Fuga e Regresso de Capitais Especulativos ao Brasil

O Brasil está à venda bem barato nas bolsas de valores! Por exemplo, toda a Petrobras custava R$ 385 bilhões em janeiro de 2020 e pode ser comprada, no início de março de 2021, por 100 bilhões de reais a menos: R$ 286 bilhões! Uma pechincha pelos campos de petróleo do pré-sal! Good business para os “parças” do Guedes!

Compare, nas tabelas acima, os valores de mercado recentes e os do início do ano passado, no mês quando o Ibovespa alcançou seu pico histórico. Só ganharam valor as exportadoras Vale e WEG, a Magalu do comércio eletrônico interno e as redes mercantilistas da saúde, tipo Rede D’Or — expressivo nome este, não?!

Impressionante foi a queda de valor do Banco do Brasil. Os demais bancos também sofreram desvalorização, mas não de tal dimensão: de R$ 139 bilhões para R$ 83 bilhões…

Os investimentos estrangeiros em carteira, negociados para especulação no mercado doméstico, estão diminuindo as perdas decorrentes da crise. De junho do ano passado até janeiro, esses recursos tiveram ingresso líquido no Brasil de US$ 31,6 bilhões, de acordo com o Banco Central (BC). O número está praticamente em linha com as saídas líquidas acumuladas no início da recessão, entre março e maio, quando somaram US$ 35,3 bilhões.

Além disso, caso tivesse permanecido até o fim de fevereiro no patamar dos dados parciais até dia 19, o indicador acumulado em 12 meses voltaria a registrar entrada líquida pela primeira vez desde julho de 2018, segundo o chefe do departamento de estatísticas da autoridade monetária, Fernando Rocha, meu ex-orientando no Mestrado do IE-UNICAMP.

“Uma interpretação é os investidores estrangeiros estarem refazendo a posição que tinham no Brasil antes da crise”, disse Rocha em entrevista coletiva, destacando, porém,”esses movimentos em geral não têm uma única razão”.

Ele não contava com a intervenção militar na Petrobras… A casta dos mercadores perdeu mais este poder. Veja abaixo a fuga dos investidores estrangeiros do mercado de ações brasileiro em fevereiro de 2021 — e nos demais meses e anos recentes, tanto no mercado secundário, quanto no primário (IPO/Follow On).

No mês de janeiro, os investimentos em carteira negociados no mercado doméstico tiveram ingresso líquido de US$ 6,2 bilhões. Os resultados foram positivos tanto para ações e fundos de investimento (US$ 4,6 bilhões) quanto para títulos de dívida (US$ 1,5 bilhão).

Rocha destacou: os resultados de janeiro e dezembro, ambos na casa dos US$ 6 bilhões, mostraram uma aceleração da entrada líquida desses recursos no país.

Os dados parciais de fevereiro até o dia 19, por sua vez, mostravam ingresso líquido de US$ 5,6 bilhões, sendo US$ 2,6 bilhões em ações e fundos de investimento e US$ 3 bilhões em títulos de dívida.

Embora sejam uma fonte importante de financiamento das contas externas, os investimentos em carteira negociados no mercado doméstico têm comportamento considerado mais volátil por economistas.

Já o Investimento Direto no País (IDP) seguiu caminho oposto e recuou pelo sexto mês seguido no acumulado de 12 meses, atingindo US$ 33,3 bilhões, o equivalente a 2,32% do Produto Interno Bruto (PIB). Em julho do ano passado, o indicador estava em 3,91% do PIB.

Fazem parte do IDP:

  1. recursos para participação no capital;

2. empréstimos concedidos por matrizes de multinacionais às suas filiais, tanto em direção ao Brasil quanto em direção ao exterior;

3. retornos de investimentos brasileiros no exterior.

Esses recursos, por sua vez, são considerados por muitos economistas uma fonte mais estável de financiamento das contas externas.

Do lado do fluxo de capitais, houve queda expressiva no investimento estrangeiro direto (IDP), mas foram registradas entradas expressivas de investidores estrangeiros para portfólio.

No entanto, mesmo com a queda registrada em janeiro, o IDP segue financiando com folga o déficit em conta corrente – medida do que o país gasta e recebe nas transações internacionais referentes a comércio, rendas e transferências unilaterais. No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit foi de US$ 9,4 bilhões (0,65% do PIB).

Até o dia 19, a parcial de fevereiro registrava ingresso líquido de US$ 5,8 bilhões de IDP. A estimativa da autoridade monetária é que esses recursos somem US$ 6,5 bilhões no mês. Caso a projeção se confirme, haverá aumento do indicador acumulado em 12 meses, para algo ligeiramente acima de US$ 37 bilhões, segundo Rocha.

Para 2021, o BC estima: o IDP e o déficit em conta corrente ficarão em 3,8% e 1,2% do PIB, respectivamente.

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