Ciência da Complexidade pode ajudar à Ciência Econômica resolver a Crise Econômica?

Lee Smolin, Stuart A. Kauffman, Zoe-vonna Palmrose, Mike Brown publicaram artigo ( https://www.edge.org/conversation/lee_smolin-stuart_a_kauffman-zoe-vonna_palmrose-mike_brown-can-science-help-solvethe Printed On Sat January 19th 2019), cujo título contém essa indagação. Compartilho sua tradução abaixo.

A crise econômica deve ser estabilizada imediatamente. Isso tem de ser realizado pragmaticamente, sem ideologia indevida e sem confiar nas ideias e suposições fracassadas por terem levado à crise. A Ciência da Complexidade pode ajudar nessa meta. Por exemplo, é errado falar em “restaurar os mercados ao equilíbrio”, porque os mercados nunca estiveram em equilíbrio. Já estaremos muito à frente da ortodoxia econômica se falamos em “restaurar os mercados a um estado crítico auto-organizado estável”.

Um projeto econômico científico significaria reunir um grupo de bons cientistas, alguns muito conhecedores de Economia e Finanças, e outros comprovadamente sábios, em outras áreas da ciência, para trazerem novas mentes e perspectivas para enfrentar o citado desafio. Necessitamos focar no desenvolvimento de conceitos para uma nova teoria e modelagem econômica de modo elas serem confiáveis ​​o suficiente para serem chamadas de Ciência.

  1. Crise e Regulamentação

A principal causa da crise financeira é a instabilidade no setor financeiro, incluindo as empresas não-financeiras, as instituições financeiras e todos os mercados componentes interativos. Para entender essa instabilidade, temos de começar com os propósitos primários legítimos dos mercados financeiros.

  1. Um é fornecer capital, como patrimônio líquido, e dívida para a alavancagem financeira da economia de bens e serviços de modo a permitir ela prosperar e crescer.
  2. Um segundo é fornecer um repositório estável para nossas economias coletivas, ou seja, captar poupança e/ou investimentos financeiros com segurança, liquidez e rentabilidade.
  3. Um terceiro é, de forma responsável, fornecer crédito adequado às pessoas.

Essas funções legítimas foram sequestradas por comportamento especulativo. Ele não foi verificado pelas estruturas regulatórias. As consequências disso ameaçam interromper os esforços produtivos de milhões de pessoas comuns. Elas vão trabalhar todos os dias para fazer coisas e prestar serviços uns aos outros.

Nas décadas anteriores a essa crise, a mudança em nosso pensamento econômico de desenvolvimento em longo prazo, na opinião da Main Street, superado por especulações e gratificações em curto prazo, em Wall Street, nos levou à beira do colapso econômico. Mas também comprometeram um fluxo suficiente de capital a importantes iniciativas de longo prazo – sustentabilidade econômica, renovação de infraestrutura, redução das mudanças climáticas e desenvolvimento de fontes alternativas de energia –, tudo isso muito importante para uma economia dinâmica e sustentável.

Isso já aconteceu antes na história – em Roma, na Espanha, Holanda e Inglaterra. Mais recentemente, na América, houve crises menores antes da atual, talvez como avisos antecipados do que poderia vir adiante – segunda-feira negra, gerenciamento de capital em longo prazo, bolha pontocom e outros.

Agora vivemos em uma economia global, não podemos permitir a próxima crise, em uma ordem de magnitude maior, na qual os próprios governos do mundo terão de ser socorridos. Em vez disso, podemos apenas esperar, passivamente, esses governos estarem coletivamente preparados para a tarefa neste momento?

Há honra e serviço à sociedade na tarefa de invenção e construção de empresas e produtos para tornar a vida melhor para as pessoas. Elas devem ser justamente recompensadas. Há honra na arquitetura e na regulamentação financeira equilibrada, à qual devemos dedicar cuidadosa atenção. Há honra para o importante setor financeiro quando ele funciona como deveria para o bem coletivo. Isso também deve ser justamente recompensado. A assunção racional de riscos por investidores conhecedores de seus posicionamentos desempenha um papel importante no mercado de derivativos e futuros, fornecendo suporte inicial para inovações de risco.

Mas não há honra em abusar de nossos sistemas regulatórios e financeiros por imprudência em especulação, ou seja, jogos de azar. Eles não têm valor produtivo para o nosso futuro coletivo e o das gerações vindouras.

No entanto, atribuir a culpa não vai nos tirar dessa situação. Precisamos entender como e por qual razão a crise aconteceu e por que os avisos nos últimos anos não foram compreendidos ou atendidos. Precisamos usar esse conhecimento para parar esta crise e fazer a economia funcionar novamente. Em longo prazo, precisamos redesenhar e re-regular o sistema financeiro para ele desempenhar suas funções necessárias sem levar a crises periódicas de escala global.

Duas suposições básicas devem orientar qualquer pensamento à medida que empreendemos essas tarefas. Primeiro, investimentos em ativos, créditos de instituições financeiras, lançamentos primários e mercados secundários, não podem funcionar sem um contexto de regras e leis reguladoras.

Em um mercado, cada participante tenta fazer o melhor que pode para si mesmo. Em um mercado adequadamente arquitetado e regulamentado, isso contribui para o bem público. Simplesmente não há lugar para uma discussão ideológica sobre regulamentação.

Até sistemas na natureza, como organismos e ecossistemas individuais, são regulados. Então, a regulação deve visar o nosso bem-estar. A única questão relevante é se os regulamentos funcionam ou não, onde esse trabalho de supervisão significa obter mercados estáveis. Eles ​​permitem um fluxo ordenado de capital de e para a economia de bens e serviços e as pessoas componentes desse complexo sistema econômico-financeiro e social.

Segundo, Matemática, Física e computadores já desempenham um papel importante e necessário em assuntos econômicos. Pessoas com formação em Ciências Matemáticas desempenham um grande papel em Wall Street, para a valorização de complexos instrumentos de investimento e execução de sofisticadas estratégias de negociação.

Não há volta à Era quando os bancos e fundos dependiam de análise quantitativa manual em lugar de grandes programas de computador e as pessoas cientificamente treinadas para se ocupar eles. Junto com economistas com quem trabalham, outros cientistas e cientistas da computação agora têm uma profunda responsabilidade de ver suas habilidades, os princípios considerados eficazes por eles, e as ferramentas criadas por eles, serem todos usados ​​de maneira bem e sábia.

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