Uma Medida Métrica de Felicidade

Ao desenvolver a Teoria da Utilidade, Jeremy Bentham fez a proposição da maior felicidade para a maioria das pessoas. Ele sugeriu o prazer dever ser medido por variáveis ​​como intensidade, duração, certeza, proximidade, fecundidade, pureza e extensão. 

Pode-se seguir Robert McNaughton ao traduzir esse conceito para uma medida métrica de preferências (McNaughton, 1953). Ele especificou um intervalo curto o suficiente para a experiência de felicidade ser a mesma no momento. 

Podemos então comparar esses momentos em experiências com outro momento. Dados dois desses momentos nas experiências, podemos ter relações de preferência e equivalentes entre eles. Então, podemos criar axiomas para medição métrica da seguinte maneira.

Uma suposição é “a experiência de um indivíduo pode ser dividida em intervalos de modo sua felicidade ser possível variar de um intervalo para o outro, mas não dentro de um intervalo. Esses intervalos serão chamados de momentos de experiência” (p. 173). 

Outra suposição é organizar momentos de experiências é irrelevante para medir a felicidade. Assim, diante de uma tarefa agradável e desagradável, deve-se pensar fazer primeiro o desagradável e esperar o agradável é a melhor maneira de proceder. 

Uma terceira suposição sustenta que ‘quando iguais são adicionados a iguais, os resultados são iguais; e quando iguais são adicionados a desiguais, os resultados são desiguais na mesma ordem ‘(p. 176). 

A quarta suposição de McNaughton contorna as áreas nebulosas da consciência, inconsciência e morte. Um conjunto de momentos inconscientes não conta. A morte é um momento quando a felicidade e a infelicidade não contam. Esta pode ser uma conclusão surpreendente para aqueles a pensarem a morte ser uma libertação de uma situação infeliz ou uma libertação do corpo, como este fosse uma prisão, tal como Sócrates comparou.

Uma quinta suposição afirma: “se x está feliz, então não importa o quão feliz y esteja e possa ser superado por experiências suficientes como x. Se x está infeliz, então não importa o quão feliz y esteja, isso poderá ser compensado por experiências suficientes como x” (p. 177). Isso pode estar relacionado ao lema “uma pedra rolante não junta musgo” [The Rolling Stone]. 

Por outro lado, se alguém perseverar em sua tarefa, alcançará a meta desejada e será feliz. Ou se perseverarmos e falharmos, podemos compensar um estado de felicidade.

Então, estamos interessados ​​em como as comparações podem ser medidas em tal cálculo. 

Uma sexta suposição afirma: “para cada dois indivíduos, há um par de momentos, um de cada indivíduo, ou ambos felizes ou ambos infelizes, e eles são empiricamente equivalentes… Um cálculo interpessoal envolverá conjuntos de momentos nem todos do mesmo indivíduo” (p. 179).

Do ponto de vista métrico, McNaughton define “uma experiência feliz é uma experiência preferível a um momento de inconsciência, uma experiência infeliz é aquela para a qual um momento de inconsciência é preferível” (p. 176). 

Existem alguns paralelos aqui com o dito pelo filósofo G.E. Moore sobre a relação entre dor, prazer e desejo. A principal diferença entre dor e prazer é: quando alguém está com dor, deseja “se livrar da sensação em questão. . . e fulano deve deixar de ser o caso. . . para evitá-lo” (Moore, 1962, p. 31). Portanto, a solução de Moore seria semelhante à de McNaughton se alguém estivesse inconsciente da dor

Esses pontos de vista estão em consonância com aqueles expostos onde se vê a consciência como um método de realização. Talvez dê suporte à teoria de Sigmund Freud de o inconsciente conter arquétipos perturbadores dos estados conscientes. Mas eles estariam em desacordo com a teoria de Carl Jung de o inconsciente ser uma fonte de criatividade, em busca uma expressão.

Do lado econômico, estão: 

  1. aqueles a usarem a preferência dos pares para alcançar a felicidade estatística máxima,
  2. aqueles a usarem relações de preferência para expor uma base racional para a tomada de decisão e 
  3. aqueles a usarem para provar uma sociedade democrática ser impossível.

Uma atualização dos axiomas de McNaughton para modelagem de informação moderna mostra uma grande inconsistência. Relaciona-se a como os observadores particionam as informações em intervalos de tempo. Este trabalho foi iniciado pelo filósofo David Lewis e mais notavelmente trazido para a economia por Robert Aumann.

Essas visões são apresentadas em ‘Common Knowledge’, de Werlang (1989).

Basicamente, dois observadores, olhando para o mesmo acidente, por exemplo, provavelmente apresentarão relatórios policiais diferentes. A diferença é um particionar as informações em pequenos slots, enquanto o outro o fazer em grandes slots. 

No jargão econômico, um assume uma perspectiva microeconômica, enquanto o outro assume uma perspectiva macroeconômica. Por causa da “falácia da composição”, a perspectiva micro não se generaliza de forma direta para a perspectiva macro.

Pode-se questionar os axiomas de momento de tempo de McNaughton argumentando a favor de um axioma de espaço também. A intenção do axioma espaço-tempo é nos preocuparmos mais com a única dimensão usada para o axioma tempo-momento

Mas há uma questão de saber: se a felicidade, na forma de bem-aventurança, devaneios, nirvana e Brahman, conforme exposta em vários seguidores espirituais, está sujeita à análise de espaço-tempo. Pode-se ler: a realização consciente é ilimitada e, portanto, não está sujeita à metamorfose.

Não é incomum economistas se referirem a estados de felicidade. Frank Ramsey propôs uma medida inicial do estado de êxtase em economia. Ela ainda é relevante para a pesquisa moderna (Ramsey, 1928). Sua teoria mostra como o consumo e a poupança vitalícios convergem para esse estado. 

Dois famosos modelos macroeconômicos dominaram a literatura econômica desde então: o monetarista e o keynesiano. Os monetaristas procuram controlar a economia por meio de regras monetárias ao vincularem a oferta de moeda à taxa de crescimento do produto real. Esse controle estabilizaria a economia.

Os keynesianos, entretanto, veem a economia como um estado de harmonia, onde as atividades em diferentes setores, como monetário, real, trabalho e produção, estão sincronizadas. O desvio de um estado tão harmonioso permitiria políticas discricionárias do governo serem adotadas em estados ruins, como recessão e depressão, mas o mercado o restabeleceria após a recuperação.

Keynes desenvolveu esse modelo harmonioso de curto prazo em seu famoso livro The General Theory of Employment (Keynes, 1972 a 1989, Vol. VII). Antes desse trabalho, Keynes escreveu sobre a visão de longo prazo em seu livro “Possibilidades econômicas para nossos netos” (Keynes, 1972 a 1989, Vol. IX). A visão de longo prazo de Keynes, baseada na ciência e tecnologia, previa um aumento de quatro a oito vezes no padrão de vida em 100 anos a partir de 1930.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s