Abordagem de Ray Dalio para Entendimento da Mudança da Ordem Mundial

Depois de fazer muitos desses estudos em busca de princípios atemporais e universais, Ray Dalio aprendeu muitas coisas. Por exemplo, como períodos prósperos, depressões, guerras, revoluções, mercados em alta, mercados em baixa etc., acontecem repetidamente ao longo do tempo.

Eles ocorrem basicamente pelas mesmas razões, geralmente em ciclos, e frequentemente em ciclos bastante longos ou mais longos se comparados às durações de nossas vidas humanas. Isso lhe ajudou a ver quase tudo como “outro”, assim como um biólogo, ao encontrar uma criatura na natureza:

  1. identificaria a quais espécies (ou “uma dessas”) a criatura pertence,
  2. pensaria em como essa espécie de coisa funciona e
  3. tentaria ter e usar princípios atemporais e universais para lidar com ela de maneira eficaz.

Ver os eventos dessa maneira ajudou a mudar sua perspectiva de ser pego na turbulência das coisas vindas sobre ele e ultrapassar por cima delas para ver seus padrões ao longo do tempo. Quanto mais coisas relacionadas Dalio conseguia entender dessa maneira, mais ele via como elas se influenciam, por exemplo, como o ciclo econômico trabalha com o político, e como elas interagem por períodos mais longos.

Também aprendeu, quando prestava atenção nos detalhes, não conseguir ver o quadro geral e, quando prestava atenção no quadro geral, não conseguir ver os detalhes. No entanto, para entender os padrões e as relações de causa e efeito por trás deles, ele precisava ver com uma perspectiva de nível superior e maior e uma perspectiva detalhada e de nível inferior simultaneamente.

Observava assim as inter-relações entre as forças mais importantes sobre longos períodos de tempo. Para ele, parece a maioria das coisas evolui para cima (melhora ao longo do tempo) com ciclos à sua volta, como um saca-rolhas apontando para cima (veja imagem acima).

Por exemplo, com o tempo, nossos padrões de vida aumentam porque aprendemos mais, o que leva a uma maior produtividade. Mas temos altos e baixos na economia, porque temos ciclos de dívida. Estes impulsionam a atividade econômica real em alta e baixa em torno dessa tendência de alta.

A razão pela qual as pessoas tipicamente distorcem os grandes momentos da evolução a ocorrerem durante a vida é cada um de nós experimentar apenas pequenos pedaços de o que está acontecendo. Somos como formigas preocupadas com nosso trabalho de carregar migalhas, em nossas vidas minúsculas, em vez de termos uma perspectiva mais ampla dos padrões e ciclos gerais.

Essas coisas inter-relacionadas importantes nos conduzem e determinam onde estamos dentro dos ciclos e o que provavelmente ocorrerá. Ao ganhar essa perspectiva, Dalio acredita haver apenas um número limitado de tipos de personalidade percorrendo um número limitado de caminhos. Eles os levam a encontrar um número limitado de situações para produzir apenas um número limitado de histórias. Elas se repetem ao longo do tempo.

As únicas coisas mudadas são as roupas vestidas pelos personagens e as tecnologias usadas por eles.

Um estudo levou a outro, ambos feitos por Ray Dalio. Mais especificamente:

  • Estudar os ciclos de dinheiro e crédito ao longo da história lhe conscientizou do ciclo da dívida de longo prazo. Ela, normalmente, dura de 50 a 100 anos. Isto lhe levou a ver o que está acontecendo agora de uma maneira muito diferente da anterior, se ele não tivesse ganho essa perspectiva.

Por exemplo, antes das taxas de juros chegarem a 0% e os bancos centrais imprimissem dinheiro e comprassem ativos financeiros, em resposta à crise financeira de 2008-09, Dalio havia estudado o ocorrido nos anos 30. Isto lhe ajudou a atravessar bem essa crise.

A partir dessa pesquisa, também viu como e por que essas ações do Banco Central elevaram os preços dos ativos financeiros [inflar bolhas de ações] e concentraram o estoque de riqueza, em ciclo com baixo fluxo de valor agregado e de geração de emprego, o que aumentou à diferença de riqueza e levou a uma Era de Populismo – e conflito social. Agora estamos vendo as mesmas forças em jogo no período pós-2009.

  • Em 2014, Dalio queria prever taxas de crescimento econômico em vários países porque eram relevantes para suas decisões de investimento. Usou a mesma abordagem de estudar muitos casos para encontrar os fatores impulsionadores do crescimento. Criou indicadores atemporais e universais para antecipar as taxas de crescimento dos países em períodos de 10 anos.

Por meio desse processo, desenvolveu uma compreensão mais profunda de por que alguns países se saíram bem e outros se saíram mal. Combinou esses indicadores em indicadores e equações usadas para produzir estimativas de crescimento em 10 anos nas 20 maiores economias.

Além de lhe ajudar, viu este estudo poder ajudar os formuladores de políticas econômicas, porque, ao ver essas relações de causa-efeito eternas e universais, eles poderiam saber: caso mudassem X, isso teria efeito Y no futuro.

Viu também como esses indicadores econômicos de 10 anos (como a qualidade da educação e o nível de endividamento) estavam piorando para os EUA em relação aos grandes países emergentes, como China e Índia. Este estudo é chamado de “Produtividade e Reforma Estrutural: Por que os países são bem-sucedidos e fracassam e o que deve ser feito para os países fracassados ​​serem bem-sucedidos”.

  • Logo após a eleição de Trump em 2016 e com o aumento do populismo nos países desenvolvidos se tornando mais aparente, Dalio iniciou um estudo sobre populismo. Isso destacou para ele como as lacunas de riqueza e valores levaram a profundos conflitos sociais e políticos, nos anos 30, semelhantes aos existentes agora.

Também lhe mostrou como e por que os populistas de esquerda e os de direita eram mais nacionalistas, militaristas, protecionistas e de confronto – e o que essas suas abordagens levaram. Viu como o conflito entre esquerda e direita econômica / política poderia se tornar forte, além do forte impacto desse conflito sobre economias, mercados, riqueza e poder. Isso lhe proporcionou uma melhor compreensão dos eventos do passado recente – e eles ainda estão acontecendo.

  • Ao fazer esses estudos e observar várias coisas acontecendo ao seu redor, Dalio viu os Estados Unidos estarem enfrentando lacunas muito grandes nas condições econômicas das pessoas. Elas foram obscurecidas ao observar apenas as médias econômicas.

Então, dividiu a economia em quintis, ou seja, observando os 20% mais ricos, os próximos 20% e os 20% mais baixos. Examinou as condições dessas populações individualmente. Isso resultou em dois estudos.

Em “Nossa maior questão econômica, social e política: as duas economias dos 40% mais altos e dos 60% inferiores“, viu as diferenças dramáticas nas condições entre os “ricos” e os “pobres”. Elas lhe ajudaram entender a maior polaridade e populismo a emergir.

Essas descobertas, bem como o contato íntimo sua esposa e ele tinham através de seu trabalho filantrópico com a realidade das lacunas de riqueza e oportunidade nas comunidades de Connecticut e em suas escolas, levaram à pesquisa publicada como o estudo “Por que e como o capitalismo precisa ser reformado”.

  • Ao mesmo tempo, durante seus muitos anos de negociações internacionais e pesquisas em outros países, viu enormes mudanças econômicas e geopolíticas globais, especialmente na China. Ele tem ido muito à China nos últimos 35 anos e tem a sorte de conhecer bem seus principais formuladores de políticas.

Isso lhe ajudou a ver de perto o quão notáveis ​​foram os avanços na China e quão excelentes são as capacidades e perspectivas históricas por trás deles. Essas excelentes capacidades e perspectivas levaram a China a se tornar uma concorrente eficaz dos EUA nos mercados de produção, comércio, tecnologia, geopolítica e capital mundial.

A propósito, você pode ler esses estudos de graça em http://www.economicprinciples.org.

Então, o que você está lendo agora surgiu por causa da necessidade de Ray Dalio entender coisas importantes. Elas estão acontecendo agora e não haviam acontecido antes na sua vida, mas já aconteceram muitas vezes antes disso. Essas coisas são o resultado de três grandes forças e as perguntas provocadas por elas.

Leia em próximo post.

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