2. Crise da Teoria Econômica inspirada na Física de Isaac Newton

A crise se deve, pelo menos em parte, às deficiências de uma certa teoria econômica inspirada na Física newtoniana de equilíbrio gravitacional, artificialmente, projetado para mercados livres.

Aqueles de nós ao procurar defender o interesse próprio em instituições de crédito para proteger o patrimônio líquido (como eu) está em um estado de descrença chocado… Foi a falha em precificar adequadamente esses ativos de risco a causa da precipitação da crise. Nas últimas décadas, um vasto sistema de gerenciamento de riscos e preços evoluiu, combinando as melhores ideias de matemáticos e especialistas em Finanças, apoiados em grandes avanços na tecnologia de computadores e comunicações. Um Prêmio Nobel foi concedido pela descoberta do modelo de precificação de referência para grande parte do avanço nos mercados de derivativos. Este moderno paradigma de gerenciamento de riscos foi adotado por décadas. Todo o edifício intelectual, no entanto, entrou em colapso, no verão do ano passado, porque os dados inseridos nos modelos de gerenciamento de risco geralmente cobriam apenas as duas últimas décadas, um período de euforia” (Depoimento do Dr. Alan Greenspan, na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos perante a Comissão de Supervisão e Reforma do Governo, 23 de outubro de 2008).

Quando economistas e outros cientistas estudam um sistema complexo com múltiplos componentes interativos, começam perguntando sobre quais suposições foram usadas anteriormente para entendê-lo e quão bem elas têm se comportado em comparação com os dados. Então, se abordarmos a crise dessa maneira, teremos de começar perguntando sobre os princípios e premissas utilizados para construir e justificar os instrumentos financeiros complexos, cujo uso contribuiu para a instabilidade atual.

Nos queremos saber como essas ideias teóricas foram testadas. Além disso, se a atual crise está ou não revelando evidência de as ideias nas quais o sistema financeiro foi construído podem precisar ser melhoradas.

De fato, existe uma teoria econômica dominante na mídia e na maioria das mentes de economistas com formação ortodoxa. Ela molda grande parte do pensamento, bem como as práticas dos bancos de investimento e as decisões dos formuladores de políticas econômicas. Ela é chamada de economia neoclássica. É baseado nas seguintes suposições:

  1. Na maioria das vezes, os mercados estão em equilíbrio ou próximo de um equilíbrio estável.
  2. Os participantes dos mercados agem racionalmente para maximizar preferências fixas e conhecidas, descritas por funções de utilidade definidas e independentes do tempo.
  3. Os participantes nos mercados têm perfeito conhecimento das informações capazes de impulsionarem os mercados, bem como todos os outros participantes.
  4. Os preços são estabelecidos por um processo determinístico de maximização conjunta de preferências de todos os envolvidos em um comércio livre.
  5. As flutuações nos preços são pequenas, aleatórias e não correlacionadas.
  6. Existe uma liquidez perfeita para todos os preços serem bem definidos e todos os mercados equilibrados por eles.
  7. Não há diferença importante entre mercados com alguns indivíduos e aqueles com milhões de indivíduos; modelos simples são suficientes para elucidar os princípios governantes de todos os mercados.

O paradigma neoclássico baseado nessas ideias teve alguns sucessos indiscutíveis. Ao mesmo tempo, parece ter levado à adoção de práticas e recomendações, cujas adoções estão pelo menos parcialmente na raiz da crise atual. Isso incluiu as ideias:

  1. A regulamentação é limitada ou desnecessária porque os mercados encontram e ficam perto de equilíbrio estável, onde eles operam com mais eficiência, levando à estabilidade e ao máximo possível de crescimento econômico, enquanto a regulamentação só leva a um crescimento mais lento. Enfrentaremos um declínio potencial e precipitado do crescimento econômico e da prosperidade em caso de haver alguma desregulação.
  2. Tudo tem um valor ou preço, em todos os momentos, possível de ser determinado exclusivamente por algum processo objetivo definido. Isso inclui contratos referentes a preços de variáveis ​​flutuantes em tempos futuros. Há experiência com contratos futuros com preços fixados diariamente por serem negociados ativamente. Mas nós estamos agora vendo esses valores evaporarem com as seguidas “chamadas-de-margem”.

iii. Essa experiência comercial pode ser generalizada para uma alegação de instrumentos obrigando ações a serem tomadas em momentos futuros com base em condições desconhecidas até então, ainda assim têm valores e preços definidos, mesmo sendo raramente negociadas. Mas parte da crise se deve ao fato de os balanços patrimoniais dos bancos e empresas titulares desses contratos não poderem ser computados porque incluem instrumentos cujos preços foram revelados como simplesmente hipotéticos e agora estão se mostrando indeterminados.

  1. A estabilidade pode ser aumentada através da invenção e negociação de operações financeiras complexas e abstratas. São instrumentos, em lugar de contratos principais, como ações e hipotecas. Exemplos disso são os derivativos. Embora sejam anteriores ao nascimento de Cristo, e tenham sido um fator de previsibilidade em todas as economias de safras e entressafras, desde então, nossos mercados foram inundados recentemente com uma série de novos instrumentos capazes de combinarem, inteligentemente, funções de preços diferentes em instrumentos financeiros cujos valores derivados pretendem flutuar menos em relação aos valores de seus componentes. A teoria por trás da possibilidade de combinar variáveis ​​flutuantes em variáveis ​​ menos flutuantes é criticamente dependente das premissas acima, especialmente de as flutuações serem pequenas, aleatórias e não correlacionadas. Mas essas suposições foram mostradas como falsas.
  2. Argumentou-se esses instrumentos inovadores não deveriam ser regulamentados tanto quanto a negociação de ações, porque eles funcionam como seguro para aumentar estabilidade. Isso foi baseado em outra falsa suposição de qualquer função matemática dos valores dos estoques, em momentos diferentes, terem um valor fixo e determinado valor a qualquer momento.
  3. Como a determinação de preços é um processo definido de maximização de preferências, em um ambiente de conhecimento perfeito, e porque todos os valores são definitivos, pode, em alguns casos, ser automatizado e executado por computadores programados para operar sob condições especificadas. Mas alguns mercados operaram assim e falharam em funcionar ou esclarecer os negócios via preços.

Antes de examinarmos mais profundamente as possíveis dificuldades com o paradigma neoclássico, também devemos enfatizar ele ter sido tão influente porque fornece informações importantes em como os mercados funcionam em algumas circunstâncias. Também não ignorou a possibilidade de mercados poderem ter instabilidades.

Por exemplo, há uma longa lista de bem conhecidas falhas mercados: problemas do agente principal, risco moral, bens públicos, custos de cardápio, mercados de limão, seleção adversa, comportamento de busca de renda, conhecimento incompleto, mercados incompletos, múltiplos equilíbrios etc. Portanto, não queremos ignorar os sucessos desse paradigma ou ignorar o papel desses entendimentos bem conhecidos poderem desempenhar na compreensão da crise atual.

Mas também queremos perguntar se existem ideias, princípios e métodos alternativos de modelagem dos sistemas econômicos possíveis também de fornecer a base para sábios aconselhamentos e adequada política.

Como resultado, em parte pelo menos, da crença no paradigma neoclássico, uma abordagem muito técnica para a negociação passou a dominar mercados com base em instrumentos financeiros complexos e estratégias exigentes de cientistas matemáticos e computadores. Começando como pequenos esforços especulativos, eles agora dominam os mercados de risco.

Na maioria dos mercados, incluindo os de ações e de crédito, o valor dos contratos de derivativos agora excede em magnitude de uma ordem o valor total dos contratos subjacentes. Eles devem ser negociados para atender aos derivativos deles.

Quando os físicos fizeram a bomba atômica, eles perceberam o perigo com o concebido. Imediatamente, sentiram uma responsabilidade cidadã de ajudar a tornar o mundo a salvo de sua invenção.

Desta vez, é responsabilidade daqueles com conhecimentos e habilidades necessárias entender os instrumentos financeiros envolvidos nesta crise para ajudar primeiro a resolvê-la. Depois, para evitar uma próxima, voltar sua atenção para o design e a regulamentação de um sistema de mercado estável. Isso envolverá economistas, matemáticos, físicos, biólogos, cientistas da computação e outros. Necessitam trabalhar juntos para criar um sistema econômico mais estável.

Em nossa opinião, a crise atual sugere haver uma fraqueza no paradigma da economia neoclássica. Em particular:

  1. Os grandes mercados da economia parecem não estar em equilíbrio. Agora não estão, e talvez também nunca tenham estado, normalmente. As flutuações nos valores de ações, moedas, e commodities geralmente são aleatórias e não correlacionadas. Como vimos recentemente, eles não precisam ser pequenos. É necessário algum outro paradigma para descrever a funcionamento de mercados reais.
  2. De um modo mais geral, a teoria do equilíbrio geral competitivo é baseada em suposições muito idealizadas. Isso inclui a suposição de, por meio do preço de equilíbrio, são estabelecidas as condições para todos os mercados estarem equilibrados, não importando como o futuro se desenrolará, além da suposição de cada agente ter uma visão do valor datado de todos possíveis bens contingentes.

iii. Os participantes dos mercados não têm preferências fixas, mas o modelo do equilíbrio geral competitivo assume terem sim. As preferências mudam no tempo, imprevisivelmente, devido às mudanças de gostos e circunstâncias, bem como em resposta a inovações introdutórias de novos produtos e eliminam as necessidades de antigos produtos – e devemos reconhecer isso. Os aspectos imprevisíveis das inovações tornam as avaliações de risco problemáticas.

  1. Houve uma extrapolação injustificada de modelos simples de mercado com dois participantes e dois bens (ou algo semelhante) a mercados reais com milhões de participantes e milhares de mercadorias, um erro indicador de burrice caso se repita.
  2. Os participantes dos mercados não possuem um conhecimento perfeito, de fato, seu conhecimento e crenças sobre as condições do mercado às vezes são falsas ou não confiáveis ​​e diferentes participantes têm diferentes conhecimentos e crenças. Deveríamos reconhecer essa liberdade porque não é o caso, como às vezes assumido, de a falta de conhecimento perfeito por parte dos traders ser, em média, um ruído.
  3. Isso tem o efeito de as mudanças de crença poderem prejudicar os mercados e prejudicar as pessoas, mesmo quando grande parte da maquinaria da economia de bens e serviços estiver adequada e preparada para funcionar bem com uma disponibilidade ordenada de capital.

vii. Retornos crescentes podem levar à dependência de trajetória – “a história importa” – na economia, de modo a evolução de uma economia depender de contingências históricas. Isto faz a previsão e a avaliação de risco difícil.

viii. Parece haver uma falta básica de apreciação da importância de escalas relativas. Isso se deve à aplicação incorreta do paradigma neoclássico de os mercados operarem convergentes para o equilíbrio. Instrumentos financeiros como os derivativos, de fato, podem causar pouco dano, exceto para quem os utiliza, desde se eles representarem apenas uma fração de certo mercado.

Contudo, uma situação extremamente perigosa surgirá quando seu uso crescer a tal ponto de haver tanto patrimônio envolvido nos contratos resultantes de modo um movimento nos mercados, de forma não aleatória, poder introduzir uma instabilidade na qual os contratos são demandados, mas não podem ser cumpridos. Qualquer discussão significativa sobre se um instrumento financeiro requer regulamentação deve envolver a escala de seu uso.

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