Método Científico

O filósofo Francis Bacon (1561-1626) estabeleceu um novo método para conduzir experiências científicas, baseado em observações detalhadas e raciocínio dedutivo. Sua metodologia forneceu um novo sistema para investigar o mundo.

Ele enfatizou a necessidade de testar uma nova teoria. É dever do cientista buscar exemplos negativos, chamados de “cisnes negros” por falsear a teoria de “todos os cisnes são brancos”.

Colocou em primeiro plano a experiência prática na Ciência. Foi criticado por negligenciar a importância dos saltos imaginativos para impulsionar todo progresso científico.

O conhecimento científico avança cumulativamente, descobrindo leis (padrões) e tornando possíveis as invenções. Permite se fazer atividades antes impossíveis. 

Bacon considerava as aplicações práticas das descobertas científicas serem seu objetivo principal. Por isso, conhecimento é poder.

René Descartes (1596-1650) tinha o projeto de expandir o conhecimento e a compreensão do mundo. Juntava ao desejo de livrar a Ciência do ceticismo perturbante acerca da possibilidade de conhecimento genuíno em geral.

Sua obra se divide entre: 

  1. Metafísica (o estudo do ser e da realidade) e 
  2. Epistemologia (o estudo da natureza e dos limites do conhecimento). 

Descartes não apresenta argumentos para provar ou refutar certas afirmações. Em lugar disso, guiava o leitor pelo caminho percorrido por cientistas. O estudante é forçado a adotar o ponto de vista de quem reflete, ponderando sobre as cosias e descobrindo a verdade, como o cientista fizera.

Essa abordagem é próxima, mas não idêntica à do método socrático, no qual o filósofo gradualmente extrai a compreensão da própria pessoa. O conhecimento da razão científica do outro não se apresenta pronto e acabado, para ser logo consumido, mas sim para ser evoluído por novos insights ao prosseguir a investigação.

Para crenças terem estabilidade e resistência – duas importantes marcas do conhecimento –, Descartes usou a chamada “dúvida metódica”. É baseada em reflexão capaz de abandonar qualquer crença, cuja verdade possa ser contestada, superficial ou completamente.

Ainda partindo de completo ceticismo, pode-se alcançar o conhecimento. Começa-se submetendo as crenças a uma série de argumentos céticos cada vez mais rigorosos, questionando como se pode ter certeza da existência de qualquer coisa.

O mundo conhecido é apenas uma ilusão? Nossos sentidos são uma base segura para o conhecimento?  Não sofremos “ilusão de ótica”? Não sonhamos como fosse a realidade? Axiomas matemáticos não podem ser conhecidos através da razão – e não da sensação?

Se tudo está sujeito à dúvida, então, não há qualquer base sólida sobre a qual trabalhar. A dúvida universal é incapaz de encontrar um apoio. O ceticismo assim impossibilita iniciar sua jornada de volta ao conhecimento e à verdade.

Porém, há uma crença da qual não se pode duvidar: a crença na própria existência pessoal. “Penso, logo existo”. Como se pode duvidar da própria existência, se é preciso existir para ter dúvida?

“Eu sou, eu existo”. Esta é a primeira certeza de Descartes. O “eu” meditador percebe ser verdadeiro, existir. É intuição direta, não a conclusão de um argumento.

O argumento lógico mais simples é um silogismo. Tem duas premissas e uma conclusão. A partir de apenas uma única crença verdadeira não se avança.

Somos capazes de adquirir conhecimento a partir da própria certeza. A compreensão do pensado é limitada pela compreensão da própria existência. Assim, “pensar” é também algo a respeito do qual não se pode racionalmente duvidar. Afinal, duvidar é um tipo de pensamento: duvidar daquilo pensado é pensar

Se o ser humano existe e se ele pensa, todos meditadores existentes pensam. Das duas premissas verdadeiras ou certa se extrai essa conclusão.

Ser algo pensante, ou seja, uma mente carregada por um corpo, significa ser algo físico com capacidade de pensar. No entanto, de acordo com “o dualismo cartesiano”, a mente e o corpo são tipos diferentes de coisas ou substâncias distintas – uma imaterial, outro material. São componentes capazes de interação para emergência deste sistema complexo: o ser humano.

Descartes é considerado como “pai da Filosofia moderna” por ter buscado dar à Filosofia a certeza da Matemática sem recorrer a qualquer tipo de dogma ou argumento de autoridade. Estabeleceu um fundamento firme e racional para o conhecimento.

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