Dia de Luta das Mulheres Negras Latino-Americanas

Li o texto da Magda Barros Biavaschi e Marilane Oliveira Teixeira: Desigualdades, Feminismo e Teorias Libertadoras. Foi publicado em: 

http://www.justificando.com/2021/07/15/desigualdades-feminismo-e-teorias-libertadoras-mulheres-que-combinaram-de-nao-morrer/

Minha primeira impressão, talvez preconceituosa, foi ser mais uma denúncia marxista do capitalismo, no caso, focado na tentativa de defender sua hipótese – “sem trabalho doméstico, os trabalhadores não se reproduzem e, sem trabalhadores, o capital não pode ser reproduzido” – como uma tese. No sentido de reprodução sexual, esse postulado seria um axioma sem necessidade de ser demonstrado.

As coautoras cometem um erro metodológico de análise. Afirmam uma contribuição dado pelo marxismo ao feminismo seria um “método para compreender as bases materiais das relações sociais de desigualdade, exploração e opressão”.

Se ficassem no método de Marx teriam de sair do concreto (hipótese da superexploração feminina) ir para o abstrato (Teoria do Valor-Trabalho) para alcançar o concreto pensado (exploração da mulher como assalariada e como objeto do desejo sexual masculino e cuidadora dos afazeres domésticos). Sob o ponto de vista marxista, teriam de ampliar o papel das mulheres na luta de classes face à dos homens.

No entanto, outro método de análise seria mais apropriado: teoria pura (hipótese) – teoria aplicada (instituições analisadas por outras áreas de conhecimento) – nível mais concreto para análise circunstanciada ou decisões práticas.

Nesse caso, um tratamento histórico – datado e localizado – seria mais oportuno. Como foi o papel das mulheres em modos de produção anteriores ao capitalista? No escravismo colonial, eram sinhás parideiras, para produção de força do trabalho em maior escala, ou mucamas? As primeiras mulheres maltratavam as rivais sexuais…

Mucama era o nome dado à criada negra ou escrava. Prestava serviços domésticos para seus senhores, inclusive as senhoras. Costumavam ser jovens e belas e, em alguns casos, também serviam como escrava sexual, além de ama de leite para os filhos de seus patrões.

Na servidão feudal, toda a família dos camponeses trabalhava no campo, não? Em casa, a opressão feminina seria maior? E fora de casa?

Na Inglaterra, na classe dominante dos rentistas, não sendo primogênito, os demais filhos – homens e mulheres – se lascavam: os homens iam para o exército morrer em guerras e as mulheres sem arranjar marido iam para igreja rezar e morrer em sua sexualidade. Por lei, o filho (homem) primogênito sempre foi considerado o primeiro na linha de sucessão de um patriarcado ou na recepção de títulos de nobreza.

O embrião do movimento feminista surgiu na Europa em meados do século XIX, como uma consequência dos ideais propostos pela Revolução Francesa. Igualdade, Liberdade e Fraternidade são impossibilitados pela existência de herança, seja para o primogênito, seja para todos filhos dos ricos. Patriarcalismo não seria anterior ao capitalismo?

No entanto, o feminismo só começou a se popularizar no mundo ocidental nas primeiras décadas do século XX, questionando o poder social, político e econômico monopolizado pelos homens. O feminismo, como muitos pensam erroneamente, não deve ser um movimento sexista, ou seja, em defesa do feminino sobre o masculino, mas sim uma luta pela igualdade entre ambos os gêneros.

O Partido Socialista da América organizou o Dia das Mulheres, em 20 de fevereiro de 1909, em Nova York. Foi uma jornada de manifestação pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino.

Por muitos anos, associou-se o dia 8 de março à ocorrência de grandes incêndios em fábricas, no início do século, quando dezenas de operárias teriam perecido. O mais conhecido desses incidentes é o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist. Ocorreu, em 25 de março de 1911, às 5 horas da tarde, e matou 146 trabalhadores: 125 mulheres e 21 homens. A fábrica empregava 600 pessoas, em sua maioria mulheres imigrantes judias e italianas, com idade entre 13 e 23 anos.

Enfim, a Teoria do Valor-Trabalho não distingue a exploração entre sexos, mas a história sim.

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