Imperativo Moral de Antecipar Eventos Econômicos

Robert J. Shiller, no livro “Economia Narrativa” (2019), destaca o objetivo de a previsão ser intervir agora para alterar os resultados futuros em benefício da sociedade. Em seu discurso presidencial de 1969 à Associação Econômica Americana, Kenneth E. Boulding (outro professor influente sobre Shiller na Universidade de Michigan) disse: “a Economia deveria ser considerada uma ciência moral”, pois se preocupa com o pensamento e os ideais humanos. Ele investiu contra:

“uma doutrina que poderia ser chamada de Imaculada Conceição da Curva da Indiferença, ou seja, que os gostos são simplesmente dados e que não podemos investigar o processo pelo qual eles são formados. Essa doutrina é literalmente “para os pássaros”, cujos gostos são em grande parte criados para eles por suas estruturas genéticas e, portanto, pode ser tratada como uma constante na dinâmica das sociedades de pássaros.”

Boulding diz: “a Economia cria o mundo a ser por ela investigado”!

Muitas vezes, não queremos prever, mas alertar. Nós nunca queremos prever um desastre. Queremos tomar ações de modo a impedir o desastre.

As narrativas de jornais sobre as ações do Banco Central, como o aumento ou a redução rotineira das taxas de juros, parecem refletir a suposição de a quantidade e o momento exato dessas ações são de importância central – e não as palavras e histórias justificatórias nas atas das reuniões. Irving Kristol, escrevendo em 1977, expressa de maneira sucinta a visão típica do economista, rejeitando pesquisas de opinião pública, pretendem medir a confiança nos negócios.

“John Maynard Keynes pode ter acreditado – e alguns de seus discípulos obviamente ainda acreditam – a propensão a investir é governada por altos e baixos de ‘espíritos animais’. Eles prevalecem entre os empresários. Mas, então, os economistas keynesianos sempre tiveram uma opinião ruim sobre a inteligência dos empresários. Eles os representam como fossem filhos temperamentais, para serem paternalisticamente ‘administrados’. … O que governa a confiança dos negócios são as perspectivas de investimento rentável. Isso e nada mais – não é o que o presidente diz, nem o que os executivos dizem, nem o que os outros dizem.”

Kristol não identifica as forças econômicas operantes independentemente das histórias para produzir crises econômicas. No entanto, ele sugere uma politização da economia quando argumenta os economistas insultarem a inteligência dos empresários quando tentam descrever um comportamento de negócios não otimizador.

Muitos economistas aprenderam: vale a pena sempre lisonjear os empresários – ou O Mercado como um deus –, cujo apoio é útil às carreiras dos economistas. Descrever a economia como impulsionada apenas por forças econômicas abstratas sugere ela operar em um vácuo moral, onde não há críticas à sua liderança.

Apesar da rejeição das pesquisas de opinião de Kristol, algumas das previsões econômicas mais famosas da história mundial parecem se basear substancialmente em observações de narrativas e preocupações com suas consequências humanas.

Em seu livro Economic Consequences of the Peace de 1919, o economista de Cambridge, John Maynard Keynes, previu: a Alemanha ficaria profundamente amargurada pelas pesadas reparações impostas pelo tratado de Versalhes que terminava a Primeira Guerra Mundial. Keynes não era a única pessoa a fazer essa previsão no final da guerra. Por exemplo, a pacifista Jane Addams liderou uma campanha de compaixão pelos alemães derrotados.

Mas Keynes vinculou seu argumento a evidências sobre a realidade econômica. A Alemanha era realmente incapaz de pagar as reparações, e ele estava certo sobre os perigos de forçar a Alemanha a tentar. Keynes previu como os alemães provavelmente interpretariam as reparações e a cláusula associada no Tratado, afirmando a Alemanha ser culpada de crimes de guerra.

O insight de Keynes exemplifica a Economia Narrativa, porque se concentra em como as pessoas interpretariam a história do Tratado de Versalhes, dadas suas condições econômicas. Também era uma previsão, porque ele alertou, em meio a um “melodrama barato” da política externa em 1919, sobre uma guerra por vir:

“Se visarmos deliberadamente o empobrecimento da Europa Central, a vingança, ouso prever, não mancará. Nada pode atrasar por muito tempo a guerra civil final entre as forças de reação e as desesperadas convulsões da revolução, diante das quais os horrores do final da guerra alemã se desvanecerão em nada e destruirão quem vencer, a civilização e os progresso de nossa geração.”

Keynes estava certo: a Segunda Guerra Mundial começou em meio à raiva remanescente vinte anos depois e custou sessenta e dois milhões de vidas. Seu aviso foi fundamentado na economia e vinculado a um senso de proporção econômica.

Keynes, porém, não estava falando sobre Economia Pura como a entendemos hoje. Suas palavras “vingança” e “convulsões desesperadas de revolução” sugerem narrativas cheias de bases morais, alcançando o significado mais profundo de nossas atividades.

 

 

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