidade de fundamentos microeconômicos da macroeconomia, muitas vezes avançada por abordagens ortodoxas, consistindo em explicar, a ver, ou a justificar as relações macroeconômicas, a partir das escolhas pressupostas racionais dos indivíduos componentes da sociedade. [Por conta da elevada autoestima, superestimam a burrice natural humana face à inteligência artificial captadora via algoritmos de padrões comportamentais dos seres humanos auto imaginados racionais e inteligentes…]

No final, cinco pressupostos epistemológicos, ontológicos e metodológicos reúnem os PKs e os distinguem de outros economistas heterodoxos:

  1. a) A importância do princípio da demanda efetiva. Demanda global é a principal força determinante do produto e o nível de emprego. A dinâmica econômica – variações ao longo do tempo – é ditada pela demanda oscilante em curto e longo prazo.

Outra maneira de manter o princípio da demanda efetiva é considerar o investimento ser autônomo em relação às escolhas intertemporais de racionalidade familiar sempre sublinhando a relação causal entre S e I, isto é, Poupança e Investimento – ou parcimônia antes e ganância depois. Risos… os conservadores esquecem do crédito!

  1. b) A predominância de incerteza radical ou fundamental. Os agentes interagem em um universo não ergódico (Davidson, 1982).
  2. c) O terceiro preceito deriva diretamente do anterior: tempo histórico irreversível – uma Lei Física – caracteriza os processos econômicos. Como mostrou Kaldor (1985), uma vez que a economia real é dinâmica (vai mais além da estática abstrata), os processos de ajuste para alcançar um novo ponto de equilíbrio afetam diretamente os agentes econômicos. Causalidade e dependência acumuladas para o caminho (“dependência do caminho” ou path dependence) não permitem assumir o caminho reverso produzir o mesmo resultado. O processo de ajuste pode produzir diferentes “pontos de equilíbrio”, através do efeito da histerese. [Random Walk e Path Dependence permitem pensar dependência de trajetória caótica? Se não, esqueça esses conceitos…]
  3. d) A estrutura de análise é a de uma economia monetária de produção. A moeda está altamente ligada à produção de acordo com a hipótese de endogeneidade da oferta de moeda (Moore 1988, Rochon & Rossi 2013, Monvoisin 2006). A moeda não é tão neutra quanto no curto quanto no longo prazo. No contexto de incerteza radical, contratos, dívidas e ativos são definidos em unidade monetária.
  4. e) A importância dos conflitos distributivos está na distribuição de renda – economistas ortodoxos e heterodoxos pouco pensam em concentração da riqueza, isto é, refletem sobre fluxos e não sobre estoques acumulados ao longo do tempo por soma cumulativa de fluxos.

Aliás, tanto os ortodoxos, quanto muitos economistas “heterodoxos”, comodamente, preferem enfrentar o debate teórico acadêmico em vez do público aplicado…

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