Fuga de Capital Estrangeiro mantida enquanto Investidor PF entra… bem

Marcelle Gutierrez (Valor, 03/06/2020) informa: o fluxo do investidor estrangeiro na bolsa brasileira seguiu negativo em maio de 2020 – com saída de R$ 7,44 bilhões -, mas as duas últimas semanas mostraram uma mudança relativa de humor, período quando justamente o Ibovespa ganhou tração e retomou o nível dos 90 mil pontos.

A explicação está no preço atrativo, com a forte desvalorização das ações e do real – causada pela crise do coronavírus -, na recuperação dos preços commodities e na melhora global da percepção de risco. Essa tendência mais positiva, contudo, tende a durar pouco: dois meses, no máximo. Um fluxo mais consistente de recursos estrangeiros vai depender da melhora dos fundamentos econômicos, da cena político e do controle da pandemia.

Nas duas primeiras semanas de maio, o investidor estrangeiro tirou R$ 8,4 bilhões da bolsa, fluxo que se inverteu entre os dias 19 e 28 de maio, com entrada de R$ 2,2 bilhões, segundo dados divulgados ontem pela B3.

No ano, até maio, o Ibovespa amarga queda de 43,86% em dólar. Um movimento pior do que em outros emergentes, como África do Sul, que cai em dólar 28,77%, México (-28,8%), Rússia (-21,25%) e Turquia (-19,95%). Em março, no ápice da crise, o Ibovespa recuou 51,05% em dólar.

“O Mercado exagerou”, com baixa da bolsa e desvalorização cambial significativas durante a crise, assim como já precificou uma queda do Produto Interno Bruto (PIB), acima de 6% em 2020. Além disso, em maio houve uma recuperação dos preços das commodities.

Há uma correlação forte das commodities com bolsas da América Latina e na metade de maio as commodities começaram a melhorar. Isso começou a dar uma tranquilidade em relação à América Latina e a bolsa, que tinha ficado para trás.

Ainda se espera uma leve entrada, mas um fluxo mais forte vai depender da parte política e da visibilidade sobre a crise do coronavírus. Para o prazo mais longo, os estrangeiros ainda estão mais reticentes em colocar recursos no Brasil. O investidor tem dúvidas.

A leve melhora no fluxo nos últimos dias de maio está ligada ao preço atrativo, mas a continuidade do movimento depende dos desdobramentos da “crise tripla” enfrentada pelo país: saúde, econômica e política. Primeiro o Brasil precisa sair da crise da saúde. No lado econômico há a limitação fiscal e outros países devem reagir melhor. E há ainda como a condução da política.

O mercado de ações está com liquidez e procura ativos depreciados.

No lado do investidor local, o ritmo de entrada diminuiu. No mês passado, o fluxo de pessoa física ficou positivo em R$ 1,79 bilhão, volume menor do que em abril, de R$ 7,338 bilhões.

Os embates na política local, cujo ápice foi a saída dos ministros da saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da Justiça, Sergio Moro, foi o que fez o investidor local comprar menos bolsa em maio. O local tende a ser mais intenso com a discussão política e combina com essa perfomance um pouco pior em maio.

Ainda impressiona como o investidor local segue comprado. O principal motivo é o juro baixo e a necessidade de diversificar a carteira. Em 2020, o fluxo da pessoa física na bolsa está positivo em R$ 35,27 bilhões. Já o estrangeiro sacou R$ 76,85 bilhões no ano – volume recorde para toda a série histórica, iniciada 1994. Em 2019, os saques foram de R$ 44,5 bilhões.

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