Volta ao Passado: da Renda Variável à Renda Fixa

Selic em alta leva fluxo para renda fixa, segundo Adriana Cotias (Valor Econômico, 23/06/21).

Com alta de juros e valorização da taxa de câmbio brasileira, investidores têm gradativamente revisado as suas carteiras e já se percebe algum efeito nos fluxos. Porém, gestores de recursos e especialistas em investimentos não veem razão para mudanças estruturais nos portfólios, mas alguns ajustes.

Em geral, a recuperação da economia sugere ainda bons ventos para a bolsa, especialmente na gestão ativa. O prêmio dos títulos públicos atrelados à inflação está perto de se esgotar. Então, é hora de buscar oportunidades em crédito privado no secundário. O dólar volta a ser opção de hedge para alguns, apesar de no curto prazo as carteiras com exposição à moeda forte mostrarem resultados negativos.

Um dos termômetros desse rebalanceamento é a captação dos fundos de renda fixa, que neste ano atraíram R$ 123,1 bilhões até o dia 17, enquanto os portfólios de ações perderam fôlego, com ingressos de R$ 1,9 bilhão. Os multimercados ainda mostram apelo pela diversidade de cenários e estilos, com R$ 73,2 bilhões em dinheiro novo, segundo dados da Anbima. Vale lembrar que nos portfólios conservadores estão os recursos de caixa das empresas e também das entidades públicas.

O ânimo da pessoa física com investimentos diretos em bolsa vai mais devagar. Os dados da B3 até o dia 21 mostram compras líquidas de ações de R$ 6,2 bilhões no ano, resultado das entradas de janeiro e fevereiro porque desde então são quase quatro meses no vermelho, com saídas de R$ 10,1 bilhões.

Com o Ibovespa se aproximando cdos 130 mil pontos, esse é um momento mais de gestão ativa do que passiva. Há uma dispersão grande, de ações que sobem 30%, 40% a outras que caem 20%, 30%. Não é hora de aumentar o risco em renda variável, mas focar na discrepância entre os setores, fazer uma recomposição no relativo.

Em meio à correção monetária, o maior valor hoje está no crédito privado. Com o CDI mais alto, o investidor pode voltar a ter retornos na casa dos 6% ao ano. “Dá para olhar desde os ativos líquidos até os estruturados, aumentar a complexidade desse universo.”

Se o objetivo do Banco Central (BC) é elevar a Selic para o nível neutro (que não acelera nem desacelera a inflação), isso significa que a taxa chegará perto de 7% ao ano até dezembro, ante os 4,25% atuais. Nesse cenário as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), atreladas à inflação, perdem o charme e a melhor jogada está em buscar crédito no secundário, segundo Alfredo Menezes, sócio da Armor Capital. Vale garimpar empresas que captaram a um percentual do CDI quando a taxa básica estava a 2% ou 3%, diz.

Debêntures de infraestrutura e CDBs até o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) são boas alternativas para a pessoa física. Tem título pagando 130%, 135% do CDI, parece um belo investimento.

Já a posição em NTN-B seria mais aconselhável trocar por ativos com prêmio em percentual do CDI ou por pós-fixados puros. Os “órfãos do CDI” voltam a se animar para alternativas líquidas e sem risco aparente. Enquanto no crédito a alta da Selic pode ter efeito restritivo, na carteira do investidor há percepção de ganho de riqueza.

Se o BC ganhar a guerra contra a alta de preços, os prefixados longos são melhor alternativa aos atrelados ao IPCA. Por mais que o tamanho do ajuste agora [da Selic] seja maior, onde vai parar a inflação? Ninguém tem certeza. Operar juros longos pode ser uma boa, mas tem que ter certeza de que a inflação inflexionou para tomar a decisão, não é o momento de correr esse risco.

Por enquanto, o ajuste monetário é insuficiente para fazer o investidor tirar o pé do risco, diz George Wachsmann, chefe de gestão da Vitreo, porque o juro real está longe de chegar a 2% ou 3%. Em tese, a alta de juros atrapalha a bolsa pelo impacto no custo de endividamento das empresas, mas o gestor cita que há dados apontando a recuperação da economia.

O gestor avalia que o maior fluxo para fundos conservadores tem relação com o movimento de alta da Selic, mas acha que é “bobeira” se apegar ao retorno nominal. O investidor gosta de se ancorar a algumas coisas. A gente tem visto papel pré acima de 10%, mas, se olhar no relativo, o que está apontando o PIB, o cenário de recuperação da pandemia, com o avanço da vacinação, com o que promete não é hora de estar na renda fixa.

Só neste ano, o saldo de alguns ativos privados teve incremento de quase R$ 25 bilhões até o dia 17, considerando-se letras de crédito e certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio.

Para quem está indo para a bolsa, é preciso avaliar o impacto da alta de juros no endividamento das companhias. Se no ano passado, tiveram acesso a capital barato, abaixo da inflação, agora é importante olhar se a empresa não está alavancada. Companhias que têm geração de caixa são os papéis mais atraentes.

Apesar de os grandes bancos serem mais tarimbados para emprestar em tempos difíceis, o setor vem perdendo participação de mercado para iniciativas digitais. Estamos vivendo um momento de rever todo o portfólio. Aquilo que foi bom no ano passado neste muda de figura.

Embora haja bastante prêmio ao longo dos vencimentos de estratégias de juros, o balanço de risco é elevado. Na parte curta da curva, a Selic parece que vai subir mais do que o aperto que o mercado prevê, e na parte intermediária predomina o risco fiscal e político com a eleição em 2022. Nessa classe, a gente tem ficado de fora nas carteiras.

Com o câmbio abaixo de R$ 5 é possível que o mercado de capitais brasileiro atraia mais recursos estrangeiros para ofertas públicas de ações, mas nesse nível já é ponto de entrada para hedge para balancear o risco das carteiras que têm mais bolsa hoje. Embora a valorização do real tenha sido um detrator das carteiras de ações globais sem proteção cambial, a valorização dos ativos locais compensou.

Não se espera um real muito forte. No fim do ano, diz, o mercado vai sentir o efeito da zeragem do “overhedge” dos bancos, embora em proporção menor que em 2020, e fica mais próximo o embate para a sucessão no Planalto.

Nunca há eleição sem volatilidade, embora os dois candidatos tendam a se voltar para buscar votos no centro. Haverá sim uma possível polarização entre o atual presidente, Jair Bolsonaro, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — e este vencerá!

O dólar perto de R$ 5 é mais para comprar. No curto prazo, o real pode até se apreciar, mas pensando numa alocação de longo prazo não hã mudança estrutural só pelo ajuste da Selic. Só elimina as amarras do BC de que o ciclo de juros não está escrito em pedra.

O Itaú Unibanco não fez alterações nas carteiras recomendadas nem viu mudanças de comportamento do investidor na sua base por causa do ciclo de alta de juros. Embora em termos percentuais, a variação da Selic possa ser significativa, saindo de 2% para a casa dos 6% ao ano, em termos absolutos não é uma variação tão grande, afirma. “Outros ativos têm espaço maior [do que a renda fixa]. O BC está aumentado a taxa justamente porque há um movimento de economia positivo.

Na lista de alocações sugeridas estão multimercados, ações locais e títulos atrelados à inflação de prazo médio, com vencimento em 2024. Vale olhar para títulos privados atrelados ao IPCA.

Embora não perceba dentro de casa uma migração para fundos de renda fixa – talvez por causa da própria recomendação -, com a taxa básica aumentando é quase intuitivo que o investidor se acomode em aplicações ligadas ao CDI. Mas a Selic está subindo porque a inflação está aumentando. Para ter ganho real, tem que correr mais risco.

Até o investidor que tem exposição a ativos externos tem compreendido as perdas nessa parte da carteira. O ano 2020 foi muito educativo para o investidor. Hoje, entende mais o que é ganhar e perder ao longo dos ciclos e percebeu o valor da diversificação.

Crédito privado atrai recursos, segundo Ana Paula Ragazzi (Valor Econômico, 24/06/21)

Os fundos de crédito privado continuam captando em velocidade acelerada, com os investidores atraídos pelo ciclo de alta da Selic. No entanto, a concentração dos recursos novamente em carteiras com liquidez diária já acende um sinal de atenção no segmento. Nas últimas semanas, inclusive, começaram a surgir casos de gestoras fechando fundos para captação – ou avaliando a medida.

No fim de 2019, essa indústria viveu um ajuste significativo por conta de resgates. Isso aconteceu porque produtos com liquidez diária captaram de forma acelerada e esse aumento de demanda acabou levando à compressão muito acentuada dos spreads das emissões de debêntures. Esses títulos, que predominam nessas carteiras, são de longo prazo e possuem liquidez ainda longe do ideal no mercado secundário. Esse descasamento entre ativo e passivo acentuou problemas da indústria com retiradas. Depois da primeira onda, no fim de 2019, por conta da falta de atratividade das operações, logo veio a segunda leva de resgates, mais aguda, no início da pandemia em 2020. A covid-19 também levou a Selic para as mínimas. Agora, o ciclo de alta da taxa básica de juros está voltando a atrair investidores para o produto.

Conforme levantamento feito pela Quantum Finance, uma amostra de 521 fundos de gestoras independentes com no mínimo 50% do patrimônio líquido em ativos de crédito privado teve captação líquida de R$ 3,3 bilhões em maio, no segundo mês de resultado positivo após quase dois anos de resgates. A maior parte dos recursos, 85%, foi para produtos com liquidez em até 30 dias (até 22 dias úteis). Essas carteiras respondem por 82% do patrimônio líquido da indústria, de R$ 165 bilhões.

Dados iniciais para o mês de junho levantados pela Quantum indicam nova captação expressiva neste mês: até dia 18, ela estava em R$ 4,5 bilhões.

Vivian Lee, sócia responsável pela área de crédito da gestora Ibiuna, destaca três sinais fortes de aquecimento da indústria de crédito: maior presença de emissores “não frequentes”, alongamento de prazos das operações e a queda de spreads nas taxas-teto nas emissões primárias. Um exemplo recente foi a B3 que, em meados do ano passado, fez uma operação de debêntures de quatro anos a CDI + 1,75%. Agora, em maio, voltou a mercado e emitiu um papel de três anos a CDI + 1,25%. Os spreads, que no início da pandemia se aproximaram de 5%, agora estão perto de 1,8%, conforme dados do Idex, índice da gestora JGP. Apesar da queda, Vivian destaca que as taxas ainda estão atrativas, longe dos patamares muito baixos, ou inferiores a 1%, vistos no final de 2019.

“Não acho que veremos o mesmo movimento de queda acelerada dos spreads que em 2019. Inclusive porque já há fundos com liquidez imediata que cresceram de forma acelerada e estão fechando para a captação. Os gestores estão atentos para preservar os cotistas e a própria estratégia”, diz Vivian.

Eduardo Alhadeff, também sócio da área de crédito da Ibiúna, avalia que as notícias de fechamento de fundos mostram a diligência dos gestores. “Se essas carteiras voltarem a ficar muito grandes e houver volatilidade no mercado, ainda há o risco de uma corrida por resgates. Esse permanece como um risco a ser monitorado, mas não enxergo nenhum problema iminente”, afirma.

Alhadeff avalia que os spreads fecharam muito, mas porque vieram níveis muito abertos. E, agora, ainda mantém prêmio considerável em relação ao fim de 2019. “Ainda há balanços fortes de empresas esperados para os próximos trimestres. Fica difícil achar que o mercado vai piorar, salvo alguma volatilidade ainda não mapeada”, afirma.

Até o momento, o Icatu Vanguarda Crédito Privado informou que o fundo será fechado a partir de 30 de julho ou quando o patrimônio líquido (PL) atingir R$ 1,7 bilhão. A Riza chegou a fechar seu fundo, mas reabriu dias depois. Uma questão para essas carteiras é que costumam apresentar tanto captações quanto resgates significativos no dia a dia. O da Riza fechou com patrimônio de R$ 2,5 bilhões e em poucos dias acumulou perto de R$ 500 milhões em resgates. Depois da reabertura, já está voltando para R$ 2,5 bilhões.

O fechamento mais recente foi feito pela gestora ARX, há dez dias, depois que seu fundo com liquidez imediata atingiu PL de R$ 3,5 bilhões – nem antes da pandemia ele havia ficado deste tamanho.

Pierre Jadoul, gestor de crédito privado da ARX, conta que a gestora entrou na pandemia com perto de R$ 6 bilhões sob administração e rapidamente desceu para R$ 4 bilhões, com os resgates. Mas as captações já voltaram a partir de junho do ano passado, focadas em fundos de previdência e de debêntures de infraestrutura. Nos últimos três meses, a atração de recursos voltou a se concentrar nos fundo líquidos de crédito privado. “No mês passado atingimos R$ 10 bilhões sob gestão e estamos caminhando para R$ 11 bilhões. Estávamos captando, em média, R$ 1 bilhão por mês”, diz. Agora, sem o produto que permite saque diário, a expectativa é que essa captação caia para perto de R$ 300 milhões.

Com a enxurrada de recursos, a ARX optou pelo fechamento porque avaliou que não há uma janela de emissões no mercado primário grande ou numerosa o suficiente nem com níveis justos de spread para alocação adequada desse capital. “Teríamos de comprar papéis já com taxas não muito coerentes. Decidimos preservar a qualidade para o cotista”, afirma Jadoul. “Esse foi o produto que mais apanhou na crise, todo mundo falou mal. Mas é comum em outros mercados e vai continuar existindo também aqui. Não vai deixar de existir porque teve rentabilidade ruim por alguns meses. Os preços se ajustam.”

Conforme um gestor, o mercado é assim mesmo: “São o ciclos de tomada e correção de riscos, às vezes na ponta do passivo, às vezes na ponta do ativo”, diz.

Jadoul acrescenta que ter esse produto com liquidez imediata nunca foio foco da ARX. “Preferimos trabalhar os produtos com passivos menos nervosos. Os ativos que tenho nos outros fundos de crédito, com resgates mais longos, ou previdência, são muito similares”, afirma. Segundo ele, o momento da indústria, em particular para os papéis “high grade” (de baixo risco) é muito favorável: “Prejudicou esses fundos a Selic ter ido para a casa de 2%, o que minou o apetite pelo produto”.

Do lado dos emissores, entre as empresas pouco frequentes nesse mercado que fizeram operações está a varejista de roupas C&A, que captou R$ 500 milhões em papéis de quatro anos a CDI + 2,5 % ao ano. Na oferta, coordenada por Itaú BBA, BTG Pactual e Safra, 23 fundos de investimentos concentraram 85% da emissão. Também houve operação da Centauro, de comércio de artigos esportivos, que levantou R$ 300 milhões. A emissão foi liderada por BTG e Bradesco BBI, que encarteiraram um terço da oferta. Esses papéis têm prazo de quatro anos e saíram a CDI + 2,31% ao ano.

Em prazos mais longos, Vamos e Rumo estão colocando papéis para 15 anos. “Esse é um prazo que, no passado recente, era mais visto em empresas de transmissão de energia, apenas. Empresas captando com vencimentos mais longos são sinal de mais apetite por tomada de risco”, diz Vivian, da Ibiuna.

A maioria das operações continua sendo para reperfilar dívidas. “Algumas empresas tiveram que captar no meio do furacão no ano passado, em operações mais caras, de curto prazo, e agora estão trocando por dívidas mais baratas”, afirma. A própria Centauro emitiu em junho passado debêntures de três anos a CDI +3,40% ao ano.

A Ibiuna iniciou o braço de crédito privado em 2020, na crise, com capital semente dos sócios de R$ 25 milhões. Semana passada, o fundo alcançou R$ 205 milhões – dobrou de tamanho desde fevereiro. Além de papéis “high grade”, o fundo também investe em bônus offshore e crédito estruturado.

O levantamento da Quantum mostra ainda que fundos com resgate acima de 30 dias também atraíram quantidade relevante de recursos, R$ 484 milhões. Pela primeira vez desde abril de 2020, retomaram PL de R$ 30 bilhões.

Fundo de Crédito Privado oscila, mas pode render acima do Fundo Multimercado, segundo Natalia Coura (Valor Econômico, 22/06/21). O Mercado agora o propagandeia depois de impor enorme perda aos investidores de FCP em 2020.

Passados todos os acontecimentos de 2020, um ponto ficou muito claro no mundo dos investimentos: a renda fixa pode ter volatilidade e isso pode ser muito bom para as suas aplicações.

A renda fixa leva esse nome porque o investidor sabe exatamente a rentabilidade que terá no vencimento desses títulos. De qualquer maneira, não é porque há previsibilidade que não existam elevados retornos, ou até mesmo fortes emoções no meio do caminho.

Os fundos de renda fixa com carteira de crédito privado tiveram um retorno atípico em 2020 e, por mais que no curto prazo isso tenha deixado muito investidor incomodado, olhando para frente isso se reflete em um maior potencial de rentabilidade.

É comum relacionarmos uma ação abaixo de seu preço justo como uma oportunidade de compra. Afinal, se possui fundamento, o ativo se valorizará e você ganhará um bom retorno. No crédito privado podemos ter o mesmo racional: se não há um risco de crédito maior, o que sobra é um preço com desconto, que se traduz em uma boa compra. A estratégia de comprar na baixa e vender na alta cabe para ambos os ativos.

Depois de alguns meses do primeiro choque com a crise da covid-19, o que ficou claro no caso desses fundos de crédito é que o perfil dos ativos existentes nessas carteiras, como debêntures e letras financeiras, é de emissores muito sólidos. Mesmo depois de uma pandemia, não se tem notícias de calote nas grandes empresas que acessam o mercado de capitais. Com isso, aquele desarranjo nos preços dos títulos foi se ajustando e atualmente estão com prêmios até maiores do que antes, observando o mesmo nível de risco.

O fator educacional desse turbulento período é algo perceptível, pois os investidores começaram e entender melhor que a oferta versus demanda afeta o preço dos títulos sem necessariamente representar um risco de crédito maior. Além disso, em um ambiente com distorções naturais, pode haver muitas oportunidades para o gestor apto a capturá-las.

O melhor exemplo para explicar o efeito de oferta versus demanda no preço de um ativo é o Tesouro Selic, título mais conservador do mercado e que sofreu desvalorização em seu preço no ano passado, muito em razão de uma taxa Selic demasiadamente baixa.

Para além da oscilação vivida, outro grande incômodo dos investidores com produtos de renda fixa foi justamente uma taxa Selic muito baixa, que entregava um CDI pouco atrativo. Era aquela história, “150% de nada, continua sendo nada!”. Mas o fato é que o CDI, um indexador que está sendo beneficiado com esse novo ciclo de alta da taxa de juros e serve bem para a parcela de curto/médio prazo de preservação de patrimônio do investidor, não é o único indexador para essa classe.

Há na renda fixa alguns índices atrelados à inflação com histórico de rentabilidade para fazer inveja em muito fundo multimercado estrelado. O IMA-B 5 por exemplo, um índice composto por títulos públicos com vencimento até cinco anos indexados à inflação, calculado pela Anbima, bate em diversas janelas o IHFA, um índice também calculado pela Anbima compreendendo uma cesta de fundos multimercado. Vamos aos números?

Esse indexador de renda fixa, em um período analisado de dez anos, tem uma rentabilidade de +203% contra +180% da cesta de multimercados. Essa melhor performance do IMA-B 5 segue em tantas outras janelas analisadas e há ainda um outro fator muito interessante a enaltecer: a melhor relação de retorno sobre risco do IMA-B 5, se comparado ao IHFA. Ou seja, com menos risco chega-se a uma rentabilidade maior no índice de renda fixa.

O que chama atenção em fundos indexados à inflação é o claro retorno real que conseguem entregar ao investidor, tudo isso com o baixo risco dos ativos de renda fixa. E mais uma vez, o baixo risco do ativo não quer dizer que não haverá oscilações, pois, como vimos, a questão de oferta versus demanda afeta o preço desses títulos. Com um horizonte de investimento adequado, é possível atingir uma excelente rentabilidade.

Quando somamos o potencial de rentabilidade do IMA-B 5 ao elevado prêmio que os ativos de crédito privado têm proporcionado, temos uma combinação interessante, com ótimo retorno ajustado ao risco, trazendo uma rentabilidade adequada de médio e longo prazo para a parcela de conservação de patrimônio do investidor.

A diversificação continua sendo a palavra-chave para uma carteira de investimento saudável. Cada classe de ativos tem papel importante para um bom resultado, e estar atento a isso, evitando os modismos, é essencial para concluir que a renda fixa é necessária e até mesmo muito rentável.

Essa classe de ativos que foi tão preconizada em 2019 e 2020, pode ter um perfil mais comportado de retorno, ou mais agressivo. O fato é que a renda fixa é capaz de entregar elevadas rentabilidades ao investidor, com baixa correlação aos ativos de risco e sendo a base para uma carteira de investimentos saudável.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s