Cognição

Cognição é a capacidade de processar informações e transformá-las em conhecimento. É adquirida com base em um conjunto de habilidades mentais e/ou cerebrais como a percepção, a atenção, a associação, a imaginação, o juízo, o raciocínio e a memória.

As informações a serem processadas estão disponíveis no meio-ambiente natural e institucional onde vivemos. O cérebro interpreta todas as informações captadas pelos cinco sentidos. Faz a conversão dessa interpretação na nossa forma de ser.

O processo cognitivo, para a formação de qualquer conhecimento, ocorre através de atividade mental. Desenvolve-se desde o nascimento até a fase de envelhecimento.

As funções cognitivas trabalham em conjunto para adquirirmos novos conhecimentos e criarmos interpretações. Algumas delas são: percepção, atenção, aprendizagem, pensamento, memória, linguagem ou comunicação.

O comportamento é uma combinação das capacidades cognitivas de uma pessoa com uma série de reações dela relativamente às interações com o ambiente, seja com outras pessoas, seja através de lógicas de ações adquiridas: familiar, religiosa, cívica, etc. Esses processos mentais básicos relacionam-se com o desenvolvimento intelectual individual.

A cognição está diretamente relacionada com a aprendizagem. A motivação de aprender com a repetição, isto é, a percepção de padrões, se deve à pressão do ambiente em torno de um indivíduo para ele se submeter ao comportamento coletivo.

A estimulação cognitiva tem como objetivo aprimorar o raciocínio, a capacidade de resolver problemas, a memória, a comunicação, etc. A capacidade cognitiva de um indivíduo se refere ao seu poder de interpretar, assimilar e se relacionar com estímulos.

Os sistemas cognitivos abrangem sistemas naturais ou artificiais de processamento de informação sobre o comportamento de um indivíduo em relação a outros seres humanos e ao ambiente onde está inserido. A evolução da inteligência artificial lhe dota da capacidade de aprender, processar e interpretar as informações sobre os seres humanos, em um contexto, por eles deixarem “pegadas digitais”.

A revolução nas habilidades cognitivas dos Homo sapiens ocorreu há 70 mil anos. Mutações genéticas acidentais mudaram as conexões internas do cérebro dessa raça humana, possibilitando-lhe pensar de maneira distinta das demais raças e se comunicarem usando um novo tipo de linguagem. Pela destruição do meio-ambiente onde as demais sobreviviam, o Homo Sapiens se torna a única espécie humana sobrevivente desde 13 mil atrás.

A competição por recursos talvez tenha deteriorado fontes de alimentação das outras raças humanas e provocado o extermínio. A tolerância até hoje não caracteriza os sapiens. Buscando uma “previsão do passado”, pergunta-se: terá havido uma “limpeza étnica”, eufemismo para genocídio, nos primórdios da história humana?

O fato de a linguagem humana conectar uma série de sons, para produzir um número infinito de frases com significados diferentes, propiciou aprender, armazenar e comunicar informações sobre o mundo. A linguagem escrita ampliou a transmissão.

Homo sapiens é um animal social. A cooperação sempre foi essencial para sua sobrevivência e sua reprodução. Faz “fofoca” desde sempre, advertindo aos demais sobre quem odeia quem, quem copula com quem, quem é ou não é confiável

A fofoca, falsa ou verdadeira, adverte quanto a comportamentos inadequados, tendo como referência o comportamento da própria “tribo” – ou a atual “câmara de eco”. A revolução cognitiva propiciou também ao imaginário social criar mitos, ideologias, deuses e religiões. Criou até mesmo Estados nacionais com pressupostos “irmãos de sangue”. Quando vivemos intolerância e polarização extrema é hora de maior reflexão.

Para viver uma vida virtuosa, segundo a Filosofia de Sócrates, é necessário distinguir entre o “bom” e o “mau”. Como são conceitos absolutos – e não relativos –, só podem ser julgados por meio de um processo de questionamento e raciocínio.

Por isso, a moralidade e o conhecimento estão relacionados. Uma vida alienada e não questionada é uma vida de ignorância, isto é, sem conhecimento nem moralidade. 

Compreender quem somos é primeira tarefa da Filosofia. Questiona as crenças mais estimadas e, daí, as pessoas crentes. A vida virtuosa acontece quando se alcança a paz de espírito como resultado de fazer a coisa certa, dentro de um pacto e/ou contrato social. Não se trata apenas de viver de acordo com os códigos morais de uma religião ou uma ideologia, cada qual em busca de se sobrepor às demais.

O método de examinar um argumento por meio da discussão racional, a partir de uma posição assumida de ignorância a respeito do pensamento do outro, é uma revolução. Resulta no argumento indutivo: um conjunto de premissas, baseadas em experiências, é inicialmente confirmado como verdadeiro. O método científico leva a uma verdade universal na conclusão, porém, provisória até ser submetida a novo questionamento.

Há sempre a necessidade de testar uma nova teoria. É dever do cientista buscar exemplos negativos, chamados de “cisnes negros” por falsear a teoria de “todos os cisnes são brancos”.

O conhecimento científico avança cumulativamente, descobrindo leis (padrões) e tornando possíveis as invenções. Permite fazer atividades antes impossíveis. 

método cartesiano não apresenta argumentos para provar ou refutar certas afirmações. Em lugar disso, guia o estudante pelo caminho percorrido por cientistas. Ele adota o ponto de vista de quem reflete, ponderando sobre as coisas e descobrindo a verdade, como o cientista fizera antes de sua descoberta.

O conhecimento da razão científica do outro não se apresenta pronto e acabado, para ser logo consumido, mas sim para ser evoluído por novos insights ao prosseguir a investigação. A “dúvida metódica” é baseada em reflexão capaz de abandonar qualquer crença, cuja verdade possa ser contestada em parte ou completamente.

método socrático parte de completo ceticismo para alcançar o conhecimento. Começa-se submetendo as crenças a uma série de argumentos céticos, cada vez mais rigorosos, questionando como se pode ter certeza da existência de qualquer coisa.

Os empiristas sustentam o conhecimento derivar da experiência, enquanto os racionalistas afirmam o conhecimento ser adquirido exclusivamente por meio da reflexão racional. No entanto, a imaginação pode ultrapassar a razão e levar a falsidades. Ilude, por exemplo, com uma visão de justiça ou felicidade onde elas não existem realmente. Assim, a imaginação desvia do caminho certo em busca delas.

Qualquer ser humano pode ser transformado por uma boa educação. Ela estimula o pensamento racional e os talentos individuais. Questiona crenças irrefletidas.

O conhecimento é acessado pela reflexão racional. No entanto, devido à deficiência de faculdades racionais, muitos seres humanos contam mais com a experiência como meio de aquisição de conhecimento. Contrapõem a verdade de fato à verdade da razão.

O futuro contingente ou ainda indeterminado não é possível de ser antevisto por seres humanos limitados. Nem mesmo um ser sobrenatural possui a divindade contraditória da onisciência e da onipotência em simultâneo. Se é onisciente, sabe o que acontecerá no futuro. Nesse caso, perde sua onipotência de poder alterar o futuro prenunciado.

A vida é uma série de colisões com o futuro. Os humanos devem expor as pressuposições subjacentes a todas as crenças. Primeiro, reconsiderar as crenças, entender de onde elas vêm e, então, comprometer-se em criar novas possibilidades de raciocínio.

A razão não leva à atitude passiva, mas ativa. Permite entender como lidar com as circunstâncias, nas quais nos encontramos, e mudar nossas vidas em melhor sentido.

Nascemos em um mundo capaz de nos moldar, mas aprendemos também podermos mudar esse mundo. Trata-se de desafiar as circunstâncias, tanto no nível pessoal, quanto no político através de ações coletivas.

A democracia eleitoral carrega em si a ameaça da “tirania pela maioria” se esta for intolerante e não respeitar os direitos de sobrevivência dos valores das minorias. Viver como todo o mundo é viver sem visão pessoal ou código moral refletido.

As oposições binárias constituem o modo tradicional pensarmos o mundo. Temos a tendência de agrupar elementos do mundo real e imaginário em pares opostos.

O jogo de propor oposições binárias de vencedores e vencidos não é a atitude adequada para um pensamento a respeito de um sistema complexo. Ele deve ser analítico dos múltiplos componentes interativos – e não apenas de pares antagônicos. 

Não podemos fazer suposições a priori com certeza a respeito de resultante futura de múltiplas interações conhecidas e outras tantas ainda desconhecidas. Atuemos.

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