Ninguém solta a mão, ninguém…

Ninguém solta a mão de ninguém

Quando a fera fere e mata alguém
Só porque difere de gênero, tem
Algo enrustido, algo enrustido
Quando descrimina a pele de alguém
E não preza a mina de onde ‘cê vem
Faz um ebó pra ele, um ebó pra ele
Ninguém solta a mão de ninguém
Olho no olho, gente por gente
Cuidar de cada um dentro de nós
Ninguém solta a mão de ninguém
Olho no olho, gente por gente
Cuidar de cada um dentro de nós
Quando acelera, atropela alguém
Envenena o ar e expõe seu desdém
Pega a bicicleta, pega a bicicleta
Se derruba a mata e atira em alguém
Que cuida da floresta como mais ninguém
Faz um rapé pra ele, um rapé pra ele
Ninguém solta a mão de ninguém
Olho no olho, gente por gente
Cuidar de cada um dentro de nós
Ninguém solta a mão de ninguém
Olho no olho, gente por gente
Cuidar de cada um dentro de nós
Se criminaliza o direito de alguém
De ter moradia e uma terra também
Movimenta ele, movimenta ele
Esse alguém sem nome sou eu e você
Se juntar não some, faz aparecer
Nome e sobrenome, nome e sobrenome
Ninguém solta a mão de ninguém
Olho no olho, gente por gente
Cuidar de cada um dentro de nós
Ninguém solta a mão de ninguém
Olho no olho, gente por gente
Cuidar de cada um dentro de nós

Ninguém Solta a Mão de Ninguém
UELO

Tanta coisa fora do lugar
Parece que o mundo já não sabe mais como falar
Perdemos nossa voz

O tempo passa, mas ninguém vê
Só acreditam no que falam na TV e nada mais
Perdemos nossa voz

Mas não vão nos calar

A gente grita alto, só levanta e vem
Se a gente tiver junto tá tudo bem
Ninguém solta a mão de ninguém
Se o mundo tá estranho, a gente fica em paz
É só gritar bem alto e cada vez ir mais além
Ninguém solta a mão de ninguém

Tá tudo cada vez pior
O mundo desandando e ninguém fala nada
E a nossa roupa encharcada de suor
Mas vamos levantar, gritar, cantar
Ou seja lá o que for
Perdemos a nossa cor

Mas não vamos parar

A gente grita alto, só levanta e vem
Se a gente tiver junto tá tudo bem
Ninguém solta a mão de ninguém
Se o mundo tá estranho, a gente fica em paz
É só gritar bem alto e cada vez ir mais além
Ninguém solta a mão de ninguém

Eu acredito num lugar melhor
Eu acredito tudo vai mudar
Eu acredito

A gente grita alto, só levanta e vem
Se a gente tiver junto tá tudo bem
Ninguém solta a mão de ninguém
O mundo tá estranho e ninguém tá em paz
Se a gente gritar alto, há a cada dia mais alguém
Ninguém solta a mão de ninguém

Depois da confirmação da eleição de Jair Bolsonaro como próximo presidente do Brasil, ao sentimento de incerteza com o futuro do país que já era inevitável, somou-se o temor, especialmente por parte da população LGBT, negra, feminina e indígena, diante das abomináveis declarações e atitudes que marcaram a trajetória de Bolsonaro até a presidência.

Uma ilustração que captou o espírito do momento e o reafirmou em um sentido de união e resistência então viralizou – trazendo duas mãos entrelaçadas com uma flor entre elas, e a frase: ninguém solta a mão de ninguém.

Mas qual a história por trás do desenho e principalmente da frase que tomou conta de milhares de feeds na internet?

Quem criou a ilustração foi a tatuadora e artista mineira Thereza Nardelli, que afirmou em redes sociais se tratar de algo que sua mãe sempre lhe disse, como incentivo e reconforto em momentos difíceis.

Mas uma postagem no jornal GGN aponta outro fundo histórico para a frase: essa também era a mesma exata fala que servia como “grito de pavor” nos barracos improvisados do curso de ciências sociais da USP, durante a ditadura militar, quando os agentes do regime cortavam a luz para invadir o local.

“De noite, quando as luzes das salas de aula eram repentinamente apagadas, os estudantes buscavam as mãos uns dos outros e se agarravam ao pilar mais próximo”, diz o post. “Depois, quando as luzes acendiam, faziam uma chamada entre eles”.

O fim da história, no entanto, como era comum durante os anos de chumbo, não era sempre bom. “Muitas vezes acontecia de um colega não responder, pois já não estava mais lá”, conclui a postagem.

Alunos sendo detidos por agentes da ditadura

A conexão entre as duas origens parece não passar de uma triste coincidência, ainda que o espírito seja efetivamente o mesmo.

Em um comentário no post original, a mãe de Thereza explicou o ocorrido: “Quando falei a frase para minha filha Thereza Zangadas não conhecia essa história. Mas somos todos um e nossas emoções se misturam em um tempo sem passado ou futuro, quando o ideal libertário fala por si só”, ela escreveu, e concluiu: “Obrigada a todos e todas que se sentiram, de alguma forma, abraçados. Seguimos juntxs, em resistência”.

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