Efeito Seca pós-2012: Desencadeamento de Dependência de Trajetória Caótica

Em 1926, o economista russo Nikolai Kondratiev apresentou a ideia de ondas longas da conjuntura, a hipótese da existência de ciclos longos na dinâmica do capitalismo mundial com fases de prosperidade, recessão, depressão, recuperação. Podem ser ciclos tecnológicos como a revolução industrial inglesa (textil de algodão: 1800-1850); indústria ferroviária (aço: 1850-1900); engenharia química e elétrica (1900-1950); petroquímica (extrativa de petróleo: 1950-2000); automação robótica (tecnologia de informações: 2000-…).

A máxima duração de um ciclo solar foi de treze anos e oito meses, pertence ao ciclo 4 (de setembro de 1784 a maio de 1798). O ciclo de menor duração foi o número 2, com nove anos exatos (de junho de 1766 a junho de 1775). Nos períodos de atividade mais elevada, conhecidos como máximo solar, as manchas solares aparecem, enquanto que períodos de atividades mais baixas são denominados de mínimo solar.

ciclo solar 24, cujo início estava previsto para março de 2008 pelo NOAA, e que teve um alarme falso em 4 de janeiro daquele ano (a mancha solar detectada era remanescente do ciclo 23), parece ter começado efetivamente em 22 de setembro de 2008. Todavia, e até 30 de janeiro de 2009, com o surgimento de apenas seis novas manchas, a previsão passou a ser o período de máximo solar só ter principiado realmente em meados de 2010, atingindo o ápice em 2013.

O problema da seca, no Brasil , apresenta vários aspectos, tais como: metereológicos, a microfísica das nuvens, as correlações solares em contraposição com a atmosfera terrestre. Há tabelas com o intervalo de frequência das secas. Estes importantes estudos devem ser levados em consideração na Economia, pois este tipo de clima afeta a população no Brasil.

Segundo o monitor das secas da ANA (Agência Nacional de Águas), o percentual do semiárido sem seca só em 2018 se tornou o maior, desde julho de 2014, quando o sistema foi lançado. Em abril de 2018, esse índice alcançou 32,6%.

Segundo mapa do Monitor de Secas do Nordeste, da ANA, 33,6% do território nordestino apresentava, em dezembro de 2017,  seca nível 4, o mais alto da escala e classificado como seca excepcional. Em 2015, esse índice chegou a 47% e, em 2016, a 65%. Em 2014, ano com maior volume de chuva desde 2012, só 6% do território teve seca excepcional. Também no ano 2017, 29% do território nordestino registraram nível 3, de seca extrema.

seca na Região Sudeste do Brasil em 2014–2017 se refere ao evento de chuvas irregulares e pouco expressivas registrado na região brasileira supracitada em meio à década de 2010. Teve início no estado de São Paulo em outubro de 2013 e se estendeu aos demais estados do Sudeste ao longo de 2014 e 2015, mantendo-se em várias áreas dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo também em 2016 e 2017.

Quando o Banco Central do Brasil respondeu, automaticamente dentro da prática do Regime de Metas de Inflação, à inflação de alimentos, provocada pela quebra da oferta em razão do problema climático, com elevação da taxa de juros em 2013, cometeu uma “barbeiragem feia”. A boa técnica de política monetária sugere não responder com controle da demanda agregada a uma quebra de oferta por período imprevisível.

Entre julho de 2011 e dezembro de 2012, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros Selic em 5,25 pontos percentuais (redução de 42,00%), passando de 12,50% ao ano para 7,25% ao ano. Durante o PAC II, incentivou o endividamento das empresas – elevação dos juros até 14,25% aa em julho de 2015 – manutenção desse patamar até outubro de 2016 – Grande Depressão (2015-2016) – Estagdesigualdade (estagnação econômica e concentração de riqueza: 2017-2019) – Grande Depressão (pandemia de 2020) – Estagflação (crise hídrica em 2021): retrocesso socioeconômico e político do Brasil.

De acordo com a Teoria austríaca do ciclo económico de Ludwig von Mises a redução artificial das taxas de juros pelos Bancos Centrais leva a uma má alocação de recursos, devido ao fato de as empresas realizarem vários projetos de capital cuja viabilidade era duvidosa, antes da redução das taxas de juros. Essa má alocação de recursos é comumente descrita como insustentável em longo prazo.

Quando o Banco Central reverte o patamar do juro básico, ele desencadeia um colapso econômico. Logo, a redução artificial das taxas de juros cria uma armadilha para os empresários, atraindo-os para atividades comerciais insustentáveis ​.

Sergio Cortizo é físico e trabalha como Especialista em Políticas Públicas no governo federal desde 2009, nas áreas de mudanças climáticas e energia. Publicou artigo (Valor, 30/08/21), cujo teor compartilho abaixo.

“O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está projetando que os reservatórios das usinas hidrelétricas chegarão a 10% da capacidade máxima de armazenamento no segundo semestre deste ano, o nível mais baixo desde a crise de 2001. Quais são as implicações disso? Como os reservatórios serão recompostos? Quanto tempo isso vai levar? E como ficará o preço da energia elétrica enquanto os reservatórios estão sendo enchidos?

A crise atual foi provocada por um erro na operação do Sistema Interligado Nacional (SIN): as mudanças climáticas globais têm alterado as vazões dos rios que alimentam as usinas hidrelétricas do sistema há anos, diminuindo sua capacidade total de geração. No entanto, esse fenômeno tem sido confundido com um período de seca temporária, como se fosse apenas uma flutuação normal das vazões em torno de suas médias históricas. Em outras palavras, o erro operacional foi negligenciar os impactos das mudanças climáticas nas vazões dos rios brasileiros.

Este ano completa uma década de sérios problemas no SIN, com os reservatórios da hidrelétricas muito abaixo do patamar anterior, como mostra o gráfico.

Desde 2014, o nível médio dos reservatórios está baixo demais para garantir o abastecimento de energia em um ano hidrologicamente ruim. Ou seja, há anos que a reserva de energia hídrica no sistema tem sido mantida em um patamar insuficiente para garantir a segurança energética do país. Assim, foi apenas uma questão de tempo até que chegasse um ano particularmente seco, como 2021, para que o sistema tivesse dificuldade em manter o abastecimento durante o período seco sazonal.

Está cada dia mais claro que as vazões afluentes no SIN não voltarão ao “normal” do século XX. A seca atual não é um episódio temporário, mas apenas o início de uma tendência de longo prazo, que vai se agravar nos próximos anos. O problema é que esse fato não foi percebido a tempo de se evitar o esvaziamento quase completo dos reservatórios, o que compromete não apenas a segurança energética, mas também outros usos da água, como o abastecimento urbano e a agropecuária.

Independentemente do que acontecer até o final do ano, os reservatórios de SIN terão de ser recompostos depois da crise. Engana-se quem acredita que o problema estará resolvido com o início das chuvas no final do segundo semestre, pois serão necessários vários anos para se atingir um nível satisfatório de armazenamento. Vamos aos fatos.

Para encher os reservatórios, será necessário turbinar menos água nas hidrelétricas, isto é, usar menos água para gerar energia. O decréscimo na geração hídrica terá que ser necessariamente compensado por outras fontes, a fim de atender a demanda. Esta compensação não pode ser feita com as fontes eólica e solar, pois a produção delas no curto prazo depende de condições ambientais fora da nossa governabilidade (como a intensidade dos ventos e a cobertura de nuvens no céu). A geração nuclear tem capacidade instalada limitada (cerca de 2 GW) e segue basicamente o cronograma de manutenção das usinas Angra I e II.

Assim, restam apenas as usinas térmicas para compensar a perda de geração hídrica. No entanto, o custo da energia termelétrica é mais alto do que o da hidrelétrica, e este custo termina sendo repassado para o preço final da energia.

Mas os problemas não param por aí. O rendimento da usinas hidrelétricas depende do nível do seu reservatório: quanto mais baixo o nível, menor o rendimento.

Logo, turbinar uma vazão de 1m3 /s com os reservatórios vazios gera menos energia elétrica do que turbinar a mesma vazão com os reservatórios cheios. Isso ocorre porque a pressão da água na turbina é menor quando a altura da coluna d’água até a superfície da lago é menor, e essa perda de pressão se traduz em menor geração elétrica para uma mesma vazão turbinada.

Como no auge da crise os reservatórios chegarão quase ao volume morto, a perda de rendimento será considerável. No entanto, a pouca água restante não poderá deixar de ser turbinada, mesmo com baixo rendimento, pois o SIN não é capaz de atender a demanda total de energia sem a fonte hídrica, que corresponde hoje a cerca de 70% da geração total do sistema. Assim, mesmo quando a água estiver mais escassa, ela terá que ser “desperdiçada” com uma produção de eletricidade muito menos eficiente do que o normal.

O menor rendimento das hidrelétricas atrasará a recomposição dos reservatórios e encarecerá ainda mais o preço final da energia, pois a perda de energia também terá que ser compensada com o uso das térmicas. O tempo que o SIN permanecerá neste estado crítico vai depender muito do volume das chuvas futuras. Porém, é quase certo que os reservatórios ainda não estarão recompostos ao final do próximo período chuvoso, em abril de 2022. Assim, o país começará o período de seca do ano que vem sem reserva hídrica suficiente para garantir o abastecimento com tranquilidade até o final de 2022, mesmo com o preço da energia elétrica em um patamar mais alto do que o atual.

Por outro lado, a economia brasileira já dá sinais de recuperação após a forte recessão causada pela pandemia de covid-19, o que certamente aumentará a demanda por energia elétrica. Ou seja, caminhamos para um cenário de crescimento da demanda, com uma forte restrição da oferta (custos mais altos de produção). Assim, não é difícil prever que o preço da energia elétrica no Brasil vai disparar nos próximos anos.

1 thought on “Efeito Seca pós-2012: Desencadeamento de Dependência de Trajetória Caótica

  1. Prezado Fernando,

    estamos vivenciando de forma acelerada o maior problema que a humanidade já enfrentou: o aquecimento global antropogênico (causado pelo homo sapiens), que a partir de 2015 alcançou 100% de consenso científico, segue as referências a respeito:

    https://rcristo.com.br/2021/07/23/aquecimento-global-alcanca-100-de-consenso-cientifico/

    Imaginava de forma errônea que o Aquífero Guarani seria a solução para a falta de água, mas depois de pesquisar descobri que ele está secando e poderá ficar totalmente seco em 50 anos. A cidade de Ribeirão Preto em São Paulo pode ficar sem água no longo prazo, pois 100% de sua água é extraída desse aquífero.

    Para se ter uma ideia do problema até Curitiba que é considerada uma cidade modelo, está tendo falta d’água há 5 anos e só tende a piorar.

    Estamos em rodízio permanente, conforme a tabela de rodízios:

    https://site.sanepar.com.br/grupos-rodizio

    A água será cortada 12/09/2021 – às 16:00 e voltará dia 14/09/2021 – às 04:00

    Para acompanhar os efeitos do aquecimento global e ter acesso a todo o material extraído dos satélites de monitoramento do clima, segue links abaixo:

    Copernicus Open Access Hub (acesso completo e livre para download de todo o conteúdo).

    https://scihub.copernicus.eu/reportsandstats/

    382.5 PB (petabytes) ou 339.73 PiB (pebibytes)
    0.3825 EB (exabytes) ou 0.33177 EiB (exbibytes)

    Annual Report 2020

    Click to access COPE-SERCO-RP-21-1141_-_Sentinel_Data_Access_Annual_Report_Y2020_final_v2.3.pdf

    O que é o programa Copernicus

    O Copernicus é o Programa de Observação da Terra da União Europeia, que analisa o nosso planeta e o seu ambiente em benefício de todos os cidadãos. Oferece serviços de informações com base na observação da Terra por satélite e dados in situ (não espaciais).

    Copernicus Sentinel-6A Michael Freilich Mission
    https://rcristo.com.br/2020/11/22/copernicus-sentinel-6a-michael-freilich-mission/
    Data: 21 de novembro de 2020
    Local: Vandenberg, Califórnia, EUA
    Foguete: SpaceX Falcon 9
    Instrumentos: altímetro radar Poseidon-4 e um radiômetro de micro-ondas

    Acompanhe o momento do retorno do primeiro estágio do foguete Falcon 9.

    Abs.

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