Democracia e Politização da Desigualdade no Brasil: 1989-2018

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GETHIN e MORGAN. Democracia e Politização da Desigualdade no Brasil: 1989-2018

Uma equipe internacional com cerca de cinquenta pesquisadores começou a estudar o comportamento eleitoral em função da renda, herança, nível de educação, origens étnicas e religião (“Clivages politique et social inequalities”, editado por Amory Gethin, Clara Martínez-Toledano e Thomas Piketty, Seuil, abril 2021). Pela primeira vez a questão é abordada de forma tão sistemática, em um período tão longo (1948-2020) e em cinquenta democracias.

No Ocidente, a estruturação do voto por classe social desapareceu. Nesse processo, a esquerda tornou-se a opção dos graduados em Ensino Superior. Por isso, o economista Thomas Piketty a chama de “a esquerda brâmane” como referência à casta dos sábios.

O Brasil é um caso à parte, estudado no capítulo 14 do citado livro. Dada sua importância, traduzi o capítulo escrito por Amory  Gethin  &  Marc  Morgan. Eles analisam a transformação das clivagens eleitorais no Brasil desde 1989, usando uma nova montagem de pesquisas eleitorais.

A história política brasileira, desde a redemocratização, é em grande parte uma história da ascensão e queda do Partido dos Trabalhadores (PT). Os coautores mostram a eleição de Lula da Silva como presidente em 2002, seguida da implementação de políticas redistributivas por sucessivos governos do PT, estar na origem das marcadas clivagens socioeconômicas surgidas.

Em tempo relativamente curto, o PT se transformou de partido da elite jovem, de alta escolaridade e alta renda do sul do país em partido de eleitores pobres e com menor escolaridade, cada vez mais localizado na região desfavorecida do país, isto é, no Nordeste. Controlando uma série de fatores sociodemográficos, um eleitor do Nordeste tinha 20 pontos percentuais a mais de probabilidade de votar no PT em 2018 em lugar dos de outras regiões, em comparação a 5 pontos percentuais a menos de probabilidade de fazê-lo em 1989.

Em contraste com outras democracias ocidentais, o conflito político no Brasil tem seguido um caminho cada vez mais unidimensional baseado em classes. Isso culminou na unificação das elites e grandes partes da classe média por trás do Bolsonaro na eleição presidencial de 2018. Amory  Gethin  &  Marc  Morgan  argumentam os fatores contextuais orientados por políticas e alianças programáticas serem fundamentais para entender a evolução singular do PT e, portanto, a transformação das clivagens eleitorais no Brasil.

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