Utilidade como Método de Avaliação da Felicidade

A abordagem inicial de Jeremy Bentham sugeriu uma medida fundamental de utilidade. Para ele, toda a felicidade está na obtenção do útil, isto é, afastar-se da dor e aproximar-se do prazer. Isto não ocorre em termos de satisfação individual, mas em função da felicidade de todos. Como diz Stigler, “Bentham realmente plantou a árvore da utilidade”.

Nenhum leitor poderia ignorar o conceito de utilidade como uma magnitude numérica, e as implicações para a análise econômica não eram obscuras. Mas elas foram esquecidas (Stigler, 1965, pp. 74‒75). 

Alguns fatos importantes sobre a visão de Bentham sobre a utilidade incluem o seguinte:

1. Tem a forma de um lema: são boas ações as promotoras da “maior felicidade para o maior número” (Bentham, 1843, p. 5). Bentham pretendia este ditado ser um axioma no sentido do axioma de Euclides em geometria, mas presumiu ter justificativas práticas e empíricas.

2. Valores éticos como certo e errado são estabelecidos pelo sentimento. Se a propriedade privada, por exemplo, torna feliz a generalidade das pessoas, então é boa; e se isso as torna infelizes, então é ruim (Hobhouse, 1965 [1922], p. 15).

3. É altruísta no sentido de dar precisão ao comando: “Ame ao próximo como a si mesmo” (Hobhouse, 1965 [1922], p. 18).

4. A utilidade é aditiva. No caso da utilidade social total, Samuelson enfatizou não importar se uma redistribuição ‘prejudicará alguns e ajudará outros, desde se os ajudados adicionarem mais à utilidade total em lugar daqueles prejudicados’ (Samuelson, 1966a, p. 241).

5. Trabalhos posteriores sobre utilidade desenvolveram o conceito de utilidade ordinal. De acordo com John Hicks, o trabalho de Vilfredo Pareto sobre a escala de preferência foi o início da utilidade ordinal. “Se sabemos, para o indivíduo em questão, quanta utilidade ele derivaria de qualquer conjunto de quantidades dos bens no mercado, então, podemos deduzir dessa função (supondo sempre ele preferir uma utilidade superior a uma inferior) uma escala de preferências; podemos dizer de quaisquer dois conjuntos, se ele vai preferir um ao outro, ou se eles serão indiferentes a ele” (Hicks, 1981, p. 6). Essa abordagem pavimentou o caminho para o método lógico de escolha para a análise de utilidade.

6. A diferença entre a utilidade cardinal e ordinal é a primeira somar as utilidades de mercadorias separadas para obter a utilidade total, enquanto a última considerar o consumo conjunto delas, como colocar manteiga no pão antes comê-lo. Cardinal é superior ao ordinal? Ordinal faz mais sentido, mas cardinal é a ferramenta preferida para análises modernas de equilíbrio geral.

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