Capitalismo Financeiro como Sistema Complexo e Dinâmico: Em Comemoração dos 10 Anos do Blog Cidadania & Cultura

Hoje, data de aniversário do meu pai  (98 anos caso estivesse vivo), comemoro os dez anos deste meu blog pessoal. Não poderia imaginar, em 22 de janeiro de 2010, ir tão longe. Por que se prolongou por toda essa década?

Sem dúvida, por eu ter prazer em o alimentar com novo conhecimento, adquirido a cada dia, para o compartilhar com outras pessoas eventualmente interessadas. Foram postados 8.836 Artigos, classificados em 69 Categorias e 25 Etiquetas. Receberam 8.232.225 visualizações e 9.111 comentários. Há 1.732 Seguidores no site e 673 no Twitter.

Este blog pessoal constitui um banco de dados para meu proveito em preparar aulas e palestras, além de possibilitar escrever com base nessas fontes, motivado por acessá-lo facilmente. Eu já não teria memória mental para guardar tantas informações.

Enquanto estiver em vida intelectual ativa, penso em mantê-lo, dada sua utilidade. Por quanto tempo? O futuro é incerto

Para comemorar os 10 anos, “o presente de aniversário” é um novo Texto para Discussão: Fernando Nogueira da Costa – Capitalismo Financeiro como Sistema Complexo e Dinâmico.

O objetivo neste Texto para Discussão é testar a hipótese de todos nós, cidadãos brasileiros, empresas não-financeiras e instituições financeiras, além de governos, cooperativas, etc., sermos componentes do sistema financeiro nacional. De nossas interações e realimentações, desiguais e dinâmicas, emerge sua complexidade.

Mas temos influências desiguais de acordo com nosso fluxo de renda e estoque de riqueza financeira acumulada. Ponderamos as desigualdades para o compreender.

As estatísticas descritivas, publicadas pelo Banco Central do Brasil (BCB), B3 e ANBIMA, nos dão um resumo manejável e significativo de fenômenos subjacentes ao sistema financeiro nacional. Analiso aqui o estado atual dele.

Defendo a tese com base nesses dados estatísticos de as diretorias do BCB, sempre dominadas por economistas neoliberais, terem implementado uma desmesurada política de juros — os mais elevados do mundo –, baseadas no diagnóstico equivocado de a responsabilidade da ineficácia da política monetária recessiva não conseguir combater a inflação era do crédito direcionado por bancos públicos com juros subsidiados.

A inflação de alimentos era devido à quebra de oferta pela seca de 2012 a 2017. Foi um erro tecnocrata combater essa inflação, agravada por choque fiscal-tarifário em 2015, com choque de juros.

Provocou uma Grande Depressão (2015-2016) e enorme concentração da riqueza financeira nas 56 mil famílias do Private Banking. O varejo de alta renda se beneficiou pouco com uma pequena elevação de sua riqueza financeira per capita, enquanto a massa do varejo tradicional perdeu emprego, renda e riqueza financeira.

O mecanismo de transmissão dessa taxa de juros, propositalmente atrasada em relação à queda da taxa de inflação, se deu através da elevação do grau de endividamento, tanto do setor privado, quanto do setor público.

Com a consequente elevação do custo financeiro esmagou a rentabilidade patrimonial das empresas, desestimulando nova alavancagem financeira.

Com o aumento dos encargos financeiros do setor público elevou o déficit nominal e a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG). Impedindo a capitalização dos bancos públicos, desestimulou a alavancagem financeira de políticas públicas através deles.

Pautando a mídia com ilusório terrorismo econômico, propício ao ambiente golpista, os neoliberais justificaram o corte e um teto para os gastos públicos, além do corte dos direitos trabalhistas e previdenciários.

6 thoughts on “Capitalismo Financeiro como Sistema Complexo e Dinâmico: Em Comemoração dos 10 Anos do Blog Cidadania & Cultura

  1. Parabéns, Dr. Fernando Nogueira da Costa: pelos 10 Anos de Sucesso desse Importante Blog.

    Sem qualquer dúvida: é o mais Profícuo Blog – Cidadania & Cultura – relacionado com as Diversas Categorias que são disponibilizadas há uma Década para Milhões de Internautas desfrutarem das Contribuições, Ensinamentos e Opiniões que são expostas, especialmente das Notáveis Postagens relativas à Economia e Finanças.

    No que se refere ao Espaço Econômico Brasileiro, sobretudo à Administração Federal, lamento que a “douta” Equipe Econômica capitaneada pelo Paulo Guedes, bem como a do Neto de Roberto Campos (Banco Central) e a do Filho de Montezano, Gustavo (BNDES) não se utilizem das suas Recomendações para colocar a Economia Brasileira numa Trajetória de Crescimento em níveis adequados e sustentáveis.

    Gostaria de vê-lo, um dia: na Presidência do Banco Central do Brasil ou comandando uma Reforma Administrativa e restabelecendo o Ministério da Fazenda. A sua Competência, Integridade e Comprometimento propiciariam o suporte para que as Políticas Econômicas precisam oferecer ao País para atingir Taxas robustas de Crescimento e Desenvolvimento Econômico, bem como de Bem-Estar Social para a Sociedade, em Geral.

    Felicidades e que o Blog Cidadania & Cultura continue com este Excelso Trabalho ao longo de muitas Décadas.

  2. Parabéns e Obrigada, Fernando, pela convivência, ensinamentos e por juntos partilharmos sonhos e aflições.

  3. Parabéns, Fernando! E obrigado por compartilhar conosco suas ideias, sempre calcadas em dados, referências, espírito crítico… Não há dúvida de que o seu trabalho aqui é de suma importância para a construção de um país mais justo e melhor, em todos os sentidos.

    Que venham muitos mais anos para o seu blog! E que os arquivos estejam vitaliciamente disponível para consulta dos leitores.

    Aproveito para compartilhar uma sátira.

    “A culpa pelo desmatamento da Amazônia é dos pobres” (Paulo Guedes). São eles que, em massa, se unem para cortar árvores. Cada um com sua motoserra. Vão derrubando o que vêem pela frente. Com suas espingardas, abatem as onças pintadas para depois produzirem casacos de pele e tapetes. As toras de árvores, transportam em seus caminhões para serem vendidas aos madeireiros. Após a derrubada, queimam o que restou para criarem gado. Outros tipos de pobre embrenham-se na mata em busca de ouro. Montam garimpos, assoreiam e poluem rios. Há um sindicato que rege e organiza esse conluio de “vagabundos” e, assim, a Amazônia vai se perdendo. Só não se consegue explicar o fato de o pobre continuar pobre mesmo após ter extraído tanta riqueza da floresta. As grandes fortunas advindas da exploração da madeira, do ouro, das peles e da criação de gado acabam nas mãos de gente inocente, que nada tinha a ver com a fome do pobre destruidor. Gente que só dá sequência ao negócio para que o material não se perca. Gente cujo desejo de lucro é saudável, principalmente se comparada à fome dos moribundos. E o Estado, o que tem a ver com tudo isso? Nada. A Amazônia é muito grande para ser fiscalizada. Não há como combater a falta de consciência individual dos pobres, porque, afinal de contas, a pobreza é uma escolha. “Não há fome no Brasil”, como disse Bolsonaro, então, este grupo de criminosos atua por esporte, por prazer próprio. Não há o que fazer, a não ser que se crie um presídio no meio da floresta e lá se coloque essa gente perversa, faminta, de má índole, que usa o livre-arbítrio cristão para fins espúrios.

    Ou se acaba com o pobre ou o pobre acaba com o Brasil?

    Abraços,
    Diego Araújo da Rosa.

    • Prezado Diego,
      suas palavras são sempre gentis e incentivadoras.

      E compartilho do seu humor! No Brasil, para gente rica, todos os problemas são provocados pelos pobres!

      Quando há uma elite econômica incapaz de se apresentar como elite cultural, resta à casta dos sábios, não incluídos os sabidos pastores, compartilhar seu conhecimento obtido em Universidades públicas de excelência graça aos pobres.

      É nosso papel social em retribuição do sacrifício dos mais pobres ao pagar uma estrutura tributária regressiva, inclusive os 10% do ICMS. Eles dão autonomia às Universidades públicas paulistas.

      Agradeço seus comentários, humor e apoio.
      Abraço

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