Escopo da Felicidade

Antigos pensamentos sobre felicidade estão ligados à ideia do bem supremo. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, “o supremo bem-criado é o mundo mais perfeito, ou seja, um mundo no qual todos os seres racionais são felizes e são dignos de felicidade” (Kant, 1963, p. 6). Isso implica existirem algumas considerações éticas subjacentes à felicidade.

Se alguém alcança a felicidade por meios injustos, então não será digno de felicidade. Visto do ponto de vista do conceito antigo do bem supremo, a riqueza e a saúde são necessárias para o bem-estar, mas devem estar associadas ao mérito e também ao fazer o bem.

A unidade de bem-estar e bem-estar pode ser rastreada até o conceito de simplicidade do cínico e do epicurista sobre prudência

Como Lall Ramrattan e Michael Szenberg mostram no capítulo seguinte do livro Fundamentals of Happiness: An Economic Perspective, outras escolas, como a do Sofista, foram ligadas a Sócrates, Platão e Aristóteles e ancoraram esses conceitos no conhecimento e na sabedoria. 

Por exemplo, pessoas sábias anseiam pela verdade e apreendem coisas ainda mais distantes dos sentidos. Isso contrasta com os cirenaicos a buscarem apenas o prazer.

Muitas escolas consideram a felicidade como um estado de espírito. Uma importante exceção é Ludwig Wittgenstein. Ele sustentou o mundo ser a totalidade dos fatos – e não o estado de espírito

Para a visão do estado de espírito, reunimos dados dos portais de nossos sentidos para criar imagens. Muitas imagens combinam-se ao longo do tempo em ideias, diz Hume (1992 [1740], p. 4). 

A mente humana repassa constantemente essas ideias, talvez sobre reagindo, sendo muito sensível ou talvez não alocando tempo para amar e ser. Desse processo, o vício e a virtude constituem o summum bonum clássico ou bem supremo. Surgem não da razão, mas sim dos sentimentos (p. 479).

Quanto ao caminho para a felicidade, Bertrand Russell escreveu: “É um lugar comum a felicidade não ser melhor alcançada por aqueles a procurarem diretamente” (Russell, 1957 [1917], p. 29). Ele explicou: as pessoas procuram conhecer o mundo “através do meio distorcido de seus próprios desejos”. Deve-se antes buscar os fatos (p. 29). 

Russell defendeu a proposição de uma Teoria dos Fatos, enquanto Wittgenstein defendeu uma Teoria da Imagem. 

Por um lado, alguns filósofos antigos, como Heráclito e Platão, ensinaram misticismo: “uma certa intensidade de profundidade e preenchimento em relação ao acreditado sobre o universo” (p. 2). Por outro lado, o conselho de Parmênides, dado a Platão, foi “para não desprezar nem mesmo as coisas mais mesquinhas”. 

Russell chamou isso de “temperamento científico genuíno” (p. 7). A visão de Russell era o temperamento envolver um casamento de nossos ideais com o mundo (p. 7). Essa visão é exemplificada em seu outro trabalho, The Conquest of Happiness, onde deu orientação de bom senso para vencer a infelicidade relacionada à família, ao trabalho, ao amor, à saúde e à caridade (Russell, 1939, p. 198).

Russell afirmou: nossa concepção deve estar relacionada ao espaço, tempo, matéria e causa (Russell, 1957 [1917], p. 130). Estamos preocupados com a causa quando dizemos a felicidade depender do nosso estado de espírito. Isso é uma “reunião de particularidades” da matéria na mente. 

Russell pensava nas entidades particulares do mundo como análogas às notas de uma sinfonia com duração de tempo. Essas questões exigem ser feita uma distinção entre os estados mentais e os físicos. Mental significa acreditar, duvidar, desejar, desejar, sentir-se satisfeito ou sofrido e percepção geral (p. 125).

Amartya Sen preocupou-se com alguma ambiguidade em relação ao conceito de espaço e pobreza: desigualdade. Existe um problema de escolha de “espaço avaliativo”, distribuído por muitas variáveis: renda, riqueza, utilidades, recursos, liberdades, direitos, qualidade de vida e assim por diante (Sen, 1991, p. 4). 

Este assunto também foi abordado em seu trabalho sobre ‘O Padrão de Vida‘, onde escreveu: “Dentro da noção geral de padrão de vida, visões divergentes e rivais da bondade da vida coexistem em um pacote não classificado” (Sen, 1998 [1987], p. 1). Ele escreveu sobre bem-estar sem estar bem ou ser feliz sem liberdade.

Geralmente, Sen examinava os lados filosófico e econômico e fazia duas distinções da Teoria da Utilidade. Do lado revelado de preferência, a utilidade é vista como algo para maximizar, “o máximo do comportamento de escolha de uma pessoa”, enquanto a outra visão representa “o interesse próprio ou bem-estar da pessoa. . . (ou mesmo o bem-estar) de uma pessoa” (Sen, 2002, p. 27). 

Sen está defendendo um programa de pesquisa contemporâneo na área de Economia de Bem-estar com base em utilidade. Mas a teoria baseada na utilidade, dentro da Economia do Bem-estar, degenerou. Ele observou: “o declínio do utilitarismo não levou ao surgimento de uma perspectiva orientada para a liberdade” (p. 8). 

Algum progresso já foi feito em medições na forma de níveis de vida, satisfação de necessidades básicas, qualidade de vida ou desenvolvimento humano, mas eles não estão bem fundamentados em conceitos de bem-estar ou liberdade (p. 8).

Frederick Hayek escreveu muito contra a justiça social em seu programa de pesquisa do mundo econômico de ordem física e sensorial (Hayek, 1976 [1952]). Seu individualismo metodológico acreditava somente o indivíduo ter acesso às informações para as escolhas econômicas. 

As informações para a tomada de decisão das pessoas são armazenadas na “ordem neural” de uma pessoa, pertencente ao cérebro, um domínio físico. Uma pessoa sabe melhor o que é bom para sua felicidade. 

A injustiça ocorre quando outro, um planejador social do governo, interfere intencionalmente no julgamento de uma pessoa sem seu consentimento. A coerção produz injustiça – e é função do Estado remediar isso. A má sorte e o infortúnio dependem da caridade, do altruísmo, da humanidade, dos outros e assim por diante.

Um dos conceitos mais antigos de felicidade está ligado ao amor. De acordo com Gottfried Leibniz, “amar é ter prazer na felicidade do outro, ou, o que dá no mesmo, é considerar a felicidade do outro como sua” (Leibniz, 1951, p. 559). 

Mais uma vez, “Amor é este ato ou estado ativo da alma capaz de nos fazer encontrar nosso prazer na felicidade ou satisfação dos outros”. Às vezes percebemos um belo objeto capaz de produzir felicidade – e essas afeições tornam-se amor puro, mas o amor a Deus supera todos os outros amores porque é divino. Ela produz os melhores resultados, é a mais bela, a mais digna e tem o maior poder e sabedoria.

“A sabedoria nada mais é senão a própria Ciência da Felicidade”. Essa ciência é tão boa, pois “Justiça nada mais é senão caridade conformada com a sabedoria”. 

Para resumir as suas opiniões sobre o amor, Leibniz afirma o seguinte: 

  • Justiça é a caridade dos sábios; 
  • Caridade é benevolência geral; 
  • Benevolência é o hábito do amor; 
  • Amar alguém é deleitar-se com sua felicidade; 
  • A sabedoria é a ciência da felicidade; 
  • A felicidade é uma alegria duradoura; 
  • A alegria é o estado de prazer; 
  • Prazer ou deleite é uma sensação de perfeição.

O mais alto estado de felicidade ou bem-aventurança é geralmente declarado como uma qualidade divina. Tal qualidade ou estado escapa a uma definição, mas do ponto de vista dos seres humanos, podemos considerá-lo como pertencente a um estado da mente. 

Este trabalho de Lall Ramrattan e Michael Szenberg não é apenas uma avaliação da pesquisa contemporânea sobre felicidade, brotada da análise de utilidade. Ele aceita as duas vertentes das tendências de utilidade, identificadas por Sen, incluindo tópicos na nova direção para a qual o campo está tendendo. 

Se a felicidade é algo inventado pelo homem, então podemos averiguar seus limites e originalidade, mas aparece como conceitos filosóficos ou empíricos para as pessoas. Se empírico, não saberemos seus limites ou origens. Se for um conceito filosófico, a priori, sempre podemos duvidar de sua completude. Mais e mais exemplos disso só podem torná-lo provável, mas não certo (Caygill, 1995, p. 153).

O conceito de felicidade nos escritos gregos parece ser uma condição para uma vida boa. Hoje, estamos divididos entre buscar a felicidade interiormente ou exteriormente. 

A primeira é a abordagem preferida dos inclinados à espiritualidade e a última é a abordagem preferida da maioria dos cientistas. As primeiras abordagens da Teoria da Felicidade com base na Utilidade adotaram uma abordagem por cada assunto.

Abordagens posteriores, como a teoria da preferência revelada, tentaram torná-la objetiva, usando as escolhas do consumidor como dados. Anteriormente, Pareto havia tomado toda a abordagem da curva de indiferença como dados para definir a economia em bases científicas para construir a Teoria da Escolha (Mitchell, 1969, p. 412).

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