Baixo Nível de Instrução dos Brasileiros Acima de 25 Anos

O volume de brasileiros com pós-graduação no Brasil é bastante inferior ao registrado em países ricos, de acordo com relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O diagnóstico é divulgado no momento em que o país debate decisões do governo Jair Bolsonaro (PSL) sobre a área. A gestão do presidente já cortou, no primeiro ano de desgoverno, 12% das bolsas de pesquisa e reduziu pela metade o orçamento de 2020 da Capes, agência de fomento ligada ao Ministério da Educação.

A OCDE reúne países desenvolvidos. Divulgou no dia 10/09/19 a edição 2019 do Education at a Glance. O relatório traz comparações internacionais sobre estrutura, finanças e desempenho de sistemas educacionais de 46 países membros da organização e também de nações parceiras, como o Brasil.

Ele mostra apenas 0,8% das pessoas de 25 a 64 anos no Brasil concluíram o mestrado. A média dos países membros da OCDE é 16 vezes maior: 13% das pessoas nessa faixa etária têm mestrado.

A própria OCDE faz uma ressalva sobre a comparação com a média de países ricos, porque os bacharelados no Brasil tendem a ser mais longos do que seus equivalentes na Europa ou na América do Norte. 

Na Europa, por exemplo, é possível em muitas universidades concluir um mestrado integrado à graduação em um período de cinco anos.

No entanto, o índice brasileiro só é maior do que o da China (que não tem dados sobre doutorado) e da Arábia Saudita. Indonésia tem o mesmo percentual do Brasil, que é superado por países como México, Chile e Costa Rica.

No doutorado, a diferença é de 5,5 vezes. Apenas 0,2% dos adultos alcançaram o doutorado. A média da OCDE de 1,1%.

Nessa etapa, o Brasil supera Costa Rica, México e Indonésia, mas fica atrás de países como a Polônia e Grécia.

Os gastos com instituições públicas de ensino superior, que concentram 80% dos estudantes de mestrado e doutorado, aumentaram 19% entre 2010 e 2016, segundo o relatório. Mesmo com o salto, o gasto calculado por aluno ainda é inferior ao da média da OCDE.

No Brasil, o gasto por aluno é de US$ 14.200 (R$ 58 mil), contra uma média de US$ 16.100 (R$ 66 mil). Os valores em dólar refletem o conceito de paridade de poder de compra, que leva em conta o que é possível adquirir com a moeda no país.

Os ministros da Educação do atual desgoverno, sem educação, têm reafirmado que as universidades federais representam gastos exagerados para os cofres públicos, principalmente, segundo ele, com a comparação com o que se investe na educação básica.

As universidades federais sofrem neste ano um bloqueio de orçamento de R$ 2,2 bilhões, referente a 30% dos recursos discricionários (que excluem salários, por exemplo). O congelamento do MEC é de cerca de R$ 6 bilhões e atinge ações que vão da creche à pós-graduação.

O ensino superior privado é a prioridade do governo na busca pela expansão de vagas. O setor concentra 75% das matrículas da etapa, o que não ocorre nos países ricos.

Segundo o relatório da OCDE, menos de um terço dos estudantes estão em instituições particulares na maioria dos países da OCDE.

O predomínio de instituições privadas pagas e o número limitado de vagas em instituições públicas gratuitas criam, segundo o relatório, “um ambiente complexo para os formuladores de políticas que buscam garantir que o acesso ao ensino superior não seja prejudicado pelo status socioeconômico dos estudantes”.

O documento também indica maior precariedade da oferta em instituições particulares de ensino superior brasileiras. Em 2017, as instituições privadas do país registravam uma média de 42 alunos por professor.

É a maior proporção entre todos os países avaliados e mais de 2,5 vezes a média dos países ricos (16 alunos por professor).

Já a proporção de alunos por docente nas universidades públicas do país é de 11, um dos menores índices entre todos os países analisados. Também é inferior ao da média da OCDE, de 15 (quando se analisa apenas instituições públicas).

O relatório ressalta que essa diferença pode ser explicada, pelo menos parcialmente, pelo fato de as universidades públicas do Brasil realizarem a maior parte da pesquisa no país, “exigindo, portanto, mais pessoal acadêmico”, afirma o texto.

O país tem a 5ª pior taxa de pessoas com ensino superior completo. Apenas 21% dos brasileiros de 25 a 34 anos têm diploma universitário, índice inferior a países como México (23%), Costa Rica (28%) e Colômbia (29%). A média da OCDE é de 44%.

Com relação à educação básica, o estudo da OCDE conclui que o Brasil tem um gasto por aluno menor que a metade do de países ricos.

Comparações recorrentes que relacionam o percentual do PIB (Produto Interno Bruto) investido com educação não levam em conta os valores per capita —o próprio ministro Weintraub tem usado esse argumento para afirmar que o Brasil tem orçamento suficiente para a educação.

Em 2016, o país gastou cerca de US$ 3.800 (R$ 15 mil) por aluno do ensino fundamental, contra uma média da OCDE de US$ 8.600 (R$ 35 mil). No ensino médio, o gasto brasileiro por aluno é de US$ 3.700 (R$ 15 mil), quase três vezes inferior à média de países ricos, que registram US$ 10.200 (R$ 42 mil).

A baixa remuneração dos professores brasileiros, que geralmente representam a maior parcela dos investimentos em educação, é o que tem maior ligação com os reduzidos investimentos por aluno, de acordo com o relatório. Os ganhos de um professor de ensino médio no Brasil são 48% inferiores aos da média da OCDE.

O Education at a Glance mostra outros desafios de inclusão que também exigem investimentos no setor.

Apenas 8% dos jovens que se formaram no ensino médio haviam tido acesso à educação profissional no Brasil, o segundo pior índice entre os países avaliados. A média da OCDE é de 40%.

Os indicadores de educação infantil também são inferiores à média dos países ricos, embora tenha havido avanço nos últimos anos. A proporção de crianças de até três anos matriculadas em creche passou de 10%, em 2012, para 23% em 2017, segundo os dados apurados pela OCDE. Na média dos países ricos, esse percentual é de 36%.

Já as matrículas na pré-escola (de três a cinco anos) evoluíram nos últimos e chegaram perto do nível da OCDE. As taxas de escolaridade nesta idade passaram de de 60%, em 2012, para 84% em 2017 — a média da OCDE é de 87%.

1 thought on “Baixo Nível de Instrução dos Brasileiros Acima de 25 Anos

  1. Prezado Fernando,

    as estatísticas educacionais mostram uma realidade trágica em nosso país. Só é possível haver desenvolvimento com educação, e os investimentos deveriam ser 10 vezes superiores aos de hoje. Devemos quebrar esse paradigma que simboliza o atraso, principalmente ao não valorizar o professor e remunerá-lo em acordo com progressão salarial conforme o nível na escala de sua expertise.

    Algumas ideias de como poderíamos melhorar o sistema educacional no Brasil

    O primeiro passo é fazer leis de incentivo aos programas de formação de professores, com aumento – em pelo menos 3 vezes – o salário mais básico com ganhos progressivos conforme o engajamento dos profissionais.

    A matriz educacional deveria ser ampliada ao grau de educação integral – principalmente no ensino básico, fundamental e secundário.

    Em todos os graus os programas poderiam ser adaptativos com Inteligência Artificial ativa em sala de aula para que nenhuma dúvida fique sem resposta. Hoje temos respostas para tudo em níveis que vão do micro ao macro, do finito ao infinito (ainda temos infinitos dentro dos finitos) – na minha opinião a única dúvida seria: saber fazer as perguntas.

    As Diferenças entre Sistemas Cognitivos e Aplicações Programadas

    Ex1: com as ferramentas embutidas no sistema operacional Chrome OS, os alunos podem acessar aplicativos gratuitos em uma escala ilimitada, dentro de seus perfis de idade e focadas no grau educacional que pode ser facilmente preparado pelos professores. Essas ferramentas estão todas em nuvem e podem ser usadas tanto no local (escola), quanto em não local (no ambiente onde o aluno estiver).

    Ex2: bibliotecas gratuitas como Zlibrary contém milhões de livros para acesso imediato e gratuito.

    O perfil dos alunos poderia ser acompanhado por educadores que estariam localizados em outras instituições e podem prestar um serviço virtual de reforço de aprendizagem nos moldes do fluxo de aprendizado por incentivo.

    Não haveria monotonia em sala de aula, hoje temos a interação multimídia infinita, sem limitações com acesso gratuito ao conteúdo que pode ser encontrado na internet e utilizado livremente em todos os lugares. Abs.

    Segue o vídeo onde o educador Rubem Alves concede dicas de aprendizagem aos alunos e professores.

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