Método Socrático contra a Vida Irrefletida dos Crentes

Para viver uma vida virtuosa, segundo a Filosofia de Sócrates, é necessário distinguir entre o “bom” e o “mau”. Como são conceitos absolutos – e não relativos –, só podem ser julgados por meio de um processo de questionamento e raciocínio.

Por isso, a moralidade e o conhecimento estão relacionados. Uma vida alienada e não questionada é uma vida de ignorância, isto é, sem conhecimento nem moralidade. Sócrates conclui seu raciocínio: “a vida irrefletida não vale a pena ser vivida”.

Ele não procurava respostas ou explicações definitivas. Somente investigava a base dos conceitos aplicados a nós mesmos. Compreender quem somos é primeira tarefa da Filosofia.

Questionava as crenças mais estimadas e daí as pessoas crentes. A vida virtuosa acontece quando se alcança a paz de espírito como resultado de fazer a coisa certa em vez de viver de acordo com os códigos morais de uma religião e/ou da sociedade.

Virtude implica em excelência e concretização. É o mais valioso dos bens. Evita a pretensão de se fazer mal a si e aos outros sem ter consciência disso, ou seja, ser idiota.

Agir contra sua consciência leva a se sentir desconfortável sem paz de espírito. O mal é cometido pela falta de sabedoria e conhecimento. É feito sem boa vontade.

A casta dos sábios pensa da seguinte forma. Há apenas uma coisa boa: conhecimento. Há uma coisa má: ignorância.

Por ser a única coisa, devemos sempre questionar o conhecimento sobre nossa vida. O cultivo do conhecimento, em vez de riqueza ou status, seria o objetivo supremo da vida.

Não ocorre por mera curiosidade, mas por ser a razão de existirmos. O autoconhecimento define a pessoa.

O método socrático de questionamento do conhecimento é uma inovação disruptivas na Filosofia. Assume o ponto de vista de quem nada sabe e, simplesmente, faz perguntas. Dessa forma, expõe contradições nas argumentações e falhas nas respostas. Daí extrai inspirações ou insights. Atua como uma parteira no nascimento de ideias.

O mais sábio diz não saber nada. Tem noção da dimensão de sua imensa ignorância face a tudo conhecido e a conhecer de todo o mundo.

Para adquirir conhecimento acerca do mundo e de si mesmo é necessário compreender os limites da própria ignorância e remover as ideias preconcebidas, recebidas e adotadas sem reflexão. Só então se pode ter esperança de se aproximar da verdade, isto é, O Todo.

Sofisma é a esperteza para proveito próprio. É diferente do método socrático de instruir as pessoas através das próprias reflexões, motivadas pela exploração ou questionamento das ideias possuídas.

A conversa inteligente em si proporciona iluminações. Por meio de uma série de perguntas, revela as ideias e pressuposições de seu interlocutor. Então, expõe as contradições em seu discurso. Leva o outro a concordar com um novo conjunto de conclusões.

O método de examinar um argumento por meio da discussão racional a partir de uma posição assumida de ignorância a respeito do pensamento do outro é uma revolução. Resulta no argumento indutivo: um conjunto de premissas, baseadas em experiências, é inicialmente confirmado como verdadeiro. Então, leva a uma verdade universal na conclusão, porém, provisória até novo questionamento. Deu origem ao método científico.

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