Atuação do Estado no Mercado

John Zysman, no livro Governments, Markets, and Growth (Cornell University Press, 1983), narra: o desempenho econômico de todos os países avançados se deteriorou na década de 1970, prévia à do início da Era do Neoliberalismo com Ronald Reagan nos Estados Unidos e Margareth Thatcher na Inglaterra. Em muitas nações, a deterioração foi bastante abrupta.

Os sinais gerais de problemas eram evidentes nas taxas de inflação saltou, as taxas de crescimento diminuíram e o número de pessoas sem trabalho ficou cada vez maior. Essa combinação infeliz foi rotulada de estagflação.

No fim dos anos de 1981 e 1982, as taxas de inflação em muitas nações diminuíram; mas o crescimento praticamente parou e o desemprego aumentou, além disso, atingindo níveis nunca vistos desde a Grande Depressão. O resultado na dor social ficou evidente em muitas histórias sobre indústrias, regiões e comunidades em dificuldade. 

Como as importações baratas de aço e têxteis, em função do dólar forte com o regime de câmbio flexível, resultaram em corte na produção doméstica, e o aumento da produtividade reduziu os restantes empregos ainda mais, os centros industriais tradicionais viraram regiões deprimidas. Mas as dificuldades da década de 1970 não foram simplesmente resultados da recessão ou de um salto patrocinado pela OPEP nos preços do petróleo. 

Uma profunda transição econômica estava em andamento nos países avançados. Envolvia mudanças básicas nos bens produzidos, como eles eram feitos, e onde eram feitos. Por exemplo, a produção de automóvel entrou em colapso na Grã-Bretanha e caiu nos Estados Unidos, enquanto cresceu rapidamente no Japão. 

Enquanto havia metalúrgicos desempregados em Pensilvânia, País de Gales e Lorraine, novos empregos na produção de aço foram sendo criado na Coréia, Taiwan e Brasil. Desemprego entre trabalhadores têxteis semiqualificados, no Sudeste norte-americano, foram acompanhados por escassez de engenheiros eletrônicos treinados e programadores de computador em outras partes dos Estados Unidos.

A deterioração econômica e a transição começaram a provocar políticas reações e contribuir para mudanças em quem governou. O estado da economia não foi a única questão partidária capaz de afetar as eleições, mas contribuiu para mudanças de governo na Suécia, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Estados Unidos e Japão. 

Foi um momento difícil para os titulares de todas as cores políticas, mesmo incumbentes entrincheirados. Os conservadores na França perderam o poder pela primeira vez em quase um quarto de século, enquanto na Suécia mais de quarenta anos de governo socialdemocrata foi interrompido em 1976. 

O poder mudou de forma ordenada, uma esperança democrática em contraste com os tumultuosos anos entre as guerras, quando as condições econômicas tinham sido ainda mais terríveis e quando as circunstâncias sociais se tornaram maduras para o surgimento de movimentos políticos de massa de teor populista, seja na América do Sul, seja no franquismo espanhol, fascismo italiano e nazismo alemão, isso sem incluir nesses regimes de extrema-direita o totalitário stalinismo soviético. Ainda, o amplo consenso sobre a política na maioria dos países foi erodido com estratégias econômicas mais radicais. Elas romperam com o status quo. Foram tentadas tanto pela esquerda quanto pela direita. 

Um debate vibrante sobre o papel adequado do governo se iniciou. Este debate representou mais além do desacordo sobre o que o governo deve fazer. Foi indicativo de uma diferença acentuada explicações oferecidas para nossos atuais problemas econômicos.

Para definir o debate, no início do espalhamento do neoliberalismo pelo mundo e destruição do Estado desenvolvimentista, o qual fazia os países tirarem seus atrasos históricos, devemos começar a história na década de 1960, quando o crescimento foi constante. A inflação alta significava um salto no índice de preços de em poucos por cento e desemprego inaceitável significava qualquer coisa em excesso de 5% nos Estados Unidos e menos ainda em outros lugares. 

Durante a primeira parte da década, acreditava-se amplamente em políticas econômicas adequadas poderiam manter a estabilidade econômica. A tarefa para o governo, segundo o pensamento predominante, era encontrar o aparato e as técnicas certas para equilibrar demanda agregada contra a capacidade da economia de fornecer bens e serviços. 

O keynesianismo tinha triunfado desde a Grande Depressão dos anos 30’s: John Kennedy e depois Richard Nixon anunciou sua conversão, assim como os legisladores de todas as complexidades políticas. Portanto, todos presumiram o governo poder garantir estabilidade macroeconômica através da gestão de agregados fiscais e monetários com meta de crescimento.

A sabedoria econômica convencional era a intervenção pública detalhada nos assuntos de setores específicos e empresas individuais ser desnecessária. Nos Estados Unidos, intervenção ativa do governo para os propósitos do desenvolvimento industrial limitavam-se ao tímido ajuste no comércio exterior e em programas regionais dos anos Kennedy. 

O Japão ainda não havia afetado seus parceiros comerciais e o processo de planejamento francês estava sendo abandonado, mas largar as estratégias de crescimento lideradas pelo Estado atraíram pouca atenção. Durante esses anos, parecia a expansão do comércio entre as nações ricas, com base na inovação tecnológica e especialização da produção, estar contribuindo para um aumento geral no bem-estar de todos os países. 

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