4) O que deve ser feito?

“… desde o início dos anos 80 … a maneira como treinamos as pessoas para pensar … no fluxo principal da economia … deixou-as quase incapazes de distinguir entre a superfície e a realidade subjacente. Não foi apenas a Era de Reagan e o início de fundamentalismo de mercado, surgido no início dos anos 80, e a revolução teórica das expectativas racionais e todo o resto, mas sim uma ruptura fundamental em como realmente treinamos nossos alunos a pensar. (…) Porque os adeptos desse novo tipo de modelagem econômica, ganhadores de quase todos os prêmios Nobel, disseram: – Você não precisa entender o quadro mais profundo… Você realmente não precisa conhecer os mecanismos subjacentes da economia, porque os preços vistos refletem esse mecanismo subjacente” — Jeffrey Sacks, em comentários no Earth Institute (Columbia University), no dia 20 de outubro de 2008.

A teoria econômica clássica foi um produto do Iluminismo, inventada por filósofos desejosos de contribuir para o crescimento da democracia liberal. Eles nos ensinaram como construir sociedades propícias à dignidade humana, com base no equilíbrio entre cooperação e liberdade de perseguir a vida, a liberdade e a felicidade.

O ponto alto do Iluminismo foi a influência mútua entre Newton, Locke e Montesquieu. Estes, por sua vez influenciaram “os pais fundadores” da Nação norte-americana a adotarem princípios de governo os quais eles acreditavam serem provenientes de observações da Natureza. Isto está no espírito de seus valores e idealismo compartilhados. Hoje, pedimos uma renovação da abordagem esclarecedora do Iluminismo para compreender e governar racionalmente as sociedades humanas.

No século passado, a Ciência desenvolveu novas ferramentas para entender complexidades e sistemas em evolução, como a economia. Pedimos a economistas, outros cientistas e elaboradores de políticas públicas trabalharem juntos para desenvolver uma nova abordagem para conceituar e modelar a economia de modo confiável o suficiente para servir de guia para a construção e regulação de mercados.

Como devemos provocar essa transformação na teoria econômica? Vamos separar a discussão no imediato, no próximo e no longo prazo.

A crise econômica deve ser estabilizada imediatamente. Isso tem e ser realizado, pragmaticamente, sem ideologia indevida e sem confiar nas ideias e suposições fracassadas condutoras à crise. A Ciência da Complexidade pode ajudar aqui. Por exemplo, é errado falar em “restaurar os mercados ao equilíbrio”, porque os mercados nunca estiveram em equilíbrio estável. Já estamos muito à frente se falamos em “restaurar os mercados a um estado crítico auto-organizado estável”.

No curto prazo, um projeto econômico necessário significa reunir um grupo de bons cientistas, alguns com muito domínio sobre Economia e Finanças, e outros tendo se destacado em outras áreas da ciência, mas capazes de trazer novas mentes e perspectivas para enfrentar o desafio, focar no desenvolvimento de uma conceptualização da teoria econômica e modelagem cada vez mais confiável.

Para isso, é necessário realizar pesquisas para desenvolver um novo paradigma para a teoria econômica e modelagem de mercados. Esta pesquisa deve ser realizada de acordo com o método científico, onde todas as suposições devem ser testadas contra o mundo real, teorias alternativas devem ser desenvolvidas e refinadas. Estas devem ser comparadas entre si e testadas novamente.

Em todo esse trabalho, economistas, contadores e matemáticos financeiros devem unir forças com teóricos da Complexidade e outros cientistas com o objetivo de refazer a teoria econômica com modelagem para oferecer orientação confiável para a organização e regulamentação de mercados financeiros estáveis. A pesquisa deve ser realizada de forma interdisciplinar e com espírito aberto.

O objetivo desta pesquisa é uma nova conceituação científica para a Economia. Uma modelagem possível de fornecer conselhos confiáveis ​​na construção, execução e regulação de instituições financeiras e mercados, de modo a servir ao propósito de crescimento e estabilidade no padrão de vida de todas as pessoas.

As empresas e os mercados financeiros devem inovar para servir seu maior objetivo ao fornecer fluxos de capital eficientes para o crescimento e a inovação de bens e serviços, bem como um repositório seguro para nossas poupanças coletivas. Inovação em métodos de especulação não relacionados à produção estável de bens e serviços e ao fluxo eficiente de capital, dentro do sistema, deve ser reconhecido e desencorajado.

Se esta pesquisa for bem-sucedida, será discutido se um determinado instrumento financeiro deve ser permitido ou como deve ser regulamentado. Isso não deve ser uma questão de opinião fortuita ou ideologia. Isto deve basear-se em modelagem detalhada e dados retirados de experimentos do mundo real e tratados com o escrutínio trazido à apresentação, por exemplo, de um novo avião.

Em longo prazo, é necessário haver uma metodologia independente e apartidária para modelagem financeira e financeira. Ela envolve padrões acordados globalmente, como no mundo da modelagem climática.

Como naquele mundo, pode-se imaginar uma comissão internacional de cientistas econômicos. Eles desenvolvem, testam e comparam modelos econômicos entre si, e contra dados anteriores, para haver uma compreensão confiável de quais são os melhores modelos e quão confiáveis ​​são para estudar diferentes tipos de problemas e prever impactos de novo regulamento econômico-financeiro proposto. Isso permitirá novas propostas e instrumentos financeiros inovadores ou mudanças nas regras de negociação ou contábeis sejam testados, em um ambiente aberto, usando as melhores práticas para entender seus resultados.

Uma economia envolve encontrar equilíbrio entre objetivos de longo e curto prazo, com aceitáveis distribuições de riqueza e recompensas por inovação e assunção de riscos. Governos diferentes podem abraçar diferentes filosofias sociais e podem procurar estabelecer relações econômicas e regulamentos financeiros para obter como resultado desejado um pouco diferente do atual.

O papel de uma organização independente e apartidária na conceptualização científica da economia deve ser fornecer a esses formuladores de políticas com a noção de os novos regulamentos econômicos e financeiros sejam considerados a obter os resultados desejados por eles. Estes não envolverão, involuntariamente, más consequências para os outros.

Pode-se também imaginar, em longo prazo, o software usado para modelar mercados. Espera-se as economias serem abertas, para os conceitos de um sistema aberto serem criticados e melhorados por especialistas, sejam eles profissionais, acadêmicos ou governamentais, e independentemente do país onde trabalham.

Talvez, nesse ponto de vista incerto como o atual, seja bom terminar com uma visão de o que é um conhecimento científico mais amplo, ou seja, uma abordagem adequada para modelar os mercados econômicos. Como resultado de aumentos de exigências no padrão de segurança de aviões, e aplicação rigorosa dos procedimentos de gerenciamento de riscos, houve menos e menos acidentes por milha voada nas últimas décadas. Isso não prejudicou a inovação – novos aviões são regularmente introduzidos incorporando melhorias em motores, construções e instrumentação.

O que podemos buscar é um sistema financeiro similarmente projetado e regulamentado de acordo com princípios científicos sólidos e testados, para acidentes e crises uma vez por década tornar-se algo do passado. Desse modo, a inovação em bens e serviços prosperará em ambiente econômico estável.

 

 

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