Importância de Estórias para Direcionamento da Atividade Humana

Robert J. Shiller, no livro “Narrative Economics: How Stories Go Viral & Drive Major Economic Events” (Princeton University Press; 2019), diz: embora às vezes possamos inferir a direção da causalidade estudando a história econômica, também precisamos reconhecer experimentos controlados fora da economia mostraram efeitos das narrativas no comportamento humano.

Estória é uma palavra classificada como brasileirismo. Significa um gênero narrativo de ficção, onde a ação não é baseada em fatos verídicos. Muitas vezes é usada como sinônimo de história.

No entanto, algumas pessoas estabelecem diferenças entre as duas, indicando a palavra história remeter para a área ocupada com o estudo e o registro dos acontecimentos importantes para o ser humano, enquanto uma estória relata acontecimentos fictícios.

Muitos especialistas do ramo da Etimologia indicam a existência destes dois vocábulos é um verdadeiro devaneio estilístico. A palavra “história” deveria bastar. Assim, a distinção entre os dois termos é feita através do contexto. A palavra estória é pouco usada na atualidade, porque “história” pode servir para descrever narrativas reais e de ficção.

Uma estória é a expressão escrita de contos populares e tradicionais, normalmente com aspectos mirabolantes. Uma estória pode ser uma lenda, conto, fábula, novela, história em quadrinhos etc.

Quanto à origem da palavra “estória“, alguns autores acreditam se tratar de um neologismo construído graças à semelhança com o termo em inglês story. Existe também a hipótese desta palavra ter sido originada da palavra storie, do francês arcaico.

Por exemplo, uma fábula é frequentemente denominada como uma estória infantil, porque consiste em uma versão fantasiada, onde animais falam.

No campo do marketing, a auto-referência ocorre quando o visualizador de um anúncio relaciona um produto a suas experiências pessoais. Mas nem toda auto-referência é igualmente eficaz na mudança do comportamento do comprador.

Usando experimentos controlados, comparou-se a auto-referência analítica (uma explicação do motivo pelo qual você precisa do produto) com a auto-referência narrativa e o transporte narrativo. Este apresenta uma história e faz um indivíduo se imaginar sendo outra pessoa, usando a palavra eu em vez de você. O transporte narrativo é mais eficaz, especialmente quando o argumento analítico do produto é fraco.

Em suma: a Economia pode aprender com outras Ciências Sociais, incluindo Psicologia (especialmente Psicologia Social), Sociologia, Antropologia (principalmente Antropologia Cultural ou Histórica) e história (especialmente História Cultural E Intelectual ou Histoire Des Mentalités).

Como experimentos controlados sobre economias inteiras não estão prontamente disponíveis para os economistas, é ainda mais importante especificar e entender os blocos de construção das narrativas econômicas. As estórias são um elemento essencial.

A emoção importa na estrutura das narrativas, econômicas e outras, e se revela nas histórias. O romance histórico e o filme histórico estão fora da história convencional, mas se destacam por nos ajudar a entender os sentimentos da história e a apreciar algumas das narrativas impulsionadoras da história. O romancista ou o cineasta histórico constroem o diálogo com base na imaginação e na intuição proporcionadas pela pesquisa. Eles parecem ser mais um inventor em lugar de um estudioso.

Existe uma pergunta básica sobre a metáfora primária usada para entender uma crise econômica. Dominar a discussão na mídia popular é a metáfora da “economia como doente ou saudável”.

A economia é descrita como saudável em alguns momentos, como doente em outros, como se precisasse de um médico capaz de administrar o tipo certo de medicamento (política fiscal ou monetária). De acordo com a metáfora de doença / saúde, a mídia popular costuma relatar um termômetro chamado “confiança“, medido por índices de confiança ou pelo mercado de ações.

O uso e o abuso dessa expressão são tantos a ponto de economistas heterodoxos a ironizarem com a metáfora “fada-madrinha da confiança”. Ela terá a varinha de condão para tudo mudar em direção às expectativas otimistas dos empreendedores!

Relacionamentos amorosos entre dois indivíduos são possibilitados por uma narrativa desse seu relacionamento. Como nos relacionamentos amorosos, o progresso de uma economia não é unidimensional. Pelo contrário, a história da economia tem dimensões além da percepção do público sobre sua saúde.

A história também tem dimensões morais, envolvendo atitudes de lealdade versus oportunismo, de confiança versus desconfiança, de passar à frente da fila e esperar educadamente. Além disso, a história tem dimensões de afeto, de segurança versus insegurança, de direção interna versus direção pública. O conjunto de histórias circula a qualquer momento e transmite todas essas dimensões.

Ao estudar narrativas a partir de dados de arquivo, podemos perder a constelação de narrativas por trás de qualquer aspecto único da mudança cultural. Isto porque podemos ser capazes de visualizar apenas algumas narrativas superficiais.

Do nosso ponto de vista, muitas décadas depois, é como estar na terra em uma noite parcialmente nublada e tentar discernir as constelações no céu acima. Certamente não veremos algumas estrelas.

Além disso, as narrativas geralmente vêm e vão por um período de anos, mas as flutuações econômicas são frequentemente repentinas, como em um pânico financeiro. Ele se desdobra em questão de dias. Mas as sementes desse pânico podem muito bem ter sido plantadas ao longo de meses ou anos.

Por fim, a massa de pessoas cujas decisões de consumo e investimento causam flutuações econômicas não está muito bem informada. A maioria deles não vê ou lê as notícias com atenção, e raramente obtêm os fatos em qualquer ordem discernível. No entanto, suas decisões geram atividade econômica agregada.

Então, as narrativas, ao atraírem a atenção, direcionam essas decisões, geralmente com a ajuda de celebridades ou figuras de confiança.

Se reconhecermos essas histórias recém-modificadas em constelações narrativas poderem ter causado eventos econômicos atuais, fizemos progressos substanciais. Mas não é fácil obter um entendimento seguro de como as narrativas afetam a economia. São múltiplas evidências para serem interpretadas como qual é a exata causalidade em constelações de narrativas.

Precisamos recuar primeiro e considerar alguns princípios básicos, alguns mencionados nos capítulos anteriores, para guiar nosso pensamento, o que nos leva ao próximo capítulo do livro de Robert J. Shiller, “Economia Narrativa“.

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