Método Racionalista

Frequentemente, a Filosofia moderna é apresentada dividida em duas escolas;

  1. a dos racionalistas, incluindo René Descartes, Bento de Espinosa e Immanuel Kant;
  2. a dos empiristas, incluindo John Locke, George Berkeley e David Hume.

Vários filósofos não se encaixam, automaticamente, neste ou naquele grupo. A diferença essencial entre as duas escolas era epistemológica. Elas divergiam em suas opiniões sobre: 

  1. o que podemos saber e 
  2. como sabemos o que sabemos.

Os empiristas sustentavam o conhecimento derivar da experiência, enquanto os racionalistas afirmavam o conhecimento poder ser adquirido exclusivamente por meio da reflexão racional.

Blaise Pascal (1623-1662) desenvolveu a Filosofia da Mente com uma abordagem voluntarista. A imaginação é uma força poderosa no ser humano. Ela pode ultrapassar a razão. Mas pode levar a verdades ou falsidades. Pode fornecer uma visão de justiça ou felicidade onde elas não existem realmente. Assim a imaginação desvia do caminho certo.

John Locke (1632-1704) desenvolveu a Epistemologia com uma abordagem empirista. Os racionalistas acreditam em todos nascerem com algumas ideias e conceitos inatos. Mas isso não é confirmado pelo fato de não haver verdades encontradas em todos nós desde o nascimento. Não há ideias universais encontradas em pessoas de todas as culturas em todos os tempos. Tudo sabido é adquirido a partir da experiência.

A mente humana, no nascimento, é como uma tela em branco ou “tábula rasa”. Todo conhecimento sobre o mundo só pode vir de nossa experiência, transmitido a nós pelos sentidos. Podemos, então, racionalizar esse conhecimento para formular novas ideias.

Qualquer ser humano pode ser transformado por uma boa educação. Ela estimula o pensamento racional e os talentos individuais. Por meio da análise detalhada das faculdades mentais do homem, é possível definir os limites exatos do cognoscível.

Se há apenas verdades contingentes, e não necessárias, as ideias surgem de três maneiras:

  1. derivadas da experiência;
  2. inferidas a partir da razão;
  3. conhecidas de maneira inata.

Gottefried Leibniz (1646-1716) desenvolveu a Epistemologia com uma abordagem racionalista. Para ele, há dois tipos de verdade:

  1. a verdade de razão;
  2. a verdade de fato.

Leibniz era um racionalista. Essa sua distinção das verdades marca um desvio do debate ente racionalismo e empirismo. 

Alega, em princípio, todo conhecimento pode ser acessado pela reflexão racional. No entanto, devido a deficiência de suas faculdades racionais, os seres humanos devem contar com a experiência como meio de aquisição de conhecimento.

Toda coisa no mundo tem uma noção distinta. Essa noção contém toda verdade sobre essa coisa, incluindo sua conexão com outras coisas. Podemos analisar essas conexões ou interações entre componentes por meio da reflexão racional.

Quando a análise é finita, podemos alcançar a verdade final. Essa está entre as verdades da razão.

Quando a análise é infinita, não podemos alcançar a verdade final pela razão, somente pela experiência. Essas são as verdades de fato.

Então, há verdades cuja necessidade podemos descobrir e verdades cuja precisão não descobrimos. Por exemplo, o futuro contingente, ou seja, indeterminado, não é possível de ser antevisto por seres humanos limitados.

Aliás, nem mesmo um ser sobrenatural possui a divindade da onisciência e da onipotência em simultâneo. Se é onisciente, sabe o que acontecerá no futuro. Mas, nesse caso, perde sua onipotência de poder alterar o futuro prenunciado.

A Filosofia de José Ortega Y Gasset (1883-1955) é sobre a vida. Como ela se interage criativamente com esta. A razão não é algo passivo, mas ativo. Permite entender como lidar com as circunstâncias, nas quais nos encontramos, e mudar nossas vidas em melhor sentido.

Não faz sentido ver a nós mesmo separados do mundo. Estamos sempre imersos em circunstâncias particulares, tais como onde vivemos, o que fazemos e coisas supostas por nós. Podemos aceitar ou rejeitar essas circunstâncias, imaginando novas possibilidades.

Essas novas possibilidades colidem com nossas circunstâncias atuais. A vida é uma série de colisões com o futuro.

O dever do filósofo é expor as pressuposições subjacentes a todas as nossas crenças. Têm primeiro reconsiderar suas crenças, entender de onde elas vêm e, então, comprometer-se em criar novas possibilidades.

A realidade é um processo em evolução no qual o indivíduo e o mundo são dependentes um do outro. Nascemos em um mundo capaz de nos moldar, mas aprendemos também podermos mudar o nosso mundo, modificando o modo como o percebemos e liberando-nos para imaginar – e atuar em direção a novo futuro.

Trata-se de desafiar as circunstâncias tanto no nível pessoal quanto no político. Toda tentativa de mudança será desafiada. Mas temos o dever de continuar avançando contra as circunstâncias limitadoras.

A democracia carrega em si a ameaça da tirania pela maioria se não respeitar os direitos de sobrevivência dos valores das minorias. Viver pelo Império da Maioria – ou como todo o mundo – é viver sem visão pessoal ou código moral próprio.

Se não nos engajarmos, criativamente, com nossas próprias vidas, dificilmente estaremos vivendo conscientemente. A razão é vital. Ela mantém a energia da vida.

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