Primeiros Anos do Capitalismo Norte-americano (1790-1840): Riqueza Imobiliária

Lembre-se: tempo é dinheiro (Benjamin Franklin) 

A América em 1790 era um lugar diverso e uma terra de oportunidades incomparáveis. A classe de comerciantes existentes, principalmente britânicos e holandeses de origem, já havia conquistado carreiras lucrativas como comerciantes. Eles ganhavam a vida de inúmeras maneiras, mas a maioria girava em torno do comércio de mercadorias essenciais cobiçadas pelos europeus, como peles, recursos naturais e tabaco. 

A especulação imobiliária foi outra área de negócio capaz de chamar a atenção porque os americanos tinham abundância de terras e os europeus a desejavam provavelmente mais além de qualquer outro tipo de propriedade. 

Nesses esforços, as grandes fortunas americanas – aquelas de Girard, Astor, Biddle e outros – seriam feitas e ocasionalmente destruídas. A maior parte das riquezas da América baseava-se na abundância de terras

O Novo Mundo forneceu mais do que apenas espaço para os europeus famintos por terra. Os milhões de acres subdesenvolvidos a oeste dos Alleghenies forneceram uma prova tangível de as teorias demográficas extremamente pessimistas de Thomas Malthus terem um antídoto distintamente americano. 

“A população, quando não controlada, aumenta em uma proporção geométrica. A subsistência só aumenta em uma proporção aritmética”, escreveu Malthus em seu Ensaio sobre o Princípio da População de 1798, sugerindo a população estar crescendo mais rápido face aos suprimentos alimentares. Mas a abundância da América do Norte era a prova de as teorias pessimistas da desgraça estarem equivocadas. Os Estados Unidos foram o salvador da Europa superlotada. 

Horace Greeley escreveu mais tarde: “Se você não tem família ou amigos para ajudá-lo, e nenhuma perspectiva aberta para você …, volte seu rosto para o grande Oeste e aí construa sua fortuna e seu lar.” Quando ele escreveu isso em 1846, pelo menos duas gerações já o haviam feito. 

Com a abundância de terra, comida, peles e minerais, a única condição do esforço para acumular riqueza foi auto-imposto. O sucesso foi limitado apenas pela falta de imaginação. 

O comércio com os europeus e com os índios, a fabricação de alimentos básicos e o transporte de navios haviam sido realizados com sucesso por alguns dos mais antigos e mais novos empresários do país. O empresário ao prestar esses serviços agregava valor a outros bens e serviços para uma sociedade, na época, dificilmente autossuficiente.

Ganhar dinheiro era algo estimulado, quase esperado, contanto algumas regras básicas do jogo serem seguidas. Outros também tiveram de se beneficiar do empreendedorismo. 

Uma forma popular de Filosofia Utilitarista estava em voga, e a América estava provando ser seu melhor laboratório. A ética protestante ainda não havia desaparecido, mas a influência não era bem aceita. 

Pedir dinheiro emprestado para ter sucesso nos negócios estava se tornando popular porque era reconhecido como a única maneira de o capitalismo ser praticado em alguns casos. Mas a prática ainda não era socialmente aceitável e também tinha uma base institucional fraca. 

Entre a independência e a Guerra Civil, a terra desempenhou um papel central nos investimentos e sonhos americanos. As vastas áreas do país e seus territórios aparentemente intermináveis ​​forneceram oportunidades incalculáveis ​​para americanos e europeus. 

Eles representavam tudo o que o Velho Mundo não podia mais oferecer – oportunidade, espaço para crescer e possibilidades de investimento. A ideia certamente nunca perdeu seu fascínio. 

Quando os primeiros empresários pediam emprestado grandes somas de dinheiro, muitas vezes era para comprar terras na esperança de vendê-las com lucro para outra pessoa. Mesmo depois de muitas terras terem sido tituladas, no século XIX, seu papel central na ideologia americana nunca foi esquecido. 

Seu papel como parte central do sonho americano ainda é frequentemente usado para descrever a experiência americana em um nível individual. Na época da Independência Americana, a terra era vista menos para propriedade em lugar de ser para fins produtivos. 

A Inglaterra já havia sido despojada de muitos recursos naturais e novas terras foram procuradas para fornecer um novo suprimento. O carvalho já estava extinto na Grã-Bretanha e muitas madeiras nobres tiveram de ser importadas. 

A visão das vastas florestas apalaches provou ser tentadora para os europeus superlotados e sobrecarregados. Eles cobiçavam a madeira, peles e minerais que essas vastas extensões podiam fornecer. Muita terra também era necessária para fornecer a nova safra viciante desejada por europeus e americanos: o tabaco. 

O desejo de possuir uma propriedade também estava profundamente enraizado na imaginação europeia, e particularmente inglesa. No século anterior, depois da Guerra Civil na Grã-Bretanha, John Locke defendeu vigorosamente a propriedade como uma extensão do eu do homem. Privar um homem de propriedade era privá-lo de um direito básico, como bem sabiam os autores da Constituição americana. 

Argumentando de forma persuasiva em The Federalist Papers, James Madison afirmou: “O governo é instituído não menos para a proteção da propriedade em comparação à proteção individual das pessoas”. 

Este princípio constitucional ajudaria a tornar a propriedade em uma questão central na política americana. Mas na década de 1790 ainda era uma espécie de conceito novo. No entanto, apresentava oportunidades para uma vasta riqueza. 

Logo quando a tinta da Constituição secou, ​​os investimentos europeus no novo país aumentaram substancialmente. Dentro de alguns anos, a especulação imobiliária causaria o primeiro crash financeiro em Wall Street

Apesar da promessa, fazer negócios na América colonial em meados e no final do século XVIII não era uma tarefa fácil. Cada colônia tinha sua própria moeda e zelosamente protegia sua posição econômica, mesmo quando o governo federal foi formado após a independência. 

A Constituição proibiu os Estados de cunhar seu próprio dinheiro depois de 1789, mas os bancos licenciados para a emissão monetária logo seriam estabelecidos. Dentro dos Estados, os bancos emissores assumiram essa tarefa. 

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