Menos Trabalho Alienante, Mais Lazer Criativo!

  • Em um ano há 365 dias e, durante suas 52 semanas, há 252
    “dias úteis”, descontando 102 dias de fim de semana e 9 feriados.
  • Descontando 22 dias úteis de férias, sobrariam 230 X 8 horas = 1.840 horas de trabalho por ano; considerando 30 anos de trabalho, são 55.200 horas trabalhadas na vida ativa.
  • Como a Reforma da Previdência aumentou cinco anos de vida ativa, serão mais 9.200 horas de trabalho até se aposentar, totalizando 64.400 horas, pagando mais contribuições, e tendo menos vida inativa até o falecimento; os trabalhadores só perderão.
  • Contrapartida: negociar 48 semanas X 36 horas (9 horas/dia em 4 dias semanais) = 1.728 horas anuais; considerando 35 anos de trabalho, seriam 60.480 horas trabalhadas na vida ativa; elevaria em 5.280 horas a carga de trabalho anterior, mas teria mais um dia livre na semana.
  • Quando a capacidade produtiva industrial está ultrapassando a capacidade de consumir, há a migração massiva de trabalhadores para
    se transformarem em prestadores de serviços pessoais: ”cuidadores” e consumidores passivos.
  • Na ”desocupação criativa”, não viveríamos à espera do tempo vazio do lazer passivo e da aposentadoria, mas sim usufruiríamos do tempo liberado para uma vida ativa de outra natureza.

Delphine Strauss (Financial Times, de Londres, 29/07/2020) não entende essa conquista social para o avanço civilizatório: redução da jornada de trabalho em Era da Automação ou Robotização.

A maioria das pessoas no Reino Unido está tendo menos tempo para lazer do que há 40 anos, embora a média das horas de trabalho remunerado tenha caído, de acordo com pesquisa recente.

A pesquisa, do instituto de análise Resolution Fondation, põe em dúvida o pressuposto de o aumento de produtividade possibilitar uma semana de trabalho mais curta. Isto permitiria que as pessoas passassem mais tempo praticando esportes, em atividades sociais ou “hobbies”. Essa luta social vem avançando por décadas até os anos 1970, desde o livro de André Gorz, “Adeus ao Proletariado“.

“Não foi essa a mudança ocorrida na vida das pessoas nas últimas quatro décadas, por mais desejável que seja”, disse George Bangham, economista da Resolution Foundation. “Os homens estão realizando menos trabalho remunerado, e as mulheres estão realizando mais. Ambos têm menos tempo para recreação – com o aumento do tempo dedicado a cuidar dos filhos e a diminuição do tempo de lazer.”

As mulheres dedicaram 45 minutos a mais por dia ao trabalho remunerado em 2014-2015 do que em 1974, de acordo com o relatório, ao mesmo tempo que também passaram quase meia hora a mais diretamente envolvidas no cuidado com as crianças. Elas liberaram tempo para isso ao dedicar menos tempo para cozinhar, praticar esportes ou atividades sociais. Ora, não caiu a taxa de natalidade?

A média das horas de trabalho remunerado dos homens caiu durante o período, mas eles dedicaram mais tempo ao trabalho não renumerado, como cozinhar ou fazer compras, e em cuidar dos filhos. Além disso, tanto homens quanto mulheres passaram a dormir mais do que na década de 70.

Essas médias, no entanto, mascaram diferenças existentes entre famílias mais e menos prósperas.

A Resolution Foundation disse: enquanto homens e mulheres assumem parcela mais equitativa de trabalho remunerado e não remunerado, surgiram novas divisões entre famílias de níveis de renda diferentes.

Nas famílias parte dos 25% mais pobres, o tempo de trabalho remunerado dos homens permaneceu praticamente inalterado, enquanto as mulheres trabalharam por muito mais horas.

Na faixa dos 25% mais pobres, no entanto, o tempo de trabalho remunerado caiu até mesmo para as mulheres, enquanto os homens passaram a trabalhar três horas a menos por dia do que em 1974. Isso tornou os homens de baixa renda o único grupo demográfico que dispõe de mais tempo de lazer. Eles passam assistindo TV, jogando videogame ou no computador.

Isso significou também a diferença do total de horas de trabalho remunerado entre famílias de baixa e alta renda ter crescido a partir dos 40 minutos computados em 1974 para 4 horas e 20 minutos em 2014-2015, segundo a pesquisa.

Apelos para as autoridades adotarem como meta uma semana laboral de quatro dias são equivocados, porque – embora muitos comemorariam trabalhar menos – uma política desse gênero beneficiaria principalmente homens de maior renda, sem levar necessariamente a um aumento dos momentos de lazer.

“Numa época em que muitas famílias repensam o uso que fazem do tempo à luz do confinamento, é importante lembrar que, enquanto alguns querem trabalhar menos horas, outras querem ou necessitam trabalhar mais”, disse o pesquisador sem conhecimento de o avanço do feminismo e da luta por maior igualdade social serem complementares à diminuição da jornada de trabalho semanal com manutenção do rendimento.

A prioridade para muitos de baixa renda é conseguir mais horas e mais controle sobre como trabalhavam. A Resolution Foundation observa: “para alguns, a pandemia significou reduzir tempo de deslocamento e trabalhar de maneira flexível. Para outros, o impacto é a redução indesejada das horas de trabalho”.

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